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O Capitalista Radical, uma introdução concisa

O capitalista radical é um personagem efêmero, que se mistura ao proletariado das grandes capitais com ares de superioridade e vagueia de terno Armani linha 97-98′ nas veias abertas da Vila Olimpia durante o horário comercial, embora não tenha escritório neste conglomerado executivo da cidade de São Paulo, ele quer passar essa imagem de gente séria e compromissada com uma pasta que contém apenas um bloco de sulfite e um pão com mortadela que ele come no banheiro com receio de expor suas próprias mazelas.

Com dois braços esquerdos – fruto de um implante bem sucedido, embora completamente errado por um acidente enquanto tentava ensinar os sobrinhos de sete anos a usar uma metralhadora – ironicamente ele vê esquerda em tudo, critica as minorias, salienta seu apreço pela família brasileira, pelo homem de bem e janta no Terraço Itália a cada semestre para compartilhar fotos e reviews na rede social do momento.

Nosso intrépido capitalista radical vive de renda – embora ninguém saiba qual a procedência de seu dinheiro -, coleciona escapulários católicos e moedas de diversos países e não se contenta em apenas passar a imagem de politicamente correto, curte assinar a Veja e tem uma foto do Reinaldo Azevedo no seu armário da Runner ao lado de um santinho do Eike Batista fazendo thumbs up.

Entretanto, nosso personagem ainda sabe como se divertir e gosta de pregar peças em mendigos distribuindo a eles alguns itens repetidos da sua coleção de moedas de outros países. Cômico. Imortal. Épico. É o nosso grande coordenador da classe média, nosso ícone de bom gosto, um sommelier do anticarinho ao povo.

(proj. @bigblackbastard, @bravodimas, @danielbranco e @kustela – este último serve de inspiração também)