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Just when I thought I was out, they pull me back in

God Bless America é uma paródia sobre a vida (senta que lá vem spoiler, se não assistiu, prossiga por sua conta e risco). O filme conta a história de um cara que foi impulsionado a se declarar agressivamente contra a sociedade matando ícones pop da moda: apresentadores polêmicos, estrelas teen de programas juvenis, em determinado momento ele assassina até o Lucas Celebridade do enredo.

Acontece que era um cidadão comum, com um trabalho comum e uma família despedaçada, embora comum. Ter absorvido a mediocridade materialista de sua filha pequena, o fato de ter sido demitido do emprego por uma denúnica de assédio feita por uma moça a quem ele havia entregado flores; e, por fim, descoberto um tumor no cérebro foi o gatilho principal para que ele se transformasse num assassino em série (e depois encontrado uma menina, essa sim, psicopata por natureza, para lhe acompanhar).

A fábula é tão boa que, embora ele esteja matando pessoas que estão fazendo do mundo uma porcaria, ninguém se dá conta disso. A mídia diz algo sobre o esquadrão de Bin Laden quando ele mata o Reinaldo Azevedo da história. Ninguém está preparado para alguém que quer apenas eliminar do mundo todo esse chorume.

No fundo, é basicamente a mesma ideia de Breaking Bad e do Michael Corleone no Poderoso Chefão III. Um cara tentando fazer a coisa certa e sendo pressionado pra dentro de um outro universo.

God Bless America fala sobre o cara que está tentando se segurar contra toda a avalanche de vizinhos bizarros, empregos sem sentido e conversas sobre nada em absoluto. Ele está tentando fazer a coisa certa, se mantendo firme e achando todo aquele mundo simplesmente muito escroto. Interessante o trecho quando lhe perguntam se ele não assiste o “American Idol” porque se acha bom demais para o programa e ele responde: “sim, me acho bom demais para um karaokê de pessoas sem talento”.

O filme, acima de tudo, traz à tona aquela velha expressão que em linguagem do orkut se diz “bonzinho só se fode” – frase que em 2005 vinha sempre acompanhada de uma belíssima ilustração de um menino com um balão e flores e uma menina ao fundo saindo com um cara num carro conversível, tudo em preto e branco. Não, melhor! Só o balão e as flores com cores vivas, pra dar aquele contraste necessário – e no fundo a frase/moral diz sobre como ser uma boa pessoa é, ao mesmo tempo, dar o aval pra que aproveitadores façam o seu trabalho.

Claro que ser um cara meio troxa pro mundo não lhe dá exatamente o direito de escolher astros pop detestáveis para assassinar ou mesmo produzir e vender metanfetamina no seu bairro, mas taí algo a se pensar.

Dá pra absorver bastante dessa moral toda. Do quanto você se entrega e está disponível a ajudar pessoas que não estão dando a mínima. E, caso você tenha todo esse coração cristão que este que vos escreve herdou da família, você pode até pensar que a maldade alheia é impensada, desproposital. Sim, pode acontecer. De qualquer maneira, o que vai ser pra sempre proposital é o fato de alguém que tenha lhe apunhalado pelas costas em nenhum momento estava pensando em como você ia se sentir.

E ainda vai ligar no seu celular pedindo dinheiro pro cigarro.

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Era pra ser uma resenha, mas acabou sendo um ótimo post pro Cantinho da Indireta, não acham?