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Um dia na cidade grande

Daí que tive três reuniões na sede do trampo hoje. Uma sobre vídeos (cabelo ao vento, gente jovem reunida), outra sobre design das páginas (com o carioca malandro da criação) e outra sobre navegação do site (e meu primeiro contato gentil com o comercial). Foi um desses dias que tem tudo pra dar errado, mas acabam sendo perfeitos no final.

O prédio acolhe o suficiente, o elevador constrange o suficiente, as pessoas usam gravatas azuis com detalhes suficientes e fumam Marlboro light tão frenéticos como num mundo pós apocalíptico em que os cigarros não são mais suficientes para suprir todo o planeta. O chão tem carpetes, as salas de reunião tem TVs de 50 polegadas e a medida de importância dos funcionários varia de acordo com o celular que eles possuem. Diretoria e Presidência estão na categoria iPads, gerentes e supervisores são mais iPhone 4. A horda de compradores e galeré de marketing só usam Blackberry e demais Smartphones com pacotes de dado baratos.

Ah, sim, sabe quando seu pai só bebe Antartica e sua mãe só compra tênis Adidas, porque eles sempre foram bons e nunca vão desapontar? Acontece isso com a máquina de snacks e de café espresso, que estão mais enraizadas cultura na empresa do que qualquer outra coisa.

Saindo de lá, fui encontrar uma amiga e ver umas propostas de freela (dou mais detalhes no futuro, quando algumas coisas estiverem mais fechadas. De cara, posso dizer que fiquei bem feliz com essa última reunião).

Estava ciente de que não teria tempo pra almoçar, pois tive que andar até o Itaú da Faria Lima. Uma sensação que não experimentava há uns bons cinco anos: caminhar em meio à multidão entre meio-dia e duas da tarde, no coração comercial (ou nervoso, como diz meu pai) de São Paulo. O horário de almoço na região da Vila Olímpia, Berrini e adjacências se compara à operação descida da Imigrantes no reveillón. Gente com a estafa corporativa estampada na cara, suada, tomando sorvete nas banquinhas e ciente de que andar rápido não adianta muito, afinal você vai acabar passando a virada (ou acabando seu horário de almoço, neste caso) perdido naquele mar de gente tentando atravessar os túneis (ou a rua, pra finalizar a analogia).

Ao chegar perto do estacionamento, encontrei uma padaria com a melhor esfiha de carne do universo. Recheio tratado afim de não ficar parecendo pastel de feira, além de uma massa envelhecida ao ponto que só os mestres sabem deixar estragar. Pra fechar com chave de ouro minha estada na padaria, um garçom chega e pede pro cara de dentro do balcão: ‘ô Gardenal, passa esse pano seco aí pra mim, valeus!’. Lugar.dos.sonhos.

No final das três primeiras reuniões, fumava com minha chefe do lado de fora do prédio e ela disse o quanto era estranho vir pra São Paulo nas primeiras reuniões que teve na sede, depois de tantos anos pegando estradas e pagando pedágios, sem se preocupar tanto com semáforos ou pedestres. Apesar de tudo, soa realmente estranho ver 50 pessoas esperando o farol fechar pra atravessar a rua, ou os elevadores esturricados e apitando por excesso de peso na hora do almoço. Isso quando o máximo de gente que você pode ver no caminho do trabalho está dentro da padaria, ou no ponto de ônibus.

Foi só outro dia simples na grande metrópole para alguém que, apesar de morar lá, pouco frequenta a cidade natal. Lembro de uma palestra, em que o Ferréz, escritor, citava um conselho de sua mãe: ‘você pode sair, fazer o que eles pedem, rir das piadas deles, comer da comida deles, oferecer o que tem pra oferecer, mas é na sua casa, com os seus, que você volta a colocar os pés no chão pra pensar direito na vida’.

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