parada solicitada

Meu carro acabou de sair do conserto (pensei em escrever “concerto” pra vocês imaginarem um Autobot descendo as escadas do municipal dizendo “essas missas de Mozart já foram melhores”).

Acho que não falei da cena em que o carro pegou fogo (se falei, superem). Calma. Não foi comigo dentro, não foi nem sequer por inteiro. Aconteceu uns meses atrás, quando tentei dar a partida e senti cheiro de gás. Saí pra abrir o capô e estava tudo em chamas. Resumindo uma história cuja moral é “jamais confie em seu extintor”, eu acabei conseguindo apagar.

Isso posto, eu passei a conhecer as formas de transporte coletivo da minha nova cidade. Cajamar tem muitos ônibus intermunicipais cuja passagem custa um kinder ovo (referências adultas, não trabalhamos) e uns três ou quatro municipais, cujo valor é mais sensato (se você julgar 3,50 sensato, obviamente). Neste ínterim conheci motoristas e cobradores e horários e pessoas. E maneiras de ir até o Capão Redondo sem estressar demais.

Foi uma boa época para entender melhor tudo por aqui. Eu ainda não tinha vivido o quoeficiente rua da cidade. O frio dos pontos de ônibus, a absurda subida a pé até o condomínio, que faz a subida do Horto do Ipê parecer uma escadinha rolante de shopping center.

Daí o carro volta com a bateria semi exausta por meses fora de uso. Os freios gritam por pastilhas novas. Fazem um barulho tão intenso que assusta os passantes. O pneu furou na segunda-feira, vejam vocês. E a minha falta de otimismo para com este meio de transporte está sendo completamente enterrada.

Apparently, it’s time to VAI DESCER, MOTÔ!

As parcelas da Montanha Mágica

Alô Unidos dos maiores de 25 anos que ainda moram com os pais, canta, caaaaanta!

Uma das piores escolhas que poderia ter tomado aos 24 anos foi ter comprado um carro*. Sem moralismo ecológico pedante porque, como todos devem saber, os ciclistas são os novos vegetarianos. Afinal, o carro me facilita a vida de ter que trabalhar em outro município fora de São Paulo. Numa planilha de prós e contras, viver sua vida (namorada e trabalho, respectivamente) distante em 30 km do seu epicentro natural vence qualquer crossover envolvendo sustentabilidade ou sedentarismo.

E por que a pior decisão foi essa? Porque, bem, digamos que nunca fui um consumista inveterado nem um economista regrado, portanto passava meses sem economizar um tostão da minha voz do meu dinheiro. Coisa de chegar no final do mês e torrar o superavit salarial só pra não ver ele virar o mês. Parecido com o que a gente faz ligando para qualquer pessoa da agenda só porque os créditos vão expirar no final do dia. Talvez isso seja fruto de um sério transtorno psicológico. Palpite.

Então, logo, comprar um carro exigia um carnê com mais páginas que A Montanha Mágica. E exigia fidelidade Sam Gamgi style. Exigia, acima de tudo, um desprendimento incrível para acreditar na idéia dos meus pais de que os 60 meses do carnê passam sem a gente perceber. So, I tell you what, eles não passam. Passam rápido como os dois dias que você tem que trabalhar depois do carnaval. Como disse, não passam.

A conta que eu não fiz aos 24 anos é que em 60 meses eu estaria mais perto dos 30 e com uma dívida que não me permitiria respirar direito antes de dormir. Esse despreparo fez com que nomes como IPVA, seguro obrigatório e apólice não fossem mais só palavras escritas nas correspondências que eu pegava debaixo da porta junto com a Showbizz (lembram da revista?).

Passados três anos, cá estou eu tendo que diariamente voltar para a casa dos meus pais. Um lugar que já não tem mais a minha cara, já não tem mais a minha contribuição. Não por falta de amor, ou por dificuldades de convívio, afinal, a única coisa que me esforço atualmente é fazer com que eles não me sintam por ali. É tudo o que posso fazer até terminar o livro de Tommas Mann (carnê) sem um cérebro afetado por distúrbios e dramas financeiros muito traumáticos.

*Nunca falei isso pra ele, as consequências seriam catastróficas. A propósito, sim, eu converso com meu carro diariamente.

Top 5 Filhos da Puta no trânsito

Um top 5 que me veio à mente hoje de manhã, pelo tanto de calhordas que encontro nas ruas a caminho do trabalho. Em boa parte são homens burros e não mulheres inexperientes, diga-se de passagem. Acorda, Brasil, os rótulos já devem ser trocados.

#5 O filho da puta que usa faróis de milha e Xenon – como se o mundo fosse uma filial de Sin City cujas luzes mal conseguem iluminar a cara do Bruce Willis. E aí ele brinca de deixar as lâmpadas pro alto, afim de protagonizar um espetáculo de luz e magia no meio da marginal pinheiros, numa confusa tentativa de ofuscar as noites do Jóquei e esquentando as costas do motorista à sua frente. Geralmente o cara tem um carro importado e quer te ultrapassar mesmo quando você está na velocidade máxima permitida na faixa da direita, ele acende o farol alto numa provável tentativa de enganar o seu relógio biológico que não entende mais se é dia ou noite. Tudo isso pra mostrar que você não é ninguém para atravessar a pista que ele trata como um tapete vermelho.

#4 O filho da puta ‘DEAL WITH IT’ Daí que aquele V.U.C de entrega pára no final da rua pra descarregar e interdita o local. Você tem que se acostumar com isso, pois ele não pode fazer nada, é o trabalho dele. Ou aqueles caras que estacionam em duas vagas no shoppings e estacionamentos em geral. Ou aqueles outros que querem conversar com as meninas do pedágio, sabe? Esse tipo de gente não liga de parar o carro na sua frente e ir comprar amendoim torrado, conheço um caso em que o malandro saiu do carro para urinar no meio do trânsito da Marginal Pinheiros. Óbvio, Murphy deu uma força. Ele esperou tanto pra fazer isso que, imediatamente ao sair do carro e começar a descarregar, o trânsito voltou a andar e ficou completamente constrangido no meio da multidão. Esses filhos da puta geralmente pagam.

#3 O filho da puta que só sai da sua frente antes do radar – Esse não é grave, mas irrita pensar que o malandro realmente acha que alguém ainda cai nessa. Vamos a reconstituição: Você está andando na faixa da esquerda, com alguma velocidade e tem um tiozinho na sua frente a 60km/h que segura toda uma horda de gente apressada, incluindo você. Pouco antes de chegar no radar (e aqui eu presumo que todas as pessoas que passam pelos mesmos lugares diariamente sabem onde ficam os radares da cidade) o tiozinho faz de tudo pra sair da sua frente, na intenção de que você, um apressado que deve estar puto, acelere com raiva e sem prestar atenção ao radar, garantindo uma multa. É comum também que o tiozinho dê alguma risada maquiavélica olhando pra você e comentando com outra pessoa, bem como é comum um cara de meia idade achar que está sacaneando o universo, rir e fingir uma pose like a boss qualquer. Eles sempre riem e se fazem de superiores porque quando você passa eles, automaticamente, eles pensam que você ultrapassou os limites de velocidade quando na verdade você pode apenas ter acelerado mais 5Km/h e saído da situação com uma raiva desconcertante.

#2 O filho da puta que não dá seta – Esse não precisa explicar, acredito. Você precisa avisar quando vai atravessar de faixa, certo, praticamente todas as pessoas do mundo, mesmo as que não dirigem, sabem disso. Agora nego troca de faixa como se estivesse numa partidinha de Cruisin’ USA no shopping, manja? Além disso, existem diversas categorias dessa filhadaputice, cujas três principais são a) o fulano que vira o volante antes de dar a seta ou de olhar para o lado, sendo esta a mais comum e digna de perdão se o safado assume a culpa, b) o fulano que faz os três movimentos num só: dá a seta, olha pro lado e vira o volante ao mesmo tempo, geralmente achando que está com a razão absoluta e c) o cara que joga o carro na sua frente e acha OK porque você deveria estar prestando mais atenção etc. Todos filhos de uma mesma puta.

#1 O filho da puta que buzina em congestionamento – Cara, sério. Essa é uma característica que, se um dia eu tiver uma filha e ela levar o namorado em casa, eu terei de questionar se o malandro buzina quando o trânsito pára. Porque olha, não dá pra confiar nesse tipo de gente. Caro futuro candidato a genro, se o trânsito não está andando, eu tenho certeza que o cara da minha frente ou mesmo todos os 3.670 carros na minha frente também não necessariamente optaram por estar ali. Sempre imagino que essas pessoas buzinem tanto com a mesma prerrogativa da torcida que tenta ganhar o juiz no grito. Uma pessoa que buzina dessa forma indiscriminada quer tratamento especial, como todos os outros, mas quer também convencer todos os motoristas ao seu redor de que aquilo ali dá pra melhorar, é só cada um fazer sua parte e buzinar como se não houvesse amanhã. Quase um manifestante Geisy Arruda style. Deve ser por isso que sempre tem alguns influenciáveis que entram no embalo.