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Manifesto para que nos deixem em paz

O envelhecimento precoce traz à tona o que temos de pior, aflora as angústias, polui os pensamentos e cataloga nossas depressões em ordem alfa-numérica. Uma das características dessa minha fase é a aceitação do que não seremos em nossas vidas. Saber que você tem quase 30 e um carguinho ‘na área’, acaba se tornando a única forma de se sentir mais humano e menos especial, como todo mundo.

Tudo o que me incomoda, que me joga um balde de água fria, tudo o que faz com que eu não tenha sonhos, ambições ou metas a cumprir (pra enlouquecer de vez a Denise) é saber o que eu não posso mais fazer, seja porque não cabe mais a um homem de minha idade sair para colar cartazes de shows punks na rua Augusta, seja porque é inviável financeiramente manter bandas, zines e posturas.

A teoria aqui mostrada é que o desenvolvimento do homem dá margem para que toda a sociedade lhe diga o que fazer, como ser, ou defina que espécie de aparelho portátil para abdominais e geladeira duplex você deve comprar para que alguém mais além da sua mãe tenha seu nome na agenda telefônica.

Desde pequeno você ouve seus pais. E alguns anos depois de uma conturbada juventude permissivamente rebelde, você volta a ouvi-los. E, inconsciente, gostaria de ter apenas eles para ouvir, como quando era um bebê nos colos sangrentos da sociedade (ok, nessa eu peguei pesado).

No fundo, ninguém quer ser criança novamente. Ninguém quer se machucar nos brinquedos do play, quebrar a perna pela primeira vez ou ser enganado pelo tiozinho do cachorro-quente que jurou que ia voltar com o troco da sua mãe.

Só queremos menos regras, menos gurus dizendo o que temos de fazer para que nossa vida dê certo, menos Patrycias Travassos e garotos propaganda usando verbos imperativos. Só queremos que nos deixem viver nossas vidas da maneira que bem entendermos.

E quando digo isso tudo em terceira pessoa estou apenas tentando colocar toda minha geração junta nessa depressão que é tão minha. Desejo um forte abraço a todos os envolvidos.

Quase fiz uma piada com ‘panela depressão’, mas não o fiz. Podem me agradecer nos comentários.

  1. Posta a foto, preciso ver isso. Os post-it foram excomungados das mesas e monitores da Companhia do Futuro.

  2. Que vibe foi essa última sexta. Matar cavalos e arrancar o couro, mano, que vibe.

    “AH, SE A VIDA FOSSE UM XBOX 360”

    acabei de colar isso num post-it no meu PC, devidamente creditado, hahahahah

  3. Estou com voce mano. Exceto pelo fato que daqui 4 anos voce chega na minha idade. O que me dá uma dianteira depressiva de quatro anos. E pior, não posso te esperar…
    Pior que isso, só uma piada da panela depressão. Melhor que isso, só se matassemos deliberadamente cavalos no velho oeste e arrancassemos o couro pra vender no mercado negro, como na ultima sexta. Ah se a vida fosse um Xbox360.
    Howdy Sir! How Art Thou?

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