in futuro

do futuro só Deus sabbath

A última semana de 2015 foi uma parada de filme. Uma espécie de “Esqueceram de mim”, mas sem toda aquela parte sobre gente tentando entrar na sua casa e você colocando tacos de baseball pendurados na porta. Foi tipo o começo do filme, Macaulay Culkin deitado na cama dos pais assistindo desenhos na tela grande e comendo um pote de sorvete. Dez dias seguidos. Da mais pura e honesta vagabundagem da alma. De beber e fumar descontroladamente e sem critérios. De assistir todos os Porta dos Fundos dos últmos 11 meses (tá bom, mas tá ruim). De ver Avengers, Terminator, Mad Max, X-Men Dias de um futuro esquecido, esse filmes que os “nerds” de hoje tanto reclamam. Ser nerd, no cenário atual, significa manjar tanto de histórias em quadrinhos e passar a detestar qualquer filme, Marvel ou DC, criar um vlog e falar que o diretor, ou o roteirista, ou o cara do 3D podiam ter feito melhor. Ser nerd, no cenário atual (ando curtindo essas frases que soam de um jeito babaca), é ser presunçoso o suficiente para ter ressalvas sobre tudo o que o universo cultural “nerd” produz de novo.

Enfim, dez dias dessa merda.

Grace Gianoukas, em entrevista pro João Gordo, disse uma das coisas mais importantes que ouvi no ano passado. Sobre todo mundo ser um pouco estranho. A gente sabe quem a gente é, mas viver esse personagem social que convive bem com as pessoas, que ouve problemas, que dá conselhos, que faz piadas e ri junto das pequenas misérias. E, ao mesmo tempo, ao chegar em casa, despido de todo compromisso social, escondidos em nossas caixinhas, temos nossos medos, angústias, nossas batalhas pessoais, nossos traumas. Acho que viver uma semana nessa caixinha fez revigorar uma parte de mim esquecida e essa foi a melhor forma de fechar o ano de um jeito honesto e cheio de gratidão.

Claro que no domingo eu já havia acordado 13h e fui dormir só às 2h30 pra acordar às 5h de hoje e sair correndo pro ponto de ônibus morrendo de sono. Claro que as pessoas do escritório continuam exatamente a mesma coisa, com os mesmos embates e as mesmas ideias, as mesmas conversas desinteressantes com pequenas exceções. Claro que o barulho das teclas segue exaustivo, te fazendo se sentir no clipe de “Do the evolution”. Claro que o netflix vai continuar sendo o site mais acessado da empresa.

Claro que eu não sei até onde vai isso aqui.