in jives, loser, perdedor

A síndrome de perdedor

O mundo faz com que eu pergunte se sou bom o suficiente, se sou o cara certo para a vida certa e me mostra três ou quatro linhas para seguir, três ou quatro rumos dos quais não posso escapar. Sorria como se você quisesse mesmo fazer isso, a música diz. Ou algo assim, não quero mais saber. Tento apenas não me importar, tentei a vida inteira não me importar, morrer na Lira dos 20 anos, virgem e eternizado como um doente maluco que não deve ser ouvido.

E, por mais que se tente jogar o jogo, com as cartas que nos deram, na mesa que nos colocaram, você sabe que algo está errado, fora do encaixe e você não deveria estar neste lugar, você não tem esse direito.

Não consigo lembrar quando foi que eu parei de imaginar a vida de um milionário. As pessoas desejam tanto ter dinheiro para esnobar, desfazer, destruir, humilhar. Eu não quero dinheiro. Nunca quis. Viveria bem se não precisasse dele. O homem fica perturbado quando deixa de querer ser rico. Você é criado com a premissa de que um dia vai querer ser rico, vai querer pisar e passar por cima de alguém, vai querer a boa vida.

Quando você não se importa, você passa a ser um perdedor maior que os outros, pela sua falta de ambição e cobiça, por não ostentar nada além de sua própria paz, deitado na cama, de seus braços cruzados por trás da nuca, batendo a havaianas na madeira da cama e imaginando o que pode acontecer depois. Por não querer um terno e um currículo impresso em pergaminho sagrado, você desiste de acreditar que um dia vai se pegar pensando em que carro dar para sua esposa de aniversário.

Pode ser a maior desculpa que já inventei para meu fracasso, mas não querer ser rico é também a minha verdade.

  1. A vibe hoje não sta das melhores, mas o texto merecia ser impresso em um pergaminho sagrado. Mesmo imaginando voce escrevendo isso, com a cabeça explodindo, sei, mesmo sem saber porque, que isso passa. Fora isso, a certeza que tenho um amigo, um mano, que é gênio com as palavras. Um dia a gente estoura no mundão

  2. Robson, esse é um dos melhores textos que li em 2010. Melhor, um dos melhores textos que li nos últimos dez anos! E me descreve também. Bom saber que não sou tão anormal assim. Ou, quem sabe, ambos sejamos.

    Genial!

Comments are closed.