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Bendita inclusão digital

Nesta semana, por um acaso um tanto trágico que depois explico aqui, passei uma boa parte da noite mostrando algumas maravilhas da modernidade para meus pais no computador. Eles são velhos sim, nunca se interessaram muito por computadores, internet e até hoje não entendem direito cada emprego novo que eu arranjo: ‘ah, tá, redator web, mas o que você faz lá?’, essas coisas.

Então liguei o notebook pelo HDMI na TV.

Daí que entrei no Street View e fomos até Mongaguá, ver a casa da praia, depois voltamos para o condomínio e todos os lugares do Capão que moramos quando eu não tinha idade pra me lembrar. Até na casa da minha avó, a primeira casa que meu pai morou, no Socorro, a escola que virou uma loja de peças, o condomínio que eu ficava na janela vendo meu pai jogar futebol na quadra, o bar do meu tio. Ficaram maravilhados. E então fui pro orkut das minhas primas do Maranhão procurar algumas fotos sem muito sucesso (apesar de ter encontrado umas bem pesadas).

Pra fechar a noite, vimos pelo Youtube umas danças típicas do Maranhão, o bumba meu Boi, minha mãe fica bem emocionada vendo essas paradas, enquanto eu e meu pai não aguentamos por mais de um minuto inteiro porque (a) você não consegue entender bulhufas do que o cara está cantando e (b) a música é infernal demais para eu conseguir explicar.

Ao meu pai falta descobrir a quantidade de filmes que ele pode ter em casa com essa banda larga que assinou (só hoje baixei Guidable do Ratos de Porão, Saw 1 a 4 e três westerns). Se ele aprendesse essa parada ficaria completamente obssessivo. E descobrir isso aqui, esse negócio de escrever um texto num blog pessoal para que, com sorte, algumas pessoas possam saber o que se passa na sua cabeça, deixaria ele maluco também.

Quanto à minha mãe, acho que só de entender como funciona uma webcam, já ficaria de cabelo em pé e não deixaria de entrar no MSN para conversar com seus parentes no outro extremo do país. Só que isso demanda que a parte da família que mora longe também entenda e o processo é extremamente mais complicado.

Muita coisa mudou desde então, eles querem resolver os problemas do computador para que possam pelo menos tentar acessar essas-coisas-que-o-robson-acessa-na-tv. Sempre fico me imaginando nessa idade e se as coisas vão mudar tão rápido que eu não possa acompanhar e meu filho vaio tentar me explicar como ele montou essa empresa pelo celular, essas coisas, mas não é novo pensar que as mudanças causadas pela internet nos últimos 20 anos relegaram gente como meus pais a um triste novo tipo de analfabetismo. E parece um trabalho meu tirá-los disso, estou certo?

*no final das contas, não perdi o post. Mas as críticas ao notepad e ao botão insert seguem firme.

  1. Meu pai penava nos ultimos anos de empresa pra se adequar a “correios eletronicos” como ele dizia na época. Agora que aposentou tem orkut, facebook e linkedin. Add ele lá

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