Staying alive was no jive

Um ano

Eu todos os dias acordo pensando que a gente não devia estar aqui nessa cidade, com essas pessoas, com esse trânsito e essa insensatez. Eu não devia estar escrevendo slogans e replicando identidades visuais de marcas milionárias, nem pensando na hora de voltar pra casa. As duas horas que tenho pros meus gatos, os 30 minutos que tenho pra decidir entre fazer alguma janta ou dormir com fome esperança de dias melhores.

Todo o meu tempo feito de horários curtos.
De prazos.
De novelas que não pedi pra estrelar
Problemas que não cogitei um dia ter.

Ontem eu voltei com uma crise de ansiedade, viajando 4 municípios até o escadão que dá pra minha casa. Esqueci os carros particulares, eu precisava caminhar. Esqueci, porque tinha muito o que relembrar.

Todos os dias daqui em diante, uma voz vai ecoar na minha cabeça dizendo: “você não tem nada”.

E por mais que eu não acredite que ter é mais importante que ser, me relacionar com o mundo dos outros vai fazer essa autocomparação, vai massacrar o que eu já nem tenho.

Se existe um ano de inferno astral, este é certamente o meu.

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