Tanta coisa

A sociedade da informação desnivelada, da informação nenhuma, do facebook pra saber das notícias, das novas piadas, de qual time está sendo aloprado por qual torcida rival que vai torcer contra outro time qualquer numa outra semana qualquer e estamos aqui, eu a vitrola nova, que não desiste de mim, com todos esses discos de um real e toda essa compaixão por ouvir de novo a Elis Regina cantando as músicas do Belchior. E o que todo mundo lembra é que ele deve algo no Uruguai, que ele se afastou do mundo, das celebridades construídas em cadernos de jornal e fotos de agência de notícia. Belchior entendeu o mundo, um comediante com frases de efeito esquecidas.

“tome um refrigerante, coma uma cachorro quente,
sim, já é outra viagem e esse meu coração selvagem
tem essa pressa de viver”
http://www.youtube.com/watch?v=OKTRc7x-zCM

Esqueci como é contar a vida sem o drama. Sem dizer entre palavras que você tropeçou forte e que as chances de encontrar o caminho por onde seguia ficam cada vez mais distantes. Esqueci também como é contar isso tudo sem soar tão depressivo e doentio, sabe. Porque, no fundo, é mais motivador do que se pensa. Recomeçar, é isso que significa. E eu pareço escolher minuciosamente a forma de transformar um pensamento motivacional como “agora vou recomeçar a vida” a soar como “tropecei e não sei onde estou por enquanto, mas espero voltar ao meu caminho em breve”. É um superpoder, eu acho.

“And I wish it could always be like
This is something I’ve been missing
It’s not too late to change what you’ve become”
http://www.youtube.com/watch?v=DrZ8tpu_VCQ

Tanta coisa.

Happy Birthday, Mr. President

São 27 anos nessa imensidão de vida. Quase três décadas pode-se dizer também. ’27 anos não são 27 dias’, imortaliza minha mãe. Não são. E cá estou. Finalmente num dia bacana, numa empresa bacana, escrevendo um post na hora do almoço. Lembrando da namorada. Dos amigos, dos velhos e bons, dos novos e sinceros.

Começo a rever o ano passado e vejo como estava perdido. O Koelho profetizou de manhã que 27 é a idade-chave. Não sabemos exatamente em que sentido, mas até agora neste pequeno balanço anual, tudo parece um grande recomeço.

Falo da banda nova, das músicas que tenho pensado em fazer, de ter que levar meus pais no aeroporto amanhã, de faltar uma semana pras férias, de estar incrivelmente bem mesmo com tantos artifícios temperamentais me impedindo. Por querer comprar o Primeiramão e procurar apartamentos para alugar no meio do caminho, por ter todo um plano envolvido nesse negócio de roomate quase marido. Por ter passado os dois últimos finais de semana recusando cerveja e querendo só uma paz estranha, solitária e sem vinculos quaisquer.

Hoje eu não ganhei carona, não saí pra almoçar com a galera, não acordei com uma dúzia de presentes, não recebi sequer uma ligação. Passei muitos anos fingindo ter um monstro apriosionado querendo morrer nesta data, mesmo com um monte de gente me ligando, vários presentes e comemorações. Hoje consigo dizer que meu reveillón particular (como alguém disse outro dia), é sempre uma grande data pessoal, mesmo sem festa, confete e presentes.

Feliz aniversário pra mim.

Quer dizer…

Sou adepto a dar os parabéns a aniversários no Facebook. Acho de bom gosto, principalmente para as pessoas lembrarem do seu manter a atividade do perfil.

Daí que outro dia era aniversário de uma antiga conhecida, sobrevivente da faculdade. E comecei a lembrar que, na faculdade, tal qual em meu antigo emprego, um grupo de garotas costumava se chamar de Re, Fa, Si, Sa, então eu me graduei sem saber ao certo o nome de algumas pessoas.

E foi então que entrei no perfil da Regina desejando feliz aniversário para a Renata.

Vibe boa

E hoje, em edição especial, já que não consegui ligar nessa caralha de celular o vídeo abaixo é para o amigo/bróder/irmão Leo Pollisson, que faz aniversário hoje (e essa é a parte em que eu omito que pensava que a data era ontem, por um negócio de relógio biológico desregulado por dormir tarde demais no natal), com o Beach Boys tocando uma das músicas-tema de sua vida, em meandros (que palavra) de 1979:

Daí que eu lembro do último show do Beach Boys no Credicard Hall, que vimos de perto, uma vez que o lugar estava relativamente vazio. E lembro da Golden Era da empresa que ele ainda trabalha, quando saíamos pra fumar e pensar como seria quando ganhássemos na mega-sena da virada e pudéssemos comprar a empresa, criando cargos como supervisor de Guitar Hero, que teria uma entrevista supervisionada pelos sócios e TERIA de zerar o jogo pelo menos no hard. Coisas do tipo. E lembro tanta história pra dar risada, tanta depre que passou, tanta piada interna que só a gente riu.

O ano virou, mas as boas vibrações nunca param.