We don’t even care, as restless as we are

Partindo para o final de semana em Mongaguá, SP. Sim, chovendo mesmo. Porque a gente escolhe os finais de semana a dedo. Daí que levo na mala só umas roupas e a vontade de desligar essa vida intranquila. Claro, levo uns livros. Goethe, As duas torres e Rota 66. No rádio 311, Cake, Beck e o resto de Bob Dylan.

E por aqui, fiquem com meu camarada Billy que vem para o festival Planeta Terra 2010.

Shakedown 1979, cool kids never have the time
On a live wire right up off the street
You and I should meet
June bug skipping like a stone
With the headlights pointed at the dawn
We were sure we’d never see an end to it all

And I don’t even care to shake these zipper blues
And we don’t know just where our bones will rest
To dust I guess
Forgotten and absorbed into the earth below

Double cross the vacant and the bored
They’re not sure just what we have in the store
Morphine city slippin’ dues, down to see that

We don’t even care, as restless as we are
We feel the pull in the land of a thousand guilts
And poured cement, lamented and assured
To the lights and towns below
Faster than the speed of sound
Faster than we thought we’d go, beneath the sound of hope

Justine never knew the rules
Hung down with the freaks and the ghouls
No apologies ever need be made
I know you better than you fake it, to see
(rpt 1)

The street heats the urgency of now
As you can see there’s no one around.

gtalk, you bastard!

Daí que ontem, pós-expediente, um desencontro com a Denise quase nos fez ficar malucos. Três pedágios pagos, idas e voltas na Rod. Castello Branco e algumas dores de cabeça depois, vale a explicação:

29/07/2010, 12:27, Leonardo Pollisson escreveu:

Agora tudo calmo, me explica o seguinte: WHERE THE FUCK WAS SHE??
Cara na boa, perder a Sandra que tem 1.70m é uma coisa. Perder a Dê, com quase 1.80m é foda…rs

29/07/2010, 13:33, Robson Assis – eu, BTW – escrevi:

ahhaha, mano, foi o seguinte.

no gtalk, ela disse que ia sair 7 horas e ia pro mercado do lado do trabalho dela. Aí, depois de umas brincadeiras (na tpm nunca dá pra saber se ela tá falando sério ou não) começou a falar bullshit, tal, que não precisava ir buscar ela. Eu cortei e falei “pára que eu vou aí, só me avisa a hora que vc sair pra eu ter uma noção de quanto tempo posso demorar aqui”. E depois, offline. Não falou nada, nem avisou. Aí, passa uma hora. Eu, caralho, onde tá essa mina? Liguei no cel, nada. Fui no mercado, dei uma volta e uma olhada na praça de alimentação, nada. Fui na casa dela, nada.

E então, da casa dela, quando soube que ela não estava, liguei pra vc. Desespero monstro.

Voltei pra Alphaville, ela só podia estar no mercado ou no trabalho. Fui primeiro no mercado. Andei.todos.os.corredores. Nada.

Desci, encontro ela na praça de alimentação, de canto, cara de emburrada, sem me cumprimentar, nem falar comigo. Porque, claro, no fim de um desencontro desse naipe, a culpa é sempre do cara. Chegamos na casa dela, primeiras palavras, mó discussão à toa e descobri que ela tinha me avisado pelo gtalk, mas eu não recebi a mensagem.

Moral da história: não deixe o Google Talk influenciar seu relacionamento.

[vou postar isso]

Turbine sua carreira

Stalkering no almoço. Não posso entrar em detalhes, mas acontece. Nego acha que a vida é um grande LinkedIn e qualquer “fala, mano” de três Mississipis é motivo pra garantir o networking. Considero o silêncio constrangedor caro demais.

Mas nego vem com papo caído me convencendo que o melhor a fazer é popularizar seu nome nas empresas próximas. E eu, na moral (só na moral), to cagando. Mesmo que seja legal manter uma boa relaçzzzzzzzzz… Espero não ter que encontrar horários vagos para comer. Almoçar com meu fone de ouvido e um bom disco do Bob Dylan vai estar na wishlist de 2011.

Bússola moral

Em todos os campos da vida existe aquele grupo de pessoas ou aquele ser humano único com o qual você se guia, que faz você seguir em frente mesmo que as coisas estejam ruins, mesmo quando tudo parece perdido.

No meu emprego anterior eram muitas pessoas desse tipo. Houve estágios, claro, os primeiros amigos que fiz, cujo baque foi implacável quando saíram em grupo.

Já no estágio final, tinha minha garota por motivos óbvios e quatro amigos próximos que conversavam sobre música e fumavam juntos sempre com alguma teoria sobre como usar o dinheiro que ganhássemos na loteria.

E aqui, na empresa seguinte, hoje, tinha o Guto.

Um cara sem precedentes. Um cara que você não critica e, se ver alguém criticando, sai de perto ou bate de frente. Melhor, um cara que qualquer um sai em defesa, mesmo se ele estiver errado – o que não deixa de ser impressionante.

Existe um parâmetro inusitado em quase todas as amizades: a forma como elas acontecem. Com o Guto, pra não entrar em detalhes, foi num dia em que não pude voltar pra casa e acabei com ele e outro amigo num boteco no Butantã, com jukebox de samba, tiozinho conversando com amigo imaginário e senhoras bêbadas cantando Lecy Brandão com o copo levantado, respingando o suor de seus passos confusos numa cadência imperfeita.

Bonito assim.

E hoje, ele sai. Melhor, claro. Oportunidades da vida que corre do lado de fora dessas paredes pré-montadas. Fico num jogo de resta 1 foda, com o norte da bússola quase pifando e já sem saber, como Joe Strummer, se fico ou se vou. Ao menos resta o coração alegre e a esperança de poder conhecer outros nortes como ele vai continuar a ser.

Um dia desses

Sempre imagino a cena.

Faustão me convida pra ir no programa falar sobre a vida daquele que fez história com [espaço destinado a qualquer um dos meus sonhos]. E, no telão começam a aparecer amigos, conhecidos, gente que me apoiou, o circo todo.

E então eles aparecem chorando, mais que emocionados, sem saber o que responder quando o apresentador lhes pergunta se sempre apoiaram o filho. Esboçam um “sim”, afinal, é um programa de domingo, cujas feridas não devem ser expostas. Só o choro, a emoção simples, a dor por nunca ter enxergado em sua criança algo além de outro produto natural do mundo a nascer e morrer despercebido, sem alarde, como seus antepassados.

Vou lembrar todas as vezes que meu salário aumentou e eles perguntavam se eu estava procurando ‘coisa melhor’ pra trabalhar. Cada segunda-feira como esta em que chorei no chuveiro por não suportar ser o primeiro a abrir a fechadura de cima, trancada de noite, antes de todos irem dormir.

Cada sombra que consegui ver próxima, cada cigarro que fumei por pura pressão. Cada vez que vi meu orgulho ou auto estima se atirarem pela janela por não terem mais lugar ali.

Vou controlar as lágrimas e responder por eles. Dizer que sempre estiveram ao meu lado em todas as decisões que tomava, dizer como me sentia protegido e pude enxergar o mundo não como uma estrada de mão única, mas como um anel víario cheio de saídas e possibilidades.

E termino aos aplausos da platéia, como naquela piada do Pagliacci: “Good joke. Everybody laughs. Roll on snare drum. Curtains”.

*desculpem, é só uma segunda-feira ruim.
** Cheguei no trampo tão desumanizado que nem vi que a Giselle tinha voltado de férias.

Que fase, amigos

Daí uma mulher me manda um SMS DO.NADA:

ola meu anjo kd vc ta td bem ? vc muito especial que deus te tudo de bom em dobro estamos bem graças a deus bom fique na paz deus te abençoi muito bjs!!

Não sou eu, presumo.

Ela repete a mensagem outras três vezes durante a semana. Não tenho créditos, mal uso esse celular, mas gente ainda me liga nele, so… Tive de deixar a coitada mandar mais mensagens até reparar que estava enviando pra pessoa errada. E então, nova mensagem:

ops . descupe flor foi uma mensagem errada pra vc eu acho: meu cel tá doido = rsrsrs

Pensei poucas vezes sobre o assunto, mas, com esta mensagem, cancelei da mente, manja? E aí, no outro dia…

Amiga que felicidade que [presente] de [coração].

Nesta mensagem, as palavras presente e coração eram emoticons, que eu não imaginava poder enviar via SMS, mas, acredite, é possível. A orkutização chegando a lugares nunca antes imaginados. Brasil, um país para todos.

E ela tá frenética. Já fiquei sabendo que alguém engravidou: o amiga to muhto feliz pois agora vou ser tia, agora que meu marido vai alugar esta casa para nns bjs. Ah, e outra coisa: cah o odair vai na quarta vc quer alguma coisa nao fq. com vergonha so tua amiga ok bjs.

Que vibe.

Parca Nostalgia

Por acaso, abri hoje uma pasta Comentários do Blog do meu já inutilizado hotmail, datada de 2004, quando meu primeiro blog ainda estava em atividade:

Enviado por: Duds
Weblog: http://realidadesonhadora.blogspot.com/
Comentário: Meu pode ficar tranquilo que, se realmente eles vierem pra te mandar embrora, vc vai ahar algo melhor, que te deixe sonhar, que te deixe ser um bororé livre. Quanto a música, muito boa mesmo! Como vc disse que aceitava sugestões e é o meu guitarband favorito (e que se foda o Tom Morello), eu vou nessa: Que tal “Tristes Verdades”? Bem, enfim…. é só uma sugestão e tal….. Cara um grande abraço e vamo agitar o natiruts! Duds, Por que Os Bororés também tem problemas.

Enviado por: Duds
Weblog: http://realidadesonhadora.blogspot.com/
Comentário: “Começando com aspas”…. Não sei se devo fazer este tipo de comentário, mas achei realmente que suas palavras foram as mais sinceras possíveis; e digo mais, sinceras e corajosas, pois em um mundo onde um machismo imbecil impera, é preciso ser muito homem para expor seu sentimento de uma forma tão sutil e verdadeira. Cara, parabéns mesmo, toda sorte do mundo, e que se fodam todos aqueles que não amam, pois só odiando muito um dia eles chegarão a lugar nenhum. Ps.1: Os livros! Ps.2:A gente precisa tocar! Abraços na sua alma garoto!!! Duds: “este foi o melhor show da minha vida”.

Enviado por: Lipe (ou ‘Doido’, na época da escola)
Weblog: http://tentativasdemim.blogspot.com/
Comentário: Robas quando vc ficar um escritor famoso e ir no Faustão , eu aparecerei naquela televisão e direi que tudo começou com uma redação que começava assim “A sou brasileiro com muito orgulho…” Lembra disto, roots né!! Doido, Bororé

Me fugiu uma lágrima. Duds e Lipe são amigos eternos. Difícil mesmo é lembrar quem ensinou a tabuada do nove pra quem. “Ah, sou brasileiro com muito orgulho…”, comecei uma redação na sexta série com essa frase.

A metalinguagem nos sonhos

Faltavam 4 minutos pra final da Copa do mundo. Eu, numa ressaca como nunca antes na história desse país, deitado na cama, com a cabeça pesando demais pra levantar e pegar o controle remoto. Pego no sono.

[sonho 1, relativamente sinistro]

Estou com a Denise andando pelo metrô Conceição, sentido Jabaquara, perto daquele prédio do Itaú. Decidimos parar numa cantina italiana, que estávamos combinando na semana passada.

Entramos, aquele clima Achiropita, tiazinhas cozinhando massas naquelas panelas gigantes, tudo bonito.

Chega o garçom e, antes de pedirmos qualquer coisa, ele vem com uma feijoada. A gente tenta retrucar, ele diz que vai pegar os molhos apimentados.

Eu e a Denise nos entreolhamos:

Denise: Mas aqui não é uma cantina italiana?

Eu: hahahah, pior que é. Mas eu sei o que tá acontecendo, é um sonho.

Denise: hahahah, que?

Eu: É um sonho, sério, isso não aconteceria normalmente, eu tô sonhando.

Denise: hahahah, que bobo! (quase chorando de rir)

Eu acordo por um instante e pego no sono novamente.

[sonho 2, definitivamente sinistro]

Olho pro lado e vejo o controle, ligo a TV e vejo o Arnaldo comentando sobre o árbitro, ao lado de Galvão e Casagrande. Tudo meio embaçado. Outro sonho?

Acordo.

Levanto e vou até a TV, que ainda está desligada. Mas, espera, como assim ainda tá embaçado?

Acordo.

Que merda, to sonhando que to sonhando (isso no sonho). Levanto, vou até a TV e digo, não, agora não pode ser. Chuto a cama três vezes com a canela, na tentativa frustrada de provar que aquilo era realidade. Viu, não é que agora é real, mas pera, porque tá tão embaçado ainda?

Acordo.

Cansei desse negócio, mano, fuck that shit. Vou ficar na cama e nem pensar em levantar. E então, finalmente acordo de verdade, com 30 minutos do primeiro tempo pensando: SERÁ MESMO?

E aí, Arnaldo, o que diz a regra?

Pegamos uns filmes também

Simplesmente Complicado, com a versátil da Meryl Streep interpretando uma mãe divorciada, o Steve Martin – que comecei a chamar de Leslie Nielsen Jr. – num papel meio derrotista e o deselegante do Alec Baldwin fazendo piadas sem graça como no 30 Rock. Se eu assistir mais um filme com a Meryl Streep cozinheira, sério, me mato.

Coração Louco, com o Jeff Bridges, inspirado em um livro que ainda não descobri. Sobre a história de um astro falido da música Country, um renegado, um true.  Esperava que fosse uma história real, por conta do roteiro meio lento que faz sentido quando é o Johnny Cash ou o Elvis, mas não quando é um Bad Blake, Bad Who? Bem, até agora achei pouca coisa sobre. De qualquer forma, o filme tem uma excelente fotografia e trilha sonora com umas músicas do Jeff Bridges mesmo. Me fez baixar novamente uns discos do Hank Williams.

Um Homem Sério, filme em que os Irmãos Coen tentam te confundir, criar causalidades em casualidades e jogadinhas de câmera, com a moral de dizer “aceite o mistério”. Gostei do humor negro das situações, da idéia do “até quando?” do Bukowski, dos anos 70, não curti o jeito de não te explicarem nada direito.

Uma música nova

Fiz uma música. Compus, isso, compus uma música. No Feriado, sozinho em casa, família toda na praia. Depois de arrumar as prateleiras e perceber quanto espaço estava sobrando no quarto novo.

Letra bonita, triste, levada folk/country (fiz antes de ver o filme do Jeff Bridges, OK?). Falta uma gaita e um violino. Quem sabe uma batera com baquetas acústicas, de leve.

O fato é: fiz uma música que grudou na minha mente. E isso é bom. Eu acho. Tô até pensando em gravar na casa do Glauber, ó.

Parei de beber fail

Daí que a redenção do fim da sobriedade veio na festa de aniversário do cunhado. A Denise me oferece uma cerveja, o primo dela me oferece vodka com schweeps, o cunhado oferece whisky cowboy, o mais difícil de negar.

Faz uns meses que não bebo tanto, logo cliquei mentalmente no botão fuck that shit e liguei o modo insanidade descontrolada, tão 2008.

Cheguei em casa, liguei pra amigos na festa do Xuxa, às 4 da manhã, partido em dois de tanto beber. E, claro, quando voltei e vi meu real estado de destruição da madrugada de sábado, fiz a ligação da desistência.

O que não me impediu de ainda beber meia caixa de cerveja com o Wolvs e fumar quase um maço de cigarros – o que fez minha cabeça crescer em progressão geométrica, quando da ressaca de domingo.

* update: amigos, quando pegarem mensagens minhas nesse nível, lembrem desse post e da composição das palavras insanidade descontrolada.

Coming Soon

Ontem, troca de um quarto para o outro. Tirar prateleiras da parede, realocar livros, discos e filmes, esconder material pornô, espalhar as gavetas, reunir milhares de sacolas de lixo e a parte mais difícil: retirar os cartazes da parede.

Meus cartazes são minha história, ou parte dela, entende. Desde o primeiro que descolei do muro do Hangar 110 (pra só anos depois descobrir que o cara que cola no muro fica puto quando alguém tira seu cartaz de lá por any motivos) até os shows que toquei, produzi ou fui do street team que descia a rua Augusta com uma lata de cola caseira estampando levas de cartaz em cada quadro de distruibuição telefônica que parecesse amigável.

Tirei cada um deles, retirei suas fitas adesivas, rasguei um dos principais sem querer, merda. Empilhei todos, lembrei de cada dia, cada atraso, cada sensação única, cada respingo de cola que ficava na mochila de recordação. Enrolei todos e passei a fita isolante. Porque ‘eu posso não acreditar em muitas coisas, mas na fita isolante eu confio’.

E aí veio aquela sensação de final de temporada, sabe, quando um ciclo é fechado e tudo que vier além daquilo pode ser constrangedor. Porque você não precisa abrir mão daquilo que te faz bem, mas um hiato pode criar uma segunda temporada muito mais interessante.

Deprê, quem curte?

Desde sábado esqueceram uma britadeira ligada no meu estômago. =(

Faz três dias que não fumo. =)

Pergunta se alguém tá afim de saber. ¬¬

***

Existe algo mais irônico para um gordo do caralho do que trabalhar no setor de Esportes & Lazer de uma loja?

Existe. Saber que seu peso já ultrapassou o peso máximo suportado pela maioria dos equipamentos de ginástica.

***

Sem falar nas confusões que me envolvo por tentar explicar meu ponto de vista pra Denise. Truta, eles deviam dar cursos para nego se formar homem.

Abs

Era um garoto

“I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I’ve counted out days
to see how far
I’ve driven in the dark
with echoes in my heart”

Wilco, Kamera (do disco Yankee Hotel Foxtrot)

Naquela época eu tinha 16 anos e jogava futebol. Era velho demais pra jogar no time dos pequenos, até os 15, e era novo demais para jogar com os grandes, de 17 pra cima. Jogando com os pequenos era sempre vantagem, ser zagueiro e gigante pra minha idade, acentuava isso como você pode imaginar. Com os grandes era nítido, ficava completamente perdido no campo. Ainda que maior e aparentemente da mesma idade deles, não tinha as manhas do jogo. Embora o técnico sempre me encaixasse.

Dez anos mais tarde estou na frente de uma estação de trabalho, ganhando metade do salário que gostaria, criando meu inferno pessoal entre planilhas e e-mails que não respondo, ganhando a vida.

Sou novo demais pra fazer o que gosto de fazer, que é ficar em casa plantado lendo meus livros, lendo o Google Reader e quem sabe admnistrando os estoques de pipoca e suco de laranja da casa. Ao mesmo tempo, quero ver o Leo e passar um final de semana jogando X-box e trocando idéias sobre a vida, como outras vezes, quero dormir na sala do apartamento do Diogo e acordar podre de ressaca. Só o fato de querer ser inconsequente, díspar e até um pouco arrogante, faz com que me sinta velho demais pra isso.

Embora a vida sempre me encaixe.

…E glória no passado

Escrito um dia após a eliminação do Brasil na Copa de 2006.

Nasce uma pátria quieta
Os bares fechados
Televisores desligados
Talvez seja melhor assim.

“Os jogadores não honraram,
O técnico foi uma droga”

E outros comentários
Nos bancos de táxi,
Nas filas tristes dos mercadinhos.

Já não vejo mais
O verde e amarelo das ruas
Começo a enxergar novamente o cinza-realidade
Escondido entre as jogadas milionárias
E em toda festa que se fazia sem pensar.

Hoje São Paulo acordou silenciosa
E na festa não se fez mais brilho
Hoje o Brasil voltou a enxergar
E foi colocado de volta ao 3º Mundo.

Hora ou outra aconteceria
A vitória poderia ser riso
O sexto mundial, a glória eterna
Mas hoje é dia de voltar a reclamar
E lembrar do nosso inútil parlamento.

Dos filhos destes solo és mãe gentil,
Pátria calada, Brasil.

Qual o filme da sua vida?

Ou o que fazer para não enlouquecer num mundo apegado a histórias com finais satisfatórios.

Denise: Às vezes penso em todas as pessoas que vemos bem sucedidas e tento imaginar a rotina delas, se elas passam por problemas como os nossos. Se acordam como se estivessem num filme romântico hollywoodiano ou num romance de banca de jornal em que as pessoas são sempre bonitas, inteligentes, ricas e bem humoradas.
Eu: a falta de verossimilhança dos filmes com o mundo real é que causa sociedades frustradas.
Denise: É nisso que me pego para não me derrotar.

Ontem Rousseau me disse…

No ínicio, o mundo era de todos. Não havia motivo para qualquer cidadão colocar uma cerca em uma área de terra e determinar que aquele espaço lhe pertencia. O homem era dotado de instintos animais primários que não o distinguiam de qualquer outra espécie. Lutava apenas com outros animais pela preservação da vida. Em A Origem da Desigualdade entre os Homens, Jean-Jacques Rousseau dichava destrincha o começo da história da humanidade e como chegamos ao ponto que hoje vivemos.

Em um discurso detalhado, ele questiona o que torna o homem selvagem um verdadeiro primata e o homem civilizado acima dessa posição. O que ele conclui é que o homem civilizado só conseguiu adqurir vícios e males inimagináveis ao homem enquanto simples animal. Isso foi amadurecido através da criação da linguagem que deu origem ao pensamento e, posteriormente, à lógica.

Outro importante ponto que ele me disse foi sobre o trabalho, sobre o sistema de servidão criado pelos primeiros ricos que fez com que os pobres nutrissem sonhos que nunca seriam concretizados e aceitassem a escravidão como algo essencial para sua inserção na sociedade. “Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser” (Goethe).

Rousseau é um cara mais gente fina do que eu imaginava.