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Brown na padaria

Daí que no final de semana fui até o mini shopping do Morumbi Sul tomar café com minha garota. Estacionamos o carro, entramos e o lugar tinha um clima estranho, como se girasse em torno de algum acidente de percurso, de algum ato maravilhoso e beirando o divino. Não entendi direito para onde devia olhar. Espero ser atendido enquanto a Denise procura um lugar pra sentar, quando um dos funcionários, detrás do balcão clama em voz estranhamente alta, forçando com que eu e os outros clientes ouvíssemos: “a comanda do Brown tá aqui guardada, a do Brown tá aqui”. E aí entendo. Mano Brown tomava café numa das mesas de dinner. Disse a minha garota o que aquilo representava pra mim, como todas as vezes em que o encontrei pelo bairro, mas não espero que ela entenda, nem peço isso. Um dos meus únicos ídolos está sentado na mesa atrás de nós e eu não consigo cumprimentá-lo, o que implica certa dose de tietagem e invasão de privacidade. Não gostaria de ser incomodado enquanto tomo café domingo, seja onde for, ou seja quem eu for. É uma sensação estranha e um tanto psicótica esse platonismo amigo.

E o Brown foi embora de Audi ou de Citroen, indo aqui, indo ali, só pan, de vai-e-vem.