in jives, mochileiro, nômade, vida real

Espere

Deixei para trás uma época estranha. Parei de escrever por estar depressivo demais, por estar meio doente demais (e comemoro escrever “doente” por ser uma das palavras que deixei para trás também). Escrevo de minha casa, de um lugar escondido, como sempre foi, no fundo. De um lugar lindo, como é, essencialmente. Estou bem. Bem demais, por assim dizer. Alguém sempre me dizia pra não compartilhar a felicidade por ser alvo fácil de mau olhado (ainda tem hífen? hífen tem acento ainda?). Agora eu estou escrevendo de uma ilha, de um resort pessoal. Nada demais, não me entendam errado. Eu só queria agradecer por estar tão empolgado e bem comigo mesmo. Por saber que algumas coisas não voltam. Por saber que vou estar aqui, não livre, mas liberto de alguma forma.

Passei a enxergar. Talvez seja a idade. Passei a ver quem fala por falar, quem está realmente me dizendo algo de coração. Passei a acreditar no final do ônibus, no porteiro gente boa com sotaque de quem sempre morou aqui. Passei a acreditar que as coisas passam e que a gente precisa esperar. Passei a acreditar em mim sem precisar de ninguém pra me dizer isso.

Continuo escrevendo textos em primeira pessoa, essa autobiografia dos meus anos 20, mas parece que agora sei por onde ir. É como se tivesse andando pela galáxia escondido num almoxarifado de uma nave vogon até chegar aonde realmente deveria estar. E saí  sabendo que era aqui onde tudo deveria acontecer, onde a vida vai me levar por caminhos cada vez mais cheios dessa empolgação que tenho agora no coração.

Me desculpem toda essa ausência.
Estive longe por um tempo.

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