31

Acordei no dia 25 com uma música na cabeça. Não era uma música de um disco, nem com link no youtube pra deixar o post mais bonito. Era uma música que marquinhos escreveu e fizemos à distância. Uma frase simples, de uma parte ainda mais simples que definiu tudo o que vivo, tudo o que tô querendo pra essa vida mais ou menos, pra cada desilusão que já tive, pra cada vez que tiraram a minha vontade de estar aqui com esse sorriso bobo, esse corpo desumano e esse bem estar aleatório que me faz essa pessoa que você provavelmente conhece. E o trecho dizia apenas: “say goodbye to bad memories”.

Feliz aniversário pra mim.

Happy Birthday, Mr. President

São 27 anos nessa imensidão de vida. Quase três décadas pode-se dizer também. ’27 anos não são 27 dias’, imortaliza minha mãe. Não são. E cá estou. Finalmente num dia bacana, numa empresa bacana, escrevendo um post na hora do almoço. Lembrando da namorada. Dos amigos, dos velhos e bons, dos novos e sinceros.

Começo a rever o ano passado e vejo como estava perdido. O Koelho profetizou de manhã que 27 é a idade-chave. Não sabemos exatamente em que sentido, mas até agora neste pequeno balanço anual, tudo parece um grande recomeço.

Falo da banda nova, das músicas que tenho pensado em fazer, de ter que levar meus pais no aeroporto amanhã, de faltar uma semana pras férias, de estar incrivelmente bem mesmo com tantos artifícios temperamentais me impedindo. Por querer comprar o Primeiramão e procurar apartamentos para alugar no meio do caminho, por ter todo um plano envolvido nesse negócio de roomate quase marido. Por ter passado os dois últimos finais de semana recusando cerveja e querendo só uma paz estranha, solitária e sem vinculos quaisquer.

Hoje eu não ganhei carona, não saí pra almoçar com a galera, não acordei com uma dúzia de presentes, não recebi sequer uma ligação. Passei muitos anos fingindo ter um monstro apriosionado querendo morrer nesta data, mesmo com um monte de gente me ligando, vários presentes e comemorações. Hoje consigo dizer que meu reveillón particular (como alguém disse outro dia), é sempre uma grande data pessoal, mesmo sem festa, confete e presentes.

Feliz aniversário pra mim.

Das Primaveras

Hoje completo o ano 26 de existência.

Comecei a enxergar o mundo com olhos estranhos de uns tempos pra cá. Clichê assim.

Não sei se foi o papo existencialista naquele vídeo do George Carlin ou essa filosofia de pensar no quanto se é pequeno em relação aos universos em nossa volta. Desaniversários, sabe, aquela história? Você comemora um ano cumprido, pra esquecer que só está um ano mais perto do final da vida.

Parece que não estou só envelhecendo, estou começando a tecer reflexões dramáticas e tristes como um velho.

Hoje é meu aniversário e não vou sair de casa. De presente, ganhei dois livros da coleção de clássicos da Abril. Minha garota, sempre. Meus pais já me pagam impostos, boletos e combustíveis o suficiente pra pensar em presentes. Dá pra se sentir um moleque toda vez que se pede dinheiro pra gasolina. Mas dá pra se sentir um otário também.

Feliz aniversário pra mim.