A metalinguagem nos sonhos

Faltavam 4 minutos pra final da Copa do mundo. Eu, numa ressaca como nunca antes na história desse país, deitado na cama, com a cabeça pesando demais pra levantar e pegar o controle remoto. Pego no sono.

[sonho 1, relativamente sinistro]

Estou com a Denise andando pelo metrô Conceição, sentido Jabaquara, perto daquele prédio do Itaú. Decidimos parar numa cantina italiana, que estávamos combinando na semana passada.

Entramos, aquele clima Achiropita, tiazinhas cozinhando massas naquelas panelas gigantes, tudo bonito.

Chega o garçom e, antes de pedirmos qualquer coisa, ele vem com uma feijoada. A gente tenta retrucar, ele diz que vai pegar os molhos apimentados.

Eu e a Denise nos entreolhamos:

Denise: Mas aqui não é uma cantina italiana?

Eu: hahahah, pior que é. Mas eu sei o que tá acontecendo, é um sonho.

Denise: hahahah, que?

Eu: É um sonho, sério, isso não aconteceria normalmente, eu tô sonhando.

Denise: hahahah, que bobo! (quase chorando de rir)

Eu acordo por um instante e pego no sono novamente.

[sonho 2, definitivamente sinistro]

Olho pro lado e vejo o controle, ligo a TV e vejo o Arnaldo comentando sobre o árbitro, ao lado de Galvão e Casagrande. Tudo meio embaçado. Outro sonho?

Acordo.

Levanto e vou até a TV, que ainda está desligada. Mas, espera, como assim ainda tá embaçado?

Acordo.

Que merda, to sonhando que to sonhando (isso no sonho). Levanto, vou até a TV e digo, não, agora não pode ser. Chuto a cama três vezes com a canela, na tentativa frustrada de provar que aquilo era realidade. Viu, não é que agora é real, mas pera, porque tá tão embaçado ainda?

Acordo.

Cansei desse negócio, mano, fuck that shit. Vou ficar na cama e nem pensar em levantar. E então, finalmente acordo de verdade, com 30 minutos do primeiro tempo pensando: SERÁ MESMO?

E aí, Arnaldo, o que diz a regra?