in guto, jives, trabalho

Bússola moral

Em todos os campos da vida existe aquele grupo de pessoas ou aquele ser humano único com o qual você se guia, que faz você seguir em frente mesmo que as coisas estejam ruins, mesmo quando tudo parece perdido.

No meu emprego anterior eram muitas pessoas desse tipo. Houve estágios, claro, os primeiros amigos que fiz, cujo baque foi implacável quando saíram em grupo.

Já no estágio final, tinha minha garota por motivos óbvios e quatro amigos próximos que conversavam sobre música e fumavam juntos sempre com alguma teoria sobre como usar o dinheiro que ganhássemos na loteria.

E aqui, na empresa seguinte, hoje, tinha o Guto.

Um cara sem precedentes. Um cara que você não critica e, se ver alguém criticando, sai de perto ou bate de frente. Melhor, um cara que qualquer um sai em defesa, mesmo se ele estiver errado – o que não deixa de ser impressionante.

Existe um parâmetro inusitado em quase todas as amizades: a forma como elas acontecem. Com o Guto, pra não entrar em detalhes, foi num dia em que não pude voltar pra casa e acabei com ele e outro amigo num boteco no Butantã, com jukebox de samba, tiozinho conversando com amigo imaginário e senhoras bêbadas cantando Lecy Brandão com o copo levantado, respingando o suor de seus passos confusos numa cadência imperfeita.

Bonito assim.

E hoje, ele sai. Melhor, claro. Oportunidades da vida que corre do lado de fora dessas paredes pré-montadas. Fico num jogo de resta 1 foda, com o norte da bússola quase pifando e já sem saber, como Joe Strummer, se fico ou se vou. Ao menos resta o coração alegre e a esperança de poder conhecer outros nortes como ele vai continuar a ser.

  1. é, Léo, o negócio tá ficando maluco desse lado da rua.

    Concordo, Toninho, é bom que seja assim mesmo. E valeu a visita! Gostaria de ter tempo pra ler teu blog diariamente, desde o começo! Admiro.

    Abraços

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