in depre

ou não venha

Calma.
Respira.
Reescreve.

Meus processos de composição de coisas em geral precisam ser assim, ultimamente. Caso contrário vou acabar atacando firmemente pessoas e ideias, ou vou apenas dramatizar ao extremo situações banais que não mereceriam a menor atenção. Então eu acalmo. Deleto tudo, ainda que tenha escrito o maior excerto publicado em um blog pessoal nos últimos dezesseis anos. Respiro pra lembrar que já estive lá, sei como é a sensação de não pertencer, sei que ela continua e, se eu tiver paciência, ela acaba indo embora, dando lugar a uma frustração maior e talvez até mais difícil de lidar, se você olhar com carinho.

Aí volto a escrever.

Meu momento atual requer um cuidado especial. Da última vez em que estive nessa, eu dormi na rua da pior forma possível, preocupei a família, fui ofensivo com pessoas que não mereciam e receberam seus devidos pedidos de desculpas (embora a culpa fique para sempre). Bebi demais, estraguei momentos da minha vida que não deveriam ter sido trocados pela leveza extraordinária de uma garrafa de whisky de 9,90 misturada com guaraná convenção.

Eu só não consigo lidar mesmo de cara limpa, com o peito aberto e talvez seja só isso que me falte. Voltar a olhar o dia como algo útil para brincar com meus gatos, pra ver o sol nascer e se pôr, ao invés de olhar meu celular a cada dois minutos em busca de uma mensagem que resolva completamente a minha vida, que me conforte e me reconcilie com o universo.

As mensagens não vão chegar.

E este nem é o maior excerto publicado em um blog pessoal nos últimos dezesseis anos.