É pouca zuera?

Eu não assisto Big Brother. Algumas decisões a gente toma partido por ideologia, outras por decência, outras por pânico. Essa é por indiferença. Eu nunca vou entender o motivo de boa parte da população se interessar tanto por relações pessoais de estranhos (e, a propósito, que tiozinho estranho aquele afeminado tentando provar que é o ser vivo mais feliz do universo a cada trinta segundos. Não sei o nome, supere).

Toda essa introdução desnecessária pra dizer que ontem eu assisti um trecho do programa e resetei minha senha do Gifsoup só pra deixar registrado esse momento mágico do entretenimento brasileiro (acima).

O Reality da realidade

Ou ‘Minha sincera compaixão pelo Big Brother da vida real’

Como alguns de meus trinta leitores casuais devem saber, trabalho em uma redação para e-commerce, que fica situada dentro do centro de distribuição da empresa. O CD, como é chamado, consiste 90% no estoque, um galpão de não sei quantos mil metros quadrados e pelo menos 900 funcionários separados por turnos. Os 10% restantes são os outros setores, que devem ter cerca de 30/40 pessoas.

A galera que trabalha na parte de dentro do estoque é, digamos, excepcional. É de lá que vem as piadas e comportamentos mais dignos de virar hit do Youtube, além do som alto do rádio ligado pela manhã, provavelmente com a frequência emperrada na Band FM. Outra característica comum aos colaboradores desse setor é deveras insuportável: observar.

Sabe aquele tipo de gente que assiste a vida como se fosse uma novela das oito, ou como o Big Brother? Cada um de nós, as 40 pessoas dos outros setores que não são o estoque, nos tornamos personagens neste console de entretenimento que estes 900 criaram. E a TV deles, por assim dizer, vamos tratar aqui como banquinhos.

Cada vez que o horário de almoço consegue reunir um grupo de três ou quatro pessoas do estoque no ócio da tarde, pode ter certeza que eles vão analisar cada passo seu, assim que você passar por eles. Não são pessoas que passam por você encarando, ou coisa que o valha. Mas quando elas sentam nos bancos, é como se realmente pegassem o controle remoto para assistir um programa de TV, para debater com seus colegas o quanto aquela moça engordou ou que absurdo aquele cara casado do Fiscal ainda estar dando em cima da estagiária do RH.

Fico triste ao imaginar que, para este público sem acesso a interné como nós dos outros setores, isso deve ser o máximo de entretenimento que eles podem ter durante o dia.