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2017

Esse ano foi certamente o que eu menos escrevi em toda a vida deste blog. Tive motivos e se você der uma lida nos últimos posts, vai entender que não foi lá muito fácil (o que aprendi todos esses anos é que poucas vezes foi fácil também).

2017 foi o ano em que eu estourei meu tornozelo e fiquei 4 meses em casa, o que foi ótimo no começo e depois se tornou um martírio foda com falta de dinheiro até pras necessidades básicas de casa do tipo “vou lavar menos roupa esse mês pra não ter que comprar outro sabão em pó”.

Sem contar lidar com o fato de que muito possivelmente não vou poder voltar a jogar basquete nunca mais. Não que eu fosse um jogador frequente, mas saber que podia jogar quando quisesse era uma espécie de constante em que eu poderia sempre voltar.

Depois teve o mês em que eu toquei bêbado no Feeling errando músicas que tocava praticamente todo final de semana e tive de lidar com a culpa de tocar na festa de um amigo e ter cagado tudo, ter feito minha melhor amiga se sentir mal e ter feito o meu melhor projeto musical até hoje ter parado de repente por minha causa.

Tá foda? Tá, mas tem mais.

No mesmo dia eu dormi no volante e arrebentei o carro na traseira de uma perua. Dá pra ler uns 3 posts atrás o texto excitante no qual escrevo a sensação de ter feito possivelmente a pior cagada da vida adulta, portanto não vou me alongar muito nesse assunto, deixando apenas o evidente: foi sim uma merda completa.

Depois da épica jornada para voltar ao trabalho, enfim voltei. Tive a esperança de que todos estariam contentes em me ver, mas aconteceu que demorou uns meses e algumas conversas até me sentir ok novamente no lugar.

Conheci Kakau, minha amiga desde 2002. Ela conheceu alguns de meus amigos também. Aprendemos juntos que somos mestres em tomar decisões erradas na vida e vivemos perigosamente como adolescentes depois dos 30.

A banda começou a dar problemas que dava pra ver que iam desaguar em choro e desapontamentos, mas eu fui levando até onde deu (e acho que pra mim chegou num limite foda quando me vi perdendo o casamento do Leo por conta de um show no litoral, o qual me fez chegar em casa de manhã e perder a cerimônia, que era bem cedo).

Voltei a namorar com a Mari, para encher baldes de choro das inimigas o que tem sido o lado de aprendizado da vida que é construtivo e me dá uma certa esperança para o futuro, note que eu digo “certa” porque vocês imaginam como esta cabeça funciona.

Em outubro pedi demissão da agência, depois de muito refletir sobre o fato de demorar duas horas e meia de transporte coletivo para chegar no escritório e sentar em frente a um computador para preencher uma planilha. Sério, gente, home office: deixem de lado esse baixo astral e pensem sobre o assunto.

Claro que eu saí de lá com um plano: ser Uber driver nos meses em que ficasse desempregado. O que deu certo em novembro e cagou em dezembro, por motivos que não sei bem explicar, embora eu deva voltar em breve.

Portanto, 2017 foi um ano complicado em muitos níveis. O ano em que me desfiz de coisas demais, mas não o suficiente pras pessoas começarem a perguntar se estou mal. Esse desapego dos meus pertences tem sim muito a ver com algo mais profundo e melancólico com aquele pé na depressão que a gente não tira por pura birra.

Que 2018 seja um ano de passar a vassoura na casa e renascer. De novo.