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Pádua

Trago comigo pouca coisa dos tempos de escola. Pelo menos disso tudo que está às vistas. Sei do fator de formação que a escola exerce sobre cada um, descobri isso com o tempo, todo mundo acaba descobrindo. Aquelas bases de conhecimento que de tão perdidas no tempo parece que nasceram com você.

O maior ensinamento que tive na escola veio com o professor Pádua, de física, em sua última aula de 2001, a qual ele encerrou cinco minutos antes do horário usual após uma explicação qualquer e começou um discurso simples, destinado аs crianças que éramos, sobre como dali pra frente as coisas iriam mudar entre nós. Sobre o tempo em que você demoraria até encontrar algumas pessoas cuja convivência havia sido rigorosamente diária durante todos aqueles anos. Disse algo sobre a possibilidade de ainda estarmos ligados no ano seguinte, mas e em cinco, em dez? Lembro das meninas chorando e do arrepio na espinha que deu quando ele terminou a aula da maneira sempre eventual, numa frase que agora não me lembro.

A grande lição que um dia temos de aprender é a de que as coisas mudam e você tem de abrir mão. Nem todos os amigos são como aquele meu último boneco Comandos em Ação guardado no meu baú de tesouros, com as pernas descoladas do tronco, preservando ainda um sorriso no rosto intacto, felicidade que o tempo não teve capacidade de alterar
.
Alguns amigos ainda estão por aí, aceitando quem somos e o que nos tornamos depois de toda aquela euforia dos nossos primeiros anos de amizade.

Minha única tristeza no momento é que este texto trata exatamente daqueles que se vão por opiniões diferentes, por posturas opostas, pois não fazem mais parte da nossa vida, para evitar problemas futuros, para desfazer as lembranças que trazem, enfim.

Passei a semana inteira pensando em como escrever sobre esse meu amigo que decidiu essa semana que não éramos mais amigos, por divergências de maturidade. Pra resumir essa parada e não transformar esse blog num diário my sweet sixteen, diria que achei uma decisão injusta, talvez necessária, embora essencialmente injusta.

E lembrar do Pádua, meu eterno professor de física, me trouxe de volta a sensação do LOST, de que vivemos juntos e morremos sozinhos. Embora possamos ainda encontrar uma saída menos frustrante a cada pequeno revés da nossa existência para que talvez essa fração da realidade nos fortaleça um pouco mais.

Vou começar consertando meu Comandos em Ação.

  1. Essa pra mim de “não quero mais ser seu amigo” é nova, então quer dizer que pessoas tratam amizades como relacionamentos hoje em dia? Em um dia está bom, no outro não, então rompe-se o envolvimento. Triste. Mas enfim, vim aqui apenas pra dizer: “Antes só, do que mal acompanhado”. Think about it!

    E belo post, me fez repensar por um tempão as épocas do colégio.

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