in trabalho

Todos os palácios são temporários

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Eu entro de manhã no escritório. Duas ou três pessoas já assistindo episódios do Masterchef da última temporada, ou lendo listas de gifs no buzzfeed. Quando o computador dá as graças de mostrar meu desktop pela primeira vez no dia, a frase do título é a primeira coisa que leio pela manhã. A frase no meu desktop, retirada de uma curadoria de badtrip qualquer, no tumblr. Eu sei exatamente o que ela quer dizer. Que tudo vai passar. É aquela coisa de “o sofrimento vai passar, é só uma fase”, mas aplicada nas vitórias também. Por mais incrível que seja a sua história, ela vai acabar e você será esquecido. Aquilo pelo qual você vai se dedicar, o projeto da sua vida, é bem possível que seja apenas poeira na segunda camada do inconsciente de alguém em alguns anos.

É nessa vibe que começo meu dia, juro procê.

A rotina é uma parada angustiante. Eu estava sem trampo, desempregado, em casa. Desesperado vendo contas chegando, enquanto o sono não surgia (novo livro de Zibia Gasparetto – mentira). E então encontro um emprego que pagava arrazoadamente (que bela palavra, Aleks, sério). Aceito uma rotina maluca e digo de frente pro espelho que não tem mais molecagem, que daquela vez, foi a última vez que você fez merda num trampo. Que agora você sabe o que é ficar pra trás. Aquela foi a última vez que você desistiu das coisas aos pouquinhos e acabou decepcionando todo mundo. Afinal, a estação é perto daqui, uma hora de trem e metrô é fácil, mais uma hora e meia dormindo no fretado, sussa também. Dá pra ler uns livros. É o seu preço a pagar.

(Zibia Gasparetto começou um novo livro no momento em que eu escrevia este parágrafo).

E então, passam dois anos.
DOIS CARAL&%$# DE ANOS.

Eu lembro exatamente do dia em que entrei na empresa em que trabalho hoje. Lembro das palavras. Exatamente como aquele meme do “vai ser legal, eles disseram”. Foi legal, mas passou. Uma onda que passou e eu estou dropando sem saber aonde ela acaba. Sem contar a frustração de acordar cedo ou a dor do almoço numa mesinha imprópria, as coisas precisam mudar por aqui.

Meus últimos suspiros estão sendo dados em busca de fazer tudo do jeito certo. Em busca do não-mentir-sobre-consultas-médicas-pra-ir-em-entrevistas, sabe. Se existe um grande problema nisso tudo é que as coisas não mudaram o tanto que me disseram que elas iam mudar. As empresas estão o tempo todo mentindo sobre o quanto você é fundamental, quando no fundo você é só um parafuso soltando aos poucos. E eles sabem disso. Só estão fazendo um mind game pra te manter controladinho, com as planilhas abertas e o computador travando meticulosamente a cada vídeo da Jout Jout.

Não tem final.
Ainda.