Day 17 – a song that you hear often on the radio

A coisa mais impossível da minha vida atual é ouvir rádio. A não ser algumas transmissões de futebol com o Nilson César ou algumas poucas vezes com a Denise, indo pra praia, quando eu esqueço de selecionar bem os discos do pendrive.

Aí, toda aquela patacoada de sempre, remix de remixes, mashup de mashupes (Chupa, Equador!) e uma infinidade de locutores com vozes felizes, bem, vocês sabem. E procuro entender como a Denise tem tanto tempo para conhecer as letras de todas as músicas que tocam no dial.

E tem essa música do David Guetta e da Rihanna (isso eu só descobri agora, sério) que toca às vezes e para a qual eu reinventei o refrão para “desta vida bem vivida, desta vida quem não gosta… Who’s that chick, who’s that chick?”, Cognatas style. Não perguntem.


David Guetta & Rihanna, Who’s that chick?

Day 16 – a song that you used to love but now hate

Passei dias pensando nessa. E então cheguei a conclusão do quanto é difícil odiar uma música que alguma vez você já amou. É como trazer de volta uma época e, por mais que você não sinta o mesmo que te fez ficar olhando pro teto feito besta anos atrás, mesmo aquela lembrança pueril carrega em si alguma ternura.

Então deixo aqui uma música da qual já comecei a ouvir bem adolescente e que só não ouço mais todo dia. De uma época em que eu mataria qualquer viajante do tempo dizendo que anos mais tarde o Chorão escreveria que “azul é a cor da parede da casa de Deus”.


Charlie Brown Jr, Essa é por quem ficou pra trás
(clique no botão do youtube no player pra ouvir)

Pra provar todo esse mimimi da ternura daquilo que você ouvia 10 anos atrás, procurando alguma do Charlie Brown Jr. pra “dar o exemplo”, acabei criando uma lista de reprodução chamada ‘Charlie Brown Jr, Essencial’, me processem.

Day 15 – a song that describes you

Eu relutei muito antes de conhecer Los Hermanos. É uma parada dessas que tem data certa pra acontecer. Se eu tivesse ouvido seis anos atrás, a banda não teria o mesmo impacto, o mesmo sentido, sabe? Conheço há bem pouco tempo e desde então somos amigos de infância. Lembro de ter ouvido ‘De onde vem a calma’ repetidas vezes até me convencer de que realmente era outra pessoa que havia escrito aquilo e não uma versão minha num dia triste.

‘É o mundo que anda hostil, o mundo todo é hostil’


De onde vem a calma, Los Hermanos

Pensando no superlativo

A primeira vez que fui trabalhar numa empresa, estava com frio na barriga sobre o que deveria dizer, ou me portar, os sorrisos certos, conhecer pessoas, manter alguns laços iniciais de amizade para serem lembrados depois com alguma ternura. E fui trabalhar. Lembro que tive de ler um manual de vendas de sei lá, 350 páginas, cheio de ilustrações e com textos corridos muito bobos. Terminei antes do almoço e tive que reler. Terminei às três horas e depois repassei todos os pontos até o horário de ir embora.

Cheguei em casa bem feliz, meus pais me receberam com alegria, eu contei meu dia, falei sobre as pessoas, sobre como a gerente parecia rica, mas também parecia uma pessoa muito simples. Jantei e fui dormir. O primeiro pensamento do dia seguinte foi: “caramba, não tinha pensado que seria todo dia”.

***

Marquei mentalmente São Bernardo do Campo como a cidade do Subway. Não sei se foi alguma sorte do meu caminho, mas em meia hora dentro da cidade eu vi dois Subways de rua e uma placa gigante sobre outro.

Peguei um freela itinerante de final de semana que se resume em digitar contratos imobiliários com atenção naqueles stands de venda com apartamentos decorados. Essa é a parte que eles avisaram durante o treinamento. Não disseram sobre uma pequena sala cheia de gente rindo alto, sobre trabalhar em meia baia com sinal de rede oscilante, numa cadeira de plástico dessas de boteco, mas principalmente, não falaram sobre o gordinho espaçoso que sentaria ao meu lado com um arsenal de piadas batidas sobre o Rogério Ceni que ele repetia em voz alta para cada um que entrava. Calcule.

Dá pra levar, é de vez em quando e rola um pagamento honesto. Era isso ou montar uma lojinha online aqui no blog (nota mental 1: a idéia não foi de todo descartada) pra vender meus CDs, DVDs e artigos inutilizados do armário (nota mental 2: não os livros, nunca os livros).

Eu queria poder dizer que foi legal estar trabalhando no sábado, afinal, eu procurava uma parada exatamente como essa pra recobrar a ordem financeira da minha conta bancária. Mas a gente sempre acaba achando um jeito de pensar na vida de um jeito superlativo que acaba ferrando tudo. Quero dizer que, estamos ali trabalhando amarradões, quando entre um contrato e outro eu penso que não me via aos 27 anos de idade tendo que fazer um bico desse pra que as coisas pudessem voltar ao normal. As coisas já eram normais, fui eu que deixei elas se esculhambarem ladeira abaixo. Mesmo assim eu descobri que não consigo lidar muito bem com o fato de ter outra obrigação da qual dependo dessa forma.

Claro que é exagerar um pouco as coisas, mas é como pensei outro dia, enquanto esperava a marmita esquentar e vi alguns amigos voltando do restaurante. De todos os futuros que previ, em nenhum deles estava ainda estar morando com meus pais e tendo que me esforçar tanto pra terminar de pagar um carro; nem que eu estaria feliz com a possibilidade de escrever textos de 7000 caracteres por R$ 30,00 (é, eu já desisti da idéia), nem que fosse esperar a marmita esquentar enquanto lia alguma coisa na cozinha.

Um trabalho pode ser algo que você adore fazer, mas nem sempre vai ser assim. E digo que se amanhã você não está muito afim, isso quer dizer que você não adora seu trabalho tanto assim, certo? Você pode não reclamar das suas tarefas e correr pra que tudo dê certo no final do dia, mas nada disso caracteriza adoração. E talvez por isso nunca estaremos satisfeitos com nada do que vier. Mesmo um alto salário, uma dose exagerada de independência ou uma cartela de bons benefícios podem te fazer olhar à sua volta e pensar sua vida no superlativo.