Day 13 – a song that is a guilty pleasure

Todo mundo curtu a oração da Banda mais bonita da cidade, vamos ser sinceros, vai. Mesmo os roqueiros pedregosos que conheço, mesmo os punks estrategicamente sujos e mal vestidos. Eu estava de férias e o notebook estava ligado no HDMI da TV, eu vi esse vídeo umas 20 vezes, peguei no violão e vi mais algumas vezes tocando junto. Só se tornou realmente um guilty pleasure quando acessei o Facebook e percebi que a maior parte dos meus amigos era hater dessa parada:

A banda mais bonita da cidade, Oração

Day 12 – a song from a band you hate

Não adianta, por mais que eu tente gostar de uma música ou outra pra não dizer à namorada que sou carrancudo demais, lembro que o Jota Quest tem essas pedras gigantes difíceis demais de suportar. Eu detesto o Luan Santana, por exemplo, mas eu não suportaria ser amigo desses caras tendo que comparecer aos show da banda.


Jota Quest, Amor Maior

Day 11 – a song from your favorite band

Talvez não tenha escolhido a mais bonita, mas a que eu mais gosto de cantar, certamente. O Foo Fighters é a banda que eu assisto querendo fazer igual. Como quando você é moleque, assiste os filmes do Van Damme e sai querendo enrolar seus punhos com gaze, cola e cacos de vidro pra bater nos amiguinhos da escola. É difícil escolher uma banda preferida, é toda uma escola de critérios, mas essa é a favorita das favoritas.


Foo Fighters, No way back

day 10 – a song that makes you fall asleep

Explosions in the Sky é certamente a banda mais amiga de seus fãs. Digo por receber umas mensagens do Bandcamp, umas newsletters que parecem endereçadas só pra mim, aquela coisa de amigo, dizendo que a banda dele fez um disco novo e seria legal se você pudesse ouvir. Lembro de uma época que eu dormi várias noites com a trilha sonora de Friday Night Lights. Foi basicamente quando conheci o post rock, essa música instrumental todos chora.

Ocultar postagens na página inicial do Blogger

Pode-se considerar este mais um tutorial destes pra ganhar estatísticas.

Você quer criar uma categoria no seu blogger em que os posts não apareçam na página inicial, certo? Pra não misturar assuntos, ou enfim, por um motivo qualquer que você encontre pra isso. Lembrando sempre que eu não sou um expert nessa merda e só descobri essa forma fuçando blogs, comentários e fóruns do Google. É um hack, uma gambiarra que funcionou pra mim e, caso funcione pra você, espero que seja bem feliz.

Segue os passos:

1º Siga os passos deste tutorial do iceBreaker, trocando apenas a parte do código gigante por este abaixo (inclusive trocando onde se diz ‘MARCADOR’):

<b:if cond=’data:blog.url == data:blog.homepageUrl’>
<b:if cond=’data:post.labels’>
<b:loop values=’data:post.labels’ var=’label’>
<b:if cond=’data:label.name == “MARCADOR”‘>
<b:if cond=’data:post.dateHeader’>
<h2 class=’date-header’><data:post.dateHeader/></h2>
</b:if>
<b:include data=’post’ name=’post’/>
<b:if cond=’data:blog.pageType == “item”‘>
<b:include data=’post’ name=’comments’/>
</b:if>
</b:if>
</b:loop>
</b:if>
<b:else/>
<b:if cond=’data:post.dateHeader’>
<h2 class=’date-header’><data:post.dateHeader/></h2>
</b:if>
<b:include data=’post’ name=’post’/>
<b:if cond=’data:blog.pageType == “item”‘>
<b:include data=’post’ name=’comments’/>
</b:if>
</b:if>

Feito?

2º Essa é a parte da gambiarra. Concluído o passo acima, todos os seus posts vão desaparecer do blog. Então você precisa de um novo marcador para todos os posts que vão aparecer na página inicial. É fácil:

2.1 Vá em editar comentários, insira o marcador (que vc criou) em um dos posts
2.2 Selecione todos os posts, lembrando sempre de selecionar TODOS (!) os posts (você entendeu)

2.3 Em “Ações de marcador” selecione a nova tag que criou.

Pronto, seu blog voltou ao normal.

Agora, pra criar o menu suspenso, bonitinho, é só seguir as instruções desse tutorial do André Felipe. Você pode ainda estilizar seu menu usando esse post da Bloggersphera.

A partir de então, todos os posts que você quer que apareçam na home, você vai ter que utilizar o novo marcador. E para os outros menus, os marcadores que criar. É isso.

Passar bem.

Day 09 – a song that you can dance to

Essa música podia ser colocada em vários dias. Segue-se aqui uma nostalgia que começou com a Karina lembrando a época do Madame, a qual, embora não tenhamos vivido no mesmo período, temos a mesma boa lembrança.

Viva La Revolución, do Adicts eu conheci na época do Hangar 110, quando trabalhava na livraria do shopping Santa Cruz e ia direto pro metrô Armênia, ver bandas que não conhecia, conhecer gente esquisita, alguns de meus melhores amigos hoje e ouvir músicas antes dos shows, de onde tirava uma frase, descobria a banda no Google, buscava no Soulseek e baixava uns discos. Antes de entrar, passava nos dois bares, escolhendo algo nada decente para beber e depois você poderia me encontrar pogueando (ou dançando desajeitado) sozinho, ao som de músicas como essa.


The Adicts, Viva la Revolution

Day 08 – a song that you know all the words to

Eu passei o dia tentando lembrar uma música boa que eu soubesse a letra inteira. Fiquei sem jeito quando descobri que são tão poucas. E aí tentei esmiuçar meu last.fm e nada, nenhuma banda descolada, nenhuma música nostálgica, nada. E então, nove e meia da noite, a lua veio me dizer.

Todo mundo deve saber até os ‘dererere-ê’s.


Katinguelê, Recado à minha amada (só quem é sabe o nome dessa música, hhahahah)

Day 07 – a song that reminds you of a certain event

O filho do Regino tinha acabado de nascer. Eu tinha me desentendido com a Denise, por um motivo bobo qualquer. Estacionei num hotel na parte bonita da Augusta e caminhei até a Paulista, onde encontrei meus amigos naquele bar central com uma porção cadeiras na calçada, gente rindo descontrolada, a gente no caixa tentando fazer o cara entender que eram quatro cervejas e não três. Pensamos trezentas vezes para que lado da Paulista seguir, se para os ricos e aconchegantes pubs da Consolação ou para os lamurientos bares esquecidos nas travessas e ruas paralelas. Fomos até um bar caro, paramos em frente, vimos aquela galera descolada. Não precisou muito para voltarmos sem dizer uma palavra. A gente sabia que não era ali. Acabamos dando a volta. Entramos no carro de um dos amigos do novo pai. Era um japonês chicano, pelo que minhas anotações mentais me permitem lembrar. O apelido era Japa ou algo assim, mas ele parecia ter acabado de sair do filme Marcados pelo sangue, aquele dos Vatos Locos ou ser primo distante de um integrante do Cypress Hill. O carro era desses importados velhos, mas com um som potente, uma gritaria infernal e guitarras na afinação mais baixa do universo. Ele dirigia feito um maluco. Fui na frente, ele ultrapassava os carros como se fugisse de algo, quase bateu em todas as curvas, passou por esses buracos do trânsito que a gente não tem culhões pra entrar. Era um cara experiente, mas eu sempre fico com o pé atrás de quem dirige fumando um baseado conversando e olhando pras pessoas enquanto fala.

Descemos a rua Augusta até sua parte mais feia e superlotada com os piores bares do mundo e as caras mais conhecidas também. Encontramos um antigo conhecido em comum, paramos na frente daquela sinuca velha com um banheiro terrível “não importa onde esteja, é sempre onde tem mais barulho, maior cheiro de bagulho, disso eu me orgulho”, bem podia ser essa a música. Cumprimentei um cara na fila, pedi quatro cervejas. Conversamos na frente do boteco. O Regino agora era pai, seu filho tinha nascido pré-maturo, acelerado como meu amigo. Neste dia aconteceu uma briga perto de nós, um sem fim de bêbados grandiloquentes esbarrando nas pessoas e querendo entrar na confusão. Fiquei com o Cabelo vaiando de longe ‘os pipoca’, como chamamos a trupe dos malandros de ocasião.

O Regino foi embora cedo para o Pro Maitre, encontrar sua garota, já maluca por saber onde ele estava. Eu não a conhecia, a gente nem podia ir visitá-la ou coisa assim. Fiquei pela Augusta com o Cabelo, na esperança de outros amigos que chegariam mais tarde. Já era uma da madrugada, cantávamos o refrão de Grajauex, que tinha acabado de ser lançada e conversávamos sobre rap, sobre livros, sobre a vida. Conheci um cara que se dizia primo do Glauco, disse que estava hospedado na casa do cara até uma semana antes da tragédia toda. Eu acreditava em tudo. Eu tinha acabado de ler Cartas do Yage (diz-se iagé) e fiquei interessadissimo na conversa sobre payote e os rituais todos. Tudo graças ao lubrificante social, a cerveja inocente que tomávamos.

Chegou outro pessoal. O Biu ‘be god’ (Bigode) me passou algumas músicas por bluetooth, uma delas tão absurda que não consigo me lembrar. Conversamos até bater um sono intranquilo. Decidi ir pra casa, me despedi, eles também iriam. Nos cumprimentamos, eles desceram a Augusta, eu ia subir até a Paulista, encontrar meu carro. Logo que comecei a andar lembrei de ter pedido mais duas cervejas e esquecido de pegar. Não vou perder nove reais assim, à toa. Parei na frente do bar e terminei uma, ainda vendo meus amigos descerem a rua. Subi com a outra garrafa na mão, a despeito do dono do bar. Encontrei um mendigo na subida, que me pediu um cigarro. Lhe ofereci a garrafa. Ele agradeceu. Perguntei onde morava, ele acenou, sem saber direito o que responder. Refleti sobre a imbecilidade de se perguntar a um mendigo onde ele mora. Finalmente disse que tinha perdido a família e não quis se estender no assunto. Me cumprimentou com as mãos sujas e eu que já não me importava dei aquele meio abraço, que reservamos aos amigos.

Encontrei meu carro no estacionamento de um hotel na Paulista, cansado de tanto subir a rua. Esperei e gostaria de ter dinheiro suficiente pra dormir ali. Acendi um cigarro e voltei pra casa na ilegalidade. E eu já não me importava.


Criolo, Grajauex – no dia que o Romeo nasceu

day 06 – a song that reminds you of somewhere

Me lembra de Peruíbe, na casa do avô e avó do Wolvs, um amigo de infância, nas férias de 2002. Era a música que tocava no rádio. Nós não tínhamos CDs pra ouvir a não ser uma coleção de fitas de rap do primo dele e uma outra fita com essa música. Nós ouvimos umas 645 vezes, chutando baixo. Me faz lembrar um chão de paralelepípedos, com alguns matos crescendo nas frestas e um passeio de bike até uma espécie de interiorzinho da cidade. Voltamos pro mercado e compramos o último pacote de um biscoito dos Simpsons que nunca mais encontramos de novo. E aprendemos a tocar o riff dessa música exaustivamente durante o processo.


Linkin Park, In the End

day 05 – a song that reminds you of someone

É aqui que eu quebro o protocolo e lanço quatro músicas.

Minha música com a Denise, não tem nem como não lembrar.

Paralamas do Sucesso, Me liga

Acho que não preciso falar essa, heh

Beach Boys, Good Vibrations

Essa eu lembro do meu irmão, o Rodrigo, ou Bigode, como ele quer ser chamado agora. E da vez que ele me fez uma raiva absurda e eu peguei um disco do NOFX e arranhei na parede.

Nofx, Dinosaurs will die

Lembro da Priscila, uma amiga que sofreu um acidente foda em 2007, desses de começar a desacreditar em Deus. Toda vez que ouço esse som é como se ela estivesse do meu lado.

Lucidez, Jorge Aragão

What’s up, doc?

Eu tenho isso com consultas médicas.

Acontece sempre que você está do lado de fora aguardando chamarem seu nome naquelas cadeiras infantis confortáveis esperando que o(a) médico(a) seja ultra paciente com seu problema atual, entenda seu lado, passe a mão na sua cabeça, diga algo parecido com “pois é, eu sei como você se sente”, lhe entregue um pacote de doces no final e diga, “seja um bom menino e tome os remédios, ok?”.

É então que, de dentro da sala, uma voz furiosa ecoa pelos quatro cantos da clínica dizendo seu nome. Ela precisa ser furiosa para ecoar, pois o médico está sozinho lá dentro e o último paciente possivelmente com algum problema de ordem mental deixou a porta quase encostada. E no segundo antes de levantar você pensa porque diabos esses consultórios nunca avaliam a necessidade de sistemas de som e microfones nas salas de consulta. Você não culpa o médico por não ter feito o esforço básico de levantar e ir até a porta. Você não pode culpar alguém com uma voz tão assustadora.

Você também não quer mais entrar no consultório, mas acaba levantando apenas pelo frio na espinha que aquela voz alta, dirigida e ríspida lhe provoca. E no fundo você sabe que não existe uma forma dessa voz alta, ríspida e dirigida lhe acariciar a cabeça dizendo que entende seu problema. Não há outra forma, você vai ter que abrir a porta com um sorriso de esperança e enfiar na cabeça que é tudo o que você tem. Lá dentro, em segundos, vão estar juntos você, seus problemas atuais e a dona de uma intimidadora voz cansada de ouvir problemas menores e indicar xaropes e que certamente não vai lhe dar um pacote de doces quando terminar de escrever a receita.

Nós na fita

Vibe essa do dia dos namorados hein? Dei uns presentes bobos, uma foto, esse tipo de coisa pequena, mas bem significativa, como os presentes de verdade. Tivemos dois dias incríveis no final de semana, sem ‘mas’, sem neuras, só sorrisos, como espero que tenha sido o de todos.

Gravei uma mixtape também. Dessas que a gente pega as músicas marcantes e diz coisas bobas nos intervalos. Nunca tinha gravado uma. Nick Hornby disse algo bonito a respeito de gravar uma mixtape para alguém que você goste, embora eu eu nunca me lembre da citação (e acabei de descobrir que toda a demora para escrever esse post foi baseada na busca dessas aspas):

“I spent hours putting that cassette together. To me, making a tape is like writing a letter, there’s a lot of erasing and rethinking and starting again, and I wanted it to be a good one, because … to be honest, because I hadn’t met anyone as promising as Laura (…)  A good compilation tape, like breaking up, is hard to do. You’ve got to kick off with a corker, to hold the attention (I started with “Got to Get You off My Mind,” but then realized that she might not get any further than track one, side one if I delivered what she wanted straightaway, so I buried it in the middle of side two), and then you’ve got to up it a notch, or cool it a notch, and you can’t have white music and black music together, unless the white music sounds like black music, and you can’t have two tracks by the same artist side by side, unless you’ve done the whole thing in pairs, and… oh, there are loads of rules”
Nick Hornby, Alta Fidelidade, 1995

Só caguei para a regra sobre “música negra” e “música branca”, colocando Criolo e Paralamas do Sucesso no mesmo lado. De resto, as decisões são bem difíceis mesmo. É como ambientar cenas de filmes, da comédia romântica em que a Jenniffer Aniston e o Ashton Kutcher são vocês dois. Daí você tem que lembrar aquelas músicas que vocês ouviam quando tudo começou, as músicas sobre brigas e umas paródias engraçadinhas e as que emocionam em qualquer ocasião. Fechando com meu embaraço ouvindo ao lado dela todas as coisas que gravei no microfone por cima da trilha. Uma timidez quase bonita de se ver.

Os emendadores de piadas

Existem pessoas que se esforçam para fazer parte de grupos, para estar na cópia dos emails da galera, ser convidado em festas de aniversário no Facebook, esse tipo de forçação. E existe essa gente que tenta emendar as piadas. É normal estar com uns amigos no bar e espremer uma piada até que ela deixe de fazer sentido. É quando não há mais de onde tirar criatividade que eu e meus amigos dizemos “ou não” e fica claro que não dá mais pra emendar nada ali. E isso é normal, acabamos dando risada disso depois de tudo. How I met your mother tem algumas esquetes assim.

O humor, né, gente, virou commodity. Você precisa ser engraçado pra ser aceito, pra que as pessoas te vejam como uma pessoa legal. Denúncia: Ninguém que seja absolutamente sério e centrado é visto como uma pessoa legal, atente. Você precisa ser uma espécie de comediante a todo instante para que a vida seja mais fácil, para conhecer pessoas, para conseguir empréstimos no banco ou um chorinho de suco de laranja na padaria. Impressionante dizer, mas os “sérios e centrados” estão no mesmo patamar dos derrotados sociais. Ninguém liga se você é uma boa pessoa se você mantém sua cara fechada. Da mesma forma, ninguém liga se você aparecer como cara de derrotado na padaria, “eu hein? Pra esse aí não tem chorinho não” (“chorinho” e “derrotado” não foi proposital, juro).

Tem esse comercial da Toddy, com um garoto querendo saber uma verdade. Arrisco dizer que é o comercial mais triste dos últimos tempos, embora os personagens vestidos de vaca gargalhem como se fosse realmente engraçado o que estão falando. Depois da pergunta, as vaquinhas dizem que aquela garota que ele gosta pode estar invisível no MSN e ainda mais: pode tê-lo bloqueado. Eu queria que alguém me explicasse em que nível de demência isso pode ser considerado uma piada.

E tem o Rafinha Bastos e aquela piada infeliz sobre órfãos e uma outra sobre mulheres feias estupradas. De um lado os puristas, reclamando que ele não tem direito de dizer, não pode, deve ser preso, acorrentado, enforcado em praça pública. De outro, os admiradores de Nelson Rodrigues, argumentando o óbvio: se fosse vivo nos nossos dias, o anjo pornográfico se mataria. O que não posso entender em todo esse debate é, se você sabe em que ponto de idiotice o tal do Rafinha pode chegar numa piada porque você faz tanta questão de tratá-lo como absurdo apenas quando ele pisa nos seus calos?

Tenho uma posição bastante inofensiva a respeito disso: é preciso deixar o cara falar o que ele bem entender. Mesmo se ele achar o ato de amamentação nojento, ou que pessoas feias precisam ser estupradas ou lembrar os órfãos sobre como é terrível o dia das mães. Se existe um público para isso, Rafinha Bastos é apenas um fruto podre alimentado pelo tempo em que vivemos, é vítima de um auto estupro moral, com lembra o Dimenstein.

Claro, acabei de descobrir, perdi o tino completo desde post. Falava sobre essa gente que emenda piadas. Outro dia assistia um jogo qualquer, quando um dos comentaristas diz algo sobre como o futebol é cheio de surpresas: “bom o cara que fez esse filme futebol, não é?”, ao que Cléber Machado, do alto de sua magnitude complementa “digo mais, deve estar rico hoje!”, rindo naquela vibe de quem conta piadas para si mesmo. É preciso dizer que não há o que complementar se, logo de cara, você não entendeu o espírito. Era sobre isso que falava, acredito.

Day 02 – your least favorite song

Bom, certamente a banda que menos gosto no mundo é o Jota Quest. Coisa de não ir com a cara mesmo. O Lobão fala da falta de paudurescência do Restart e do Fiuk, mas e esses malandros? Podem ter umas músicas bonitinhas, até gosto dos timbres limpos de guitarra, mas esse xoxismo não me entra na cabeça. Essa música que coloquei pra ilustrar é só um exemplo que, além de pau moles, suas letras pecam em contradições menores. O cara diz “não adianta falar de amor ao telefone, isso é ilusão” e no final fala que “a obrigação da sua voz é estar aqui”. A voz já está aí, jovem, via telefone. Talvez fosse melhor trocar a letra por “a obrigação da sua laringe e das suas cordas vocais é estar aqui”. Eu daria um ponto.


Telefone, Jota Quest

Day 01, your favorite song

Este meme é o 30 day song challenge que nasceu no Facebook e achei mais conveniente passar pra cá. Quem estiver numas de entrar nessa, por favor, sinta-se convidado.

Day 01, your favorite song


Foo Fighters, Best of you

Eu lembro do dia que eu aprendi a tocar essa música. De todas as lembranças boas que ela me traz, lembro de colocar no repeat e ouvir até cansar, no carro, voltando do antigo trabalho. E quando assisti aquele DVD ao vivo em Dublin, uma versão cansada, mas que me emociona só de lembrar.

Segue a lista completa pra quem quiser participar deste “desafio” (acredite, alguns dias são bem difíceis):

day 01 – your favorite song
day 02 – your least favorite song
day 03 – a song that makes you happy
day 04 – a song that makes you sad
day 05 – a song that reminds you of someone
day 06 – a song that reminds you of somewhere
day 07 – a song that reminds you of a certain event
day 08 – a song that you know all the words to
day 09 – a song that you can dance to
day 10 – a song that makes you fall asleep
day 11 – a song from your favorite band
day 12 – a song from a band you hate
day 13 – a song that is a guilty pleasure
day 14 – a song that no one would expect you to love
day 15 – a song that describes you
day 16 – a song that you used to love but now hate
day 17 – a song that you hear often on the radio
day 18 – a song that you wish you heard on the radio
day 19 – a song from your favorite album
day 20 – a song that you listen to when you’re angry
day 21 – a song that you listen to when you’re happy
day 22 – a song that you listen to when you’re sad
day 23 – a song that you want to play at your wedding
day 24 – a song that you want to play at your funeral
day 25 – a song that makes you laugh
day 26 – a song that you can play on an instrument
day 27 – a song that you wish you could play
day 28 – a song that makes you feel guilty
day 29 – a song from your childhood
day 30 – your favorite song at this time last year

Starts e atitudes

Eu assistia a Discovery e veio um desses comerciais de programas que são exibidos sábado de noite e ninguém assiste porque, bem, é sábado de noite. Era sobre um cara que frequentava lugares inóspitos da humanidade como tribos indígenas, ou vilarejos isolados na floresta, esse tipo de alucinação.

E o apresentador falava sobre o programa, quando lançou: “é importante conhecer esse mundo que daqui há alguns anos não vai mais existir.”

Comecei a pensar nos meus possíveis filhos. E não sei como, cheguei ao pensamento quase febril de que um dia eles teriam de conviver com esses personagens babacas dos desenhos animados de hoje.

Foi então que tomei essa louvável decisão e acabei baixando 195 episódios de Pica-Pau de 1940 a 1972 e as cinco temporadas dubladas da Liga da Justiça.

Porque, né, nego entra na minha mente com uma frase e espera que eu salve a humanidade?

Vida de Sitcom S01E01, “As neo senhoras”

[claquete, cena 1, neo senhoras no metrô]

Voltava do trabalho no metrô, sentado bem verão (e apostando que ‘bem verão’, essa gíria do meu amigo Nebi, um dia vai pegar) ao lado de duas neo senhoras que conversavam sobre seus maridos e me forçaram a abandonar a leitura como se eu tivesse que prestar atenção no que diziam.

Falavam dos seus respeitáveis cavalheiros. Juro que tentei dormir durante o processo e não ouvir a conversa, mas não era possível, dado o nível de ruído que as duas produziam. Reclamavam de como eles eram rudes, de como se portavam, de suas roupas:

– Outro dia ele veio caquelas bermudas jeans, ele tem um monte, mas menina, são aquelas que vão até as canela (olha a apostila fazendo sentido aí, amigos)
– Jura? Ah, o meu também!
– É, mas vai até lá embaixo, eu digo pra ele que quem usa essas coisas são aqueles manos com aquelas calças largas…

[primeiro olhar de canto de olho para mim]

Nesse momento, a neo senhora que falava percebeu que eu era uma dessas pessoas que usam calças largas e, em segundos, tranquilamente tentou reverter a situação:

-…e que usam aquelas botas grandes, sabe!?

[segundo olhar de canto de olho pra mim]

Preciso dizer que eu também estava de botas ou fica implícito?

[risadas aqui]
[corta]

Goodfellas, gifs dos wiseguys

Sem perceber, acabei assistindo na sequência Campo dos Sonhos (1989) e Os Bons Companheiros (1990), ambos com Ray Liotta e ambos clássicos (pelo menos pra mim).

Uma parada que não se entende de Goodfellas é como o Ray Liotta moleque conhece o Robert de Niro já velho e depois que cresce o ultrapassa na velhice.

Mas o filme é sensacional.


‘never rat on your friends and always keep your mouth shut.’

Olá, Vanguarda

“E essa parte eu já vi outra vez eu não me comportei, tudo bem, vou partir, sou um lixo eu sei. Será que foi você que mudou ou eu que nunca mudei?”

 Olá, vanguarda by chuvanegra

Sabe aqueles dias que qualquer coisa que você lê, assiste ou ouve parece estar falando diretamente do seu problema? É uma espécie de mutação da Síndrome de trilha Sonora, uma teoria, agora, multimídia.

*o player do soundcloud demora pra aparecer.

O homeoffice moleque e os amores brutos

Então tive de tomar algumas medidas para a ordem e para trabalhar de verdade não ficar naquelas ‘vou ver o Chaves e depois termino esse texto’: mantive o crachá no peito até a hora de ‘ir embora’ e o notebook ligado em horário integral(mesmo com o MSN invisível).

Ah, a possibilidade de trabalhar debaixo do cobertor!

Trabalhei bem, fiz o possível e o impossível, cacei códigos fonte, me virei com as imagens pequenas e meu photoshop ilegal. Terminei relativamente cedo, às 21h. Dava tempo de escrever meu aritgo já quase atrasado pro Per Raps. E então, 11 horas da noite, a Denise diz que vai sair tarde e que eu preciso buscá-la no trabalho.

Eu fico puto, grito petulância aos ventos, falo aos montes, pretendo criticar a empresa dela e dizer que está começando a me afetar e quero morrer quando ela diz que é a última vez que acontece. Daí quando a encontro não consigo manter nem metade do mau humor, dou risada e esqueço de tudo como se nada de ruim estivesse realmente acontecendo.

Isso, amigos, é amor bagarai.

(imagem via Wears heart on sleeve)

Cidades para Pessoas

Ontem, como um patrocínio da greve da CPTM, trabalhei em home office (obrigado, internet, abs), tudo depois de uma ingênua e mal sucedida tentativa de me locomover até a empresa de ônibus. Numa conversa no MSN sobre o medo da quarta temporada de Breaking Bad ser a última, o amigo Fábio sugeriu que eu tivesse vindo de bike, mas pelo jeito até a ciclovia estava de greve (e eu consegui imaginar os seguranças me barrando, ‘não, não vai entrar, tá fechado, não dá, não pode’, ‘mas amigo, não é pra pegar trem, amigo, olha a bicileta aqui’, ‘não dá, não dá!’). Tudo isso, claro, num mundo ideal em que eu tivesse uma bicicleta.
E aí, trabalhando com o SPTV ligado, passa uma matéria sobre o prefeito de Copenhague que saiu por aí bem verão com a reportagem da Globo tentando usar a faixa reservada para bicicletas, ficou com medo e tal, reação bem normal pra quem vive numa cidade que tem 350km de faixas reservadas aos ciclistas. E o Kassab, inovador como sempre (NOT), está reservando uma faixa de trânsito exclusiva para quem tem duas pessoas ou mais no carro.

Deu pra notar uma atenção maior ao trânsito, agora que estamos quase entrando num colapso com tantos carros na cidade. É um debate muito grande, envolve economia, cultura local, não mexer com os pequenos culhões da classe média, essas coisas grandes e confusas. Mas que está perturbando a vida na cidade, isso já deu pra sacar.

Embora os ciclistas sejam tão chatos quanto vegetarianos e essa galera que usa mac segundo o e001, inovar é muito mais que começar a pensar em abrir as faixas reservadas a bicicletas durante a semana. Se o trânsito de São Paulo tem solução, não sei, mas tem gente bem interessada em descobrir.

Em defesa do Bullying Pedagógico

Não sou muito afeito a comentar assuntos mais polêmicos, principalmente os que estão na moda, nas revistas, no Fantástico etc. Gosto de deixar cansar na TV e então talvez procurar alguma coisa no Observatório da Imprensa. Nunca comentar, nunca.

Aí, o Bullying.

Gente falando que era menosprezado na escola porque tinha orelhas grandes, era gordo, usava óculos, era nerd, era negro, usava roupas baratas e de doação. Aquele hit do menino jogando o outro no chão foi um estopim que criou para cada um de nós uma carapuça e um convite para participar dessa rede de derrotados que deram a volta por cima e oh, olha só, vivem felizes, todos esses anos depois.

O que ninguém consegue ver nessa parada toda é que esse tipo de bullying é mais pedagógico do que traumatizante. Quando se chama o gordo de Bola, o orelhudo de Dumbo, a menina de sardenta, o tempo acaba criando uma capa natural de resistência, como o calejar de um osso que deixa de doer depois que você passa suas tardes dando chutes no coqueiro (isso é de um filme do Van Damme, alguém lembra?).

É assim que a gente cresce. É assim que o gordo começa a se aceitar como ser humano como todos os outros porque, diabos, dar ouvidos a esse monte de moleques é estupidez.

Estava eu outro dia, no aniversário do Fernam, aqui pelo bairro. Alguns moleques de 12, 13 anos, provocando os mais velhos, naquele velho estilo de falar merda e sair correndo. Até o mais velho se irritar, ir atrás, rasgar a cueca do moleque, colocar ele no porta mala do carro e cogitar a hipótese de amarrá-lo pelado no poste durante uma madrugada fria de maio (eu sei, um pouco demais, essa última não rolou).

Esse moleque vai crescer e vai aprender que existem algumas linhas que ele não pode ultrapassar, algumas regras que ele precisa seguir e que se xingar o pai do dono da festa e sair correndo ele pode voltar para casa sem cuecas. E vai passar o “ensinamento” pra frente, essa coisa bonita que vai fazer ele correr atrás de moleques mais jovens e tão folgados quando tiver 24 ou 25 anos.

Não trato aqui da coisa mais séria, porque bullying existe, sim, gente com problemas sérios de aceitação social que pode se estender pro futuro. Elas podem superar através desse caráter pedagógico, embora seja mais difícil se aceitar como quando o problema é mais do que uma orelha de abano, uma barriga grande ou as roupas que você ganhou na igreja. E, acredite, existem problemas bem piores, como você pode imaginar.

Todos precisamos de um chute na bunda. Afinal, a vida não é fácil. Acredito ainda que se houvesse um indivíduo no mundo completamente perfeito para nossos padrões sociais e não tivesse ouvido ou sofrido brincadeiras de mal gosto, seu desenvolvimento teria algumas lacunas que nada além da euforia diabólica de crianças cruéis poderia substituir.