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Os sonhos frustrados de C. Precious Jones

Sabe, aquele filme produzido pela Oprah ano passado, que concorreu ao Oscar e tudo mais. Isso, Preciosa. Preciosa (Precious, 2009) é um filme que prova porque as receitas de bolo por mais matemáticas que sejam nem sempre dão certo.

Existe um tema pesado: uma garota de 16 anos, negra, obesa, analfabeta, grávida de seu segundo filho (a primeira filha tem síndrome de Down) e, mais tarde descobrimos, aidética. Sua mãe é uma megera que ultrapassa qualquer exemplo que aqui eu possa dar.

Bem, já que o tema é tenso, então, vamos inserir em um contexto pior. Os sonhos frustrados de C. Precious Jones, a grande jogada do filme. Precious sonha, sempre com um mundo de glamour, um namorado rico, repórteres, fama e então volta à realidade silenciosa de sua vida.

E já que o tema e o contexto vão sacudir as pessoas e dizer a elas que o fato de ter sido demitido do trabalho não é o pior sofrimento do mundo, vamos piorar a vida de Precious com o inusitado, com o…

Deu pra sacar?

O roteiro foi tão voltado pras desgraças da protagonista que se esqueceram de dar um final decente pra parada, ou pior, se esqueceram da moral da história. Entendo que abrir o coração para os problemas dos outros faz com que você veja como a vida pode ser terrível. Como existe gente que sofre por aí e você não percebe.

Mas acredito que a história de Precious é tão ímpar, tão inigualável que a moral merecia mais do que uma idéia geral existe-sofrimento-aí-fora-enquanto-você-reclama-da-sua-barriguinha.

Preciosa tem um problema simples: foi dramático, caótico, singelo e triste numa medida que estourou a balança.

Sem trocadilhos.