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A Mochila de Pedras

Algumas coisas me fazem mal, como ouvir uma mentira que você sabe a versão real, ou ter que se envolver nessa mentira, ou cigarros etc. Apesar disso, nada me faz tanto mal quanto ter que dizer: “olha, hoje não dá, eu não tenho dinheiro”.

Porque, convenhamos, todo o tempo estão te chamando pra frequentar churrascos, festas, baladas, jantares, confraternizações com a qual você não dá a mínima, mas iria de bom grado se você não tivesse pago aquela fatura do cartão de crédito, pra felicidade da atendente da Visa que já tinha até decorado os horários que você estaria em casa.

E dizer essa frase é como ter de admitir outro fracasso, afinal, você não está bem (pelo menos financeiramente). Pra mim, chega próximo mais ou menos de dizer, ‘olha, não posso ir nesse churras amanhã porque não fui bom o suficiente para me permitir estar com vocês’. OK, nem tão dramático, mas esse é o viés da história.

Eu tento evitar, mas acontece de às vezes, como agora, ter de carregar ainda mais minha mochila psicológica de pedras, como a Chiba sugeriu. ‘Todas as vezes que você não fala ou não expõe o que você pensa, ela disse ‘você tem que carregar mais peso na sua mochila’. Acontece com alguma regularidade. E ao dizer essa frase, coloco pelo menos outras dez das grandes e sigo em frente, até o ponto em que ela fica insuportável, estoura e recomeça a encher.

Claro que nada disso tem a ver com o posto que estou atrasado para comparecer depois desse post, na verdade vai ajudar muito a relaxar e esquecer um pouco disso tudo.