SAC da droga e perca o medo de dirigir

Dois causos, porque a vida, amigos, sempre volta ao normal.

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Dois amigos meus estão afastados das drogas há uns bons seis meses, pelo menos. E isso é muito sério, não vou fazer a piada padrão do CQC e dizer que eles deixaram de ouvir Calypso. Eram drogas, mesmo, substâncias ilícitas que podem levar à prisão ou a uma forte dependência química.

Daí que um terceiro conhecido liga em casa ontem, 23h30 me perguntando se sabia outro telefone de um deles, porque havia ligado e nada. Respondi que só sabia aquele número mesmo e faz tempo que não o vejo etc. Dou o telefone do outro amigo. Ele retorna e diz que ele não está em casa.

E é quando eu descubro.

– Po, zuado, mas ele nem tem mais celular – digo naquela vibe, ‘porra, mano, não posso mais te ajudar, se vira!’
– Sério? Ele transformou o celular em pedra?
– heheh, pode crer. ¬¬
– Então, velho, é que eu queria um esquema pra pegar um papel
– Ah, é foda, mas então…

E essa é a história de como meu telefone de casa se tornou uma central de relacionamento para viciados. Isso sem contar minha inabilidade para perceber que o cara queria pedir drogas para dois amigos que estão se esforçando no level hard para manter a sobriedade.

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Vindo para o trabalho hoje, na avenida perto de casa, a mulher do carro da frente pisa no freio como se estivesse à beira de um precipício e quase me faz voar pelo vidro na tentativa de não encostar no carro dela.

Se eu pelo menos a conhecesse, ela teria acesso à minha aula psicológica para novos motoristas que consiste na única frase: “dirigir é a mesma coisa que andar na rua, você só não pode esbarrar em ninguém”.

Ando vendo muita gente dirigindo devagar e só pode ser uma das duas alternativas: ou (a) estou sempre muito atrasado e querendo todo mundo fora do meu caminho ou (b) meu bairro se transformou numa vila para auto escolas clandestinas “perca o medo de dirigir” style.