O que Mariah Carey faria?

Eu entendo claramente o motivo de seguir certas personalidades nas redes sociais. De verdade. Aprendi a aceitar que as pessoas querem ver seus ídolos vivendo no dia a dia. Tive de aprender a aceitar porque não tenho exatamente ídolos com os quais eu fique constrangido demais por perto desde que Mano Brown e Dexter estavam na mesma padaria que eu comendo um lanche num domingo desses e que Badauí realmente pareceu o Regino no backstage de um show ano passado.

Da lista de personalidades que sigo: o perfil de gostosona-wannabe da tati zaqui às vezes por achar ela linda pra cacete meu Deus que pessoa conta da história de vida dela, o papo de ser aeromoça e gravar uns funks descompromissados. Sigo Mano Brown e KL jay, porque eles não ficam postando foto de flyer toda hora e às vezes soa como qualquer um do capão. Kamau e Flora Matos pelo mesmo motivo (embora eles encham o perfil do stories de baladas e às vezes a gente não tá preparado para aquele barulho todo não, pra te ser sincero).

Aí tem a Mariah Carey.

Se você me perguntar “mano, como assim você segue a Mariah Carey?” eu não vou saber responder de cara. Ela sempre foi a pessoa mais sensual em atividade na terra desde os anos 90, mesmo quando está fazendo coisas simples como atender um telefonema no sofá durante um clipe (dica para pessoas que querem ser sensuais, perguntar sempre a si mesmas: “what mariah carey would do?”). Não é exatamente esse o motivo de eu seguir o perfil dela hoje, tendo em vista que atualmente ela é só uma tia felizona e dedicada com a causa da sensualidade vez ou outra e comemorando o lançamento de seu novo videoclipe com um bolo com uma cena do clipe impressa.

Ela é ótima. Embora também faça parte de uma lista seleta de celebridades que sigo apenas pra entender como elas andam funcionando, como quando segui o snapchat da kéfera por duas semanas e recebi mais atualizações sobre a vida dela do que jamais cogitei.

Mariah é gente da gente, posta Boomerang na academia, fazendo carão eternamente, fotos de crianças que presumo serem seus filhos e tenho certeza de que estão mais bem vestidos do que eu jamais estarei em toda minha vida.

Obviamente não sou do tipo que vai comentar “nice kids, you’re aweosme”, mas é legal ver alguém vivendo vidas tão intocáveis e distantes às vezes pra ter certeza que o capitalismo vai te levar a uma profunda depressão qualquer dia desses poder ver o mundo com outros olhos e entender que ele é muito maior que sua pequena bolha de amigos de esquerda (hoje deletei um fulano admirador do Dória, mas simplesmente porque era um desconhecido aleatório cuja amizade eu aceitei porque não tenho critérios mesmo).

Além de tudo isso, Mariah continua linda, a despeito do que disserem sobre os avanços do photoshop (Camila, me deixa acreditar).

Voltar

Vai completar dois meses que moro neste aparamento e já vi duas perswguições policiais na rua. Pode ser sorte (ou azar), pode ser coincidência, ou pode ser que a criminalidade tenha mesmo tomado conta da cidade, como gabriel, o pensador, previa.

Voltar pra quebrada tem dessas.

Quase que completamente burro

“Eu tenho um plano
E creio ser possível
Ser de novo invisível
E voltar
Mas são quatro da manhã
E o posto ainda é meu
A esquina me acolheu
Vou honrar
Velho e acabado no espelho
Estou mal
Olhos vermelhos
Um BO de três mil graus
Travesseiro frio
Espaço vazio
Arredio
E a essência denuncia célebre ausência”
–Mano Brown, “Felizes

Eu espero meio quase que completamente burro por aquele episódio em que Ted espera Tracy dar três passos à frente, enquanto ele fica parado olhando. Ela pergunta o que é, ele diz “eu quero me lembrar desse momento”. E quando você começa um texto dizendo o quanto você é meio quase que completamente burro já significa como todas as coisas estão sendo do outro lado deste computador.

Acho que, no fim das contas, o grande mal de nossa época é basear nossas experiências de vida na indústria cultural mesmo. Grandes amores, grandes descobertas, aventuras e realizações acontecem e indepedem se você terminou ou não todas as temporadas de Grey’s Anatomy. Só não vai acontecer com você caso você seja meio quase que completamente burro e fique acreditando muito que existe uma historinha com a sua cara neste mundo e que ela pode emocionar as pessoas caso você conte.

É, eu sei, tô amargurado, superem. Sempre passa.

Eu acho que espero a cena do Ted com a Tracy porque no fundo, bem no fundo, eu acho que existe uma vida que não me seja tão babaca e errante quanto eu gosto de dizer. Que seja simplesmente leve e que me faça querer acordar todos os dias querendo viver de verdade, não apenas passar por aqui.

Enquanto isso sigo errante pela vida, falando quantas bostas tiver de falar, aumentando a compulsão alimentar a níveis estratosféricos, vendo a luz no fim do túnel se tornar apenas mais uma lembrança, dormindo sem saber como cheguei na cama e fazendo outras péssimas escolhas na vida.

Não há outro jeito de superar situações traumáticas.
Mas só funciona pra quem é quase que completamente burro.

Eu Coleciono Flyers

Colecionar flyers é uma arte que começou ao acaso, pelas tantas vezes que acumulei restos de papéis na gaveta. Certa vez, fui arrumar a coisa toda e encontrei mais flyers do que oxigênio, e então eu comecei a juntá-los.

A coleção data de 2003.

Separo os itens em categorias pra não me perder na hora de organizá-los. E geralmente a organização acontece em feriados no meio da semana, como o de ontem.

1. Publicidade
Os de publicidade são aqueles que você encontra no caixa de algumas baladas, em lojas de roupa conceituais e cafés. Geralmente ficam em expositores e as pessoas têm vergonha de pegá-los e serem taxadas de… bem, de uma pessoa que pega papéis no expositor, sei lá.

Geralmente não gosto destes porque são cartões postais, mas se fossem SÓ cartões postais, seriam vendidos. Eles tem uma publicidade qualquer ao invés de uma paisagem bonita. Ao invés do Viaduto do Chá, tem uma televisão Samsung, ou o comercial de um novo seriado da Warner. O que lhes garante o direito de serem gratuitos.

Embora, posso dizer, alguns deles valem a pena:

2. OUTS
Na verdade, tenho poucos flyers da OUTS, mas são, sem dúvida os que mais gosto. Pelo bom gosto do papel, da arte – mesmo os de material mais vagabundo têm artes bem-feitas. Sim, a OUTS é aquele club no final da rua Augusta, em frente ao Inferno. Toca Indie Rock, termo que muitos de meus amigos trocaram por “som meio outs”. Pra encaixar numa frase o exemplo: “sabe a DJ Club, ali perto da Nove de Julho? É meio abafado e tals, mas a música é boa, eles tocam um som meio outs”.

3. PUNK
É onde está o auge desta coleção. De todos os flyers que possuo no total (cerca de 400), esta categoria ocupa pelo menos 70%. Coletados em geral na porta de shows, clubs e lojas da Galeria do Rock, os flyers de shows de rock são meu grande orgulho. E entre 2006 e 2008, se tornaram também um hobbie.

Óbvio que muitos destes shows eu não fui. Mais óbvio ainda que os flyers que peguei nestes shows estão mais maltratados que aqueles que peguei numa loja ou num club. Alguns têm fita durex na parte de trás, para garantir a integridade física. Algumas raridades como a passagem do Discharge, Vibrators e Agent Orange em SP, mais alguns clássicos como o NX Zero e Gloria no Hangar 110 e locais mais fuleiros (fãs alucinados que queiram comprá-los por preços escabrosos, me add).

A coleção completa está no Flickr: