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Um copo

Eu sentei de frente pra ela e na mesa de canto do Charm, ouvindo com atenção sobre algum feito de alguma pessoa que ela conhecia, que ela sempre contava. Uma Skol, dois copos. Continuava atento às palavras e tentava conversar de volta até o garçom deixar na mesa aquela garrafa e um copo de cada lado.

Enchemos, brindamos. Na metade do primeiro copo a voz dela começou a abaixar e minhas mãos começaram a tremer. Olhei pra rua sem ouvir muito bem os sons dos carros, as pessoas, de repente, tudo ficava mudo e só conseguia olhar os copos, com os olhos baixos e perdido num mundo em que só aquilo fazia sentido, por algum motivo.

Passou.

E daquele momento em diante eu soube que em algum tempo, no Charm, só haveria o meu copo na mesa.

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