Classe de 2006

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Meu reencontro com o pessoal da faculdade foi mais feliz do que eu imaginava que seria. Semanas antes já me imaginei cantando classe de 97 no caminho de volta, “prefiro ter na memória os dias em que fomos iguais”, chorando pela sensação de derrota social que estes eventos podem proporcionar numa cabeça já repleta demais de overthinkings.

O que aconteceu lá foi apenas a certeza de ter amigos distantes de verdade, mas ainda assim, amigos o suficiente. Me espanta a quantidade de histórias das quais não participei, happy hours que não frequentei quase que exclusivamente por ser como sou. A única péssima sensação foi a de que eu deveria ter encontrado mais essas pessoas todas nestes anos.

Sim, 10 anos atrás éramos outras pessoas, mais idealistas, pós adolescentes, ensimesmados enchendo a cara no bar de quinta feira. Hoje somos pessoas adultas, profissionais, com famílias novas e histórias melhores pra contar.

meu amigo troll #002

Passei por umas boas com meu amigo troll desde a última vez que falei dele por aqui. De um encontro às avessas na Augusta em que ele era carregado bêbado por moleques que já não suportavam mais o fardo de ter que literalmente carregá-lo, passando pelas noites em claro em que estive com ele em bares e locais excelentes conhecendo pessoas as quais jamais teria contato nessa vida, até o dia em que brigamos e paramos de nos falar por quase um dia inteiro. Abaixo, a prova de que meu amigo troll é a pessoa mais divertida deste universo:

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E a pergunta que fica é apenas: mano, onde você encontra essas pessoas?

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Eu: ninguém é mais sentimental que a gente amica

Shhu: <3
o foda é que eu tô tentando entender o meu modos operanti
tipo onde o monstro começa a nascer, etc
pra evitar a fadiga nos próximos capítulos da vida
(acho que é o certo modus operandi, na verdade)

Eu: (é isso! hahahahh)
é, o meu eu descolei. eu me perco nas pessoas. mas tipo me perco muito. passo duas semanas e é como se estivesse junto há cinco anos. parece bonitinho, mas só fode a gente.

Shhu: É ISSO!
nossa, cara, é muito isso
o foda é quando a pessoa ainda faz pézinho pra você pegar impulso e mergulhar mais fundo, né?
ai você vai com todo impulso, achando que vai dar um triplo mortal carpado perfeito, e no fim bate a testa no fundo da piscina de chorume
fuééén

Eu: sim e aí vem o problema que as pessoas não entendem o peso de compartilhar um tempo de vida com o outro. fazem pezinho. compram a escada. e vc sobe, às vezes elas sobem junto, mas a escada é delas. elas descem a qualquer momento e vc pode ficar lá sozinho e ter que se jogar e dar de cara no chão.
“suponho que estamos alto demais, pra que diabos inventamos subir aqui

Shhu: essa metáfora da piscina é ótima
hahahahaha
dava pra fazer um textinho já só com essa nossa conversa, huahauha

Eu: dava fácil hahahahahahaha

E nem precisou de textinho.

<3

(Shuliana está também com um excelente/novíssimo blog pessoal, o milieumatretas, indico a todos os fiéis quatro leitores deste blog – incluindo ela =P)

Os moleques são dengosos*

Uma sensação estranha ser o cara velho. Em qualquer coisa, no trabalho, entre seus amigos. Os amigos da minha banda são quatro ou cinco anos mais novos que eu. Talvez eu tenha visto mais coisas do que eles, mas talvez eles tenham vivido muito mais do que eu, isso é relativo. Estranho mesmo é o gosto que as coisas adquirem com o tempo. Por ter visto tanta gente entrar e sair da sua vida, você toma suas relações pessoais cada vez com mais ardor, você preza mais por quem está ao seu lado.

E eles são desses moleques de uma quase geração anterior, que ficam perplexos sobre como você prefere passar a noite em casa vendo uns filmes com sua garota. E eu geralmente me queixava quando eles bebiam demais, ou começavam a extrapolar as coisas, foi assim em algumas festas, foi assim em alguns shows que tocamos juntos. Eu sempre fui contra isso de não ter nada a perder então posso fazer o que quiser. Sim, você acaba tendo muito o que perder com o passar do tempo.

E ontem eu estava nesse show que tocaríamos juntos, não fossem as brigas internas deles, não fosse a falta de uma boa conversa que não envolvesse orgulho próprio ou aquele “Oh you didn’t say that!”**, eu estava lá sem eles dessa vez.

Não tenho uma banda famosa, embora as pessoas que me conheçam saibam e me perguntem sobre. E eu estava lá, um tanto chateado por não tocar no festival que um amigo nosso organizou e esperando que a qualquer momento um Uno subisse a rua com aqueles três moleques dentro que abririam o vidro no meio de um som alto e um monte de fumaça saindo pelas frestas, me dizendo “já é a gente?”.

Eu estaria feliz por estar nervoso com eles.

Mas o tempo é implacável. Ele derruba frases prontas, desmonta ‘galerinhas’, mostra o que é de verdade e o que era claramente passageiro, mostra também os sinais que você não percebeu naquela época. Os sinais que diziam que tudo aquilo tinha prazo de vencimento. Mostra como as coisas mudam entre moleques. E eu, parado na esquina esperando aquele Uno chegar e assistindo uma banda tocar no nosso lugar, com amigos de dez anos atrás, mostrava a mim mesmo o que era de verdade e o que pode se perder com o tempo.

Que o tempo os traga sabedoria e paz, mas que eles nunca deixem de manter a alma inquieta. Eu amo esses moleques e detesto os ver separados ou brigando por motivos que em dois anos vão se perder na memória. Sei que muito provavelmente, por mais que eu queira, as coisas não se resolvam assim facilmente, a vida é muita treta, isso a gente aprende também. Só espero que um dia nos encontremos novamente num estúdio, rindo constrangidos e sem saber o que dizer de toda essa época nebulosa das nossas vidas.

Esse post é dedicado a esses três moleques.

*Desculpem, não encontrei um título melhor.
**Retirei essa frase do filme God Bless America (último que assisti com a Aline que tá com um blog manero e muito mais atualizado que o meu, a propósito), num trecho em que a personagem principal fala algo sobre a geração do “Oh you didn’t say that”, excelente filme sobre psicopatia e aversão social. Um Mickey e Mallory dos escrúpulos, assassinos pela natureza cruel da nossa sociedade. Muito legal de assistir.

Todo o esplendor dos formandos de 2001

Nunca fui bom em dar desculpas. Por isso eu gostaria de começar dizendo algo sobre esse mês em que passei sem postar. Não vou, uma vez que na verdade, pouco interessa e todos vocês devem imaginar (porque se eu colocar outra frase ‘ando trabalhando demais’ por aqui não sei onde isso vai parar). Sempre fui bom em incentivar pequenas discórdias, mas só porque a humanidade merece.

Daí criaram um grupo de formandos 2001, na escola em que estudei. Gente postando fotos bonitinhas, lembrando nossos passados incríveis como garotos prodígio do único colégio dirigido por freiras ou coisa que o valha do Capão Redondo. Fotos de um monte de gente rindo na sala, nas olimpíadas escolares, excursões para Aparecida do Norte (sério), ou na primeira comunhão. Todo mundo sorridente, com dentes de leite recém caídos, essa coisa bonita de se lembrar e… OH WAIT.

E aí comecei a perceber que os célebres amigos estavam querendo me dizer que tenho que lembrar com alguma nostalgia boa aquela época que passei ganhando apelidos e sendo excluídos de festinhas na piscina, sendo alvo de profundos debates sobre que estilo de boné eu deveria usar ou não. Me juntei aos rebeldes e comecei uma inssureição que até agora não enxerga limites. Aquele tipo de gente da escola com a qual você tinha que passar por uns testes morais antes de poder sentar com eles pra falar de outras pessoas no intervalo (aqui eu finjo pra vocês que não uso mais a palavra recreio).

Não são más pessoas, pelo contrário só não são as minhas pessoas. Sem enganação, ainda tenho amigos que vejo desde aquele tempo e considero meus melhores amigos, porque, como eu disse citando Mamelo Sound System lá no grupo, ‘quem é de verdade sabe quem é de mentira’. Eu entendo a boa intenção. Só não tente reunir o que sempre foi… o que sempre… bem, eu queria uma boa analogia, mas ‘água e óleo’ já tá bem batida.

Estou voltando, relevem a falta de inspiração.

Final de blockbuster



Uma mesa de dinner, um casal, conversando sobre tudo o que passaram para chegar até ali, todas as agruras da saga, algumas piadas que só fazem graça muito tempo depois. A câmera se afasta, a conversa diminui, a tela começa a escurecer, casting…

Você levanta da cadeira com o saco de pipoca já amassado em direção ao cesto de lixo superlotado na saída do cinema e, ao rememorar o filme, lembra daquele amigo mais pessimista que tem uma idéia mal formada sobre sucesso e felicidade (que ele aprendeu em ‘Pessimismo for Dummies’, livro padrão para a raça). Ele diz que prefere juntar 50 reais por mês pois, quando estiver com uns 65 anos, vai poder dar uma boa entrada naquela moto importada lindona, sonho da sua vida.

Note, ‘aos 65 anos’.

Daí você começa a pensar em como nego não quer ter uma história com final feliz todo dia, ainda que seja apenas um final cheio de esperança, sorriso, abraço, ou uma noite com seus amigos e um XBox, que leve a um entendimento maior do esquema tático do Barcelona no Fifa 11. Porque qualquer outro entendimento sobre a condição humana deve passar antes pelo crivo do esquema tático do Barça no supracitado jogo.

Não que realmente exista um final de 500 Days of Summer todo dia. Alguns dias podem jogar com aquela vibe Flores Partidas do Bill Murray, o filme mais angustiante de toda minha vida, outros podem ter finais cult, ou até finais B, matando uma barata, ou espremendo um cravo em frente ao espelho. Claro, estou, as usual, saindo do assunto.

Meu amigo pessimista não quer finais menores. Mesmo que isso custe sentar na sua mesa de dinner daqui há 30, 35 anos. Enquanto isso, vive misérias, desconta frustrações, cria intrigas e faz parte da estatística de filhos da puta responsáveis pela Manoelcarlização da vida.

Vibe boa

E hoje, em edição especial, já que não consegui ligar nessa caralha de celular o vídeo abaixo é para o amigo/bróder/irmão Leo Pollisson, que faz aniversário hoje (e essa é a parte em que eu omito que pensava que a data era ontem, por um negócio de relógio biológico desregulado por dormir tarde demais no natal), com o Beach Boys tocando uma das músicas-tema de sua vida, em meandros (que palavra) de 1979:

Daí que eu lembro do último show do Beach Boys no Credicard Hall, que vimos de perto, uma vez que o lugar estava relativamente vazio. E lembro da Golden Era da empresa que ele ainda trabalha, quando saíamos pra fumar e pensar como seria quando ganhássemos na mega-sena da virada e pudéssemos comprar a empresa, criando cargos como supervisor de Guitar Hero, que teria uma entrevista supervisionada pelos sócios e TERIA de zerar o jogo pelo menos no hard. Coisas do tipo. E lembro tanta história pra dar risada, tanta depre que passou, tanta piada interna que só a gente riu.

O ano virou, mas as boas vibrações nunca param.

Retrieve your feelings

De tempos em tempos, fico lembrando quando foi que comecei a escrever meus blogs pelo Web Archive, esse site que recupera URLs esquecidas no tempo.

E sempre procuro o link do Caito*, que em 2003 mantinha textos e poesias em sua Casa do Pescador, já era meu poeta preferido, minha grande e contemporânea inspiração, além de um grande amigo.

Daí que lhe perguntei algumas vezes sobre uma poesia que ele havia escrito naquela época, mas ele nunca se lembrou. Falava sobre a procura de um amor. Queria o poema novamente, para guardá-lo e eternizá-lo como uma das maiores obras que li durante a adolescência. Hoje, eu o encontrei. E por mais que não faça o exato sentido de sete anos atrás, ainda me emociona de uma forma simples e grandiosa, que me joga sobre o rosto a importância de jamais se esquecer quem você é realmente.

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Jovem solteiro procura mulher
Cor dos olhos: tanto faz
Importante mesmo é o olhar
Renda mínima: tanto faz
Importante mesmo é lutar
Uma mulher que faça amor
As 7:0 da manhã
E que use roupas íntimas
Com estampa de bichinhos
Que ouça Elis Regina
E ouça Garotos Podres
Que se entorpeça comigo
Que me entorpeça
Que faça minha cabeça
E junte seu suor ao meu
Que perca suas pernas entre as minhas
Que entenda o que meu olhar
Diz nas entrelinhas
Uma mulher que me deite em seu colo
E me faça um cafuné nos cabelos
Olhando no fundo dos meus olhos
E cantarolando
“All you need is love”
Que cuide e deixe cuidar
Que ame e deixe amar
Que transe no elevador!
E que chore em meu ombro
Ao final de uma love story qualquer
Uma mulher que me ouça tocar
Uma melodia boba no violão
E ao som de cada acorde
Me olhe com tanta ternura
Que me sentirei quase um blues man
Uma mulher que beije
Morda
Arranhe
Afague
Que pense
Que brigue
Que implique com alguma amiga minha
Que reconcilie
Que beba uma cerveja comigo
Que leia um livro
Sublinhe uma parte bonita
E venha a mim recitar
Que me conte como foi seu dia
Eu ouviria com toda atenção
Uma mulher que durma abraçada comigo
Como seu eu fosse um ursinho
E só me largue na hora de ir trabalhar
Porque não tem outra opção
Que me de um apelido ridículo
Que eu direi que odeio
Mas irei amar
Procuro alguém para me apelidar
Procuro desesperadamente alguém para amar.

Caio Cezar Mayer, no blog Casa do Pescador, 2003

*’Caito’ é Caio Cezar Mayer e hoje escreve suas poesias no Sindicato do Escritores Baratos, ao qual tenho prazer de também deixar algumas poucas contribuições.