sobre falar

Com o tempo, deixei de falar. Acho que acostumei demais com a ansiedade que as palavras dos outros me trazem e percebi o quanto falar pode criar no outro sensações estranhas, diferentes, confusas.

Tenho vivido os piores dias de novo. Procuro o que fazer para não ter que parar e pensar no que me trouxe até esse quarto, no escuro, tirando fotos das paredes como se fosse encontrar fantasmas revelados nas luzes fracas.

O que descobri dessa vez é que minha mente fica transtornada de um jeito que eu falo coisas amplamente desnecessárias, tanto para mim, quanto para o próximo. Nessas, você acaba machucando as pessoas. Com sorte, elas acabam entendendo que você não tá numa fase boa. Isso com sorte. Na maior parte dos casos, você é apenas esquecido mesmo.

De silêncio em silêncio me arrasto, recolho meu cansaço e desfaço em mim qualquer esperança que já tive. A vida vai seguir assim, como um não-poema colado num sticker na augusta, postado no facebook, numa fan page de geniais e pretensiosos não-poetas.

Amargurado, cheguei ao silêncio, minha maior ruína e vou nessa até que as combinações químicas do meu cérebro se reorganizem e me tirem desse mar revolto da falta de esperança.

Janeiro vai passar.

 

Telefone portátil

Em novembro, comprei dois celulares (já deu pra notar que não trato de finanças aqui, né?). Um smartphone para aquela necessidade que inventamos de estar sempre online, onde quer que a gente esteja, mesmo com a bipolaridade do sinal 3G da TIM. Veja, eu poderia falar sobre a conta reativada do Foursquare ou qualquer outra bobagem, mas eu vou falar do outro celular.

Sim, porque este, amigos, é um celular. Um aparelho telefônico portátil de volume alto para conversar, de falantes sensíveis para compensar seu tamanho e a falta de um flip que extenda o telefone da sua orelha até a boca. Ele armazena todos os seus contatos, possui um relógio, alarme e tecnologia de ponta: ele narra o horário em voz alta. Sim, você pode pedir para que ele narre a qualquer momento, ou decidir que seu alarme seja: BOM DIA, É HORA DE ACORDAR, SÃO SETE HORAS E VINTE MINUTOS.

A diferença é comprar um gadget com função celular e um aparelho de uso único. Quer dizer, tem calculadora, MP3 e rádio FM, mas nem por isso se torna multimídia. Não suporta fotos, sabe, não tem câmera. Sem contar que sua bateria dura mais de uma semana. Talvez uns 4 dias usando o MP3 player todo dia.

Isso era pra ser um review de produto.

Que fase, amigos

Daí uma mulher me manda um SMS DO.NADA:

ola meu anjo kd vc ta td bem ? vc muito especial que deus te tudo de bom em dobro estamos bem graças a deus bom fique na paz deus te abençoi muito bjs!!

Não sou eu, presumo.

Ela repete a mensagem outras três vezes durante a semana. Não tenho créditos, mal uso esse celular, mas gente ainda me liga nele, so… Tive de deixar a coitada mandar mais mensagens até reparar que estava enviando pra pessoa errada. E então, nova mensagem:

ops . descupe flor foi uma mensagem errada pra vc eu acho: meu cel tá doido = rsrsrs

Pensei poucas vezes sobre o assunto, mas, com esta mensagem, cancelei da mente, manja? E aí, no outro dia…

Amiga que felicidade que [presente] de [coração].

Nesta mensagem, as palavras presente e coração eram emoticons, que eu não imaginava poder enviar via SMS, mas, acredite, é possível. A orkutização chegando a lugares nunca antes imaginados. Brasil, um país para todos.

E ela tá frenética. Já fiquei sabendo que alguém engravidou: o amiga to muhto feliz pois agora vou ser tia, agora que meu marido vai alugar esta casa para nns bjs. Ah, e outra coisa: cah o odair vai na quarta vc quer alguma coisa nao fq. com vergonha so tua amiga ok bjs.

Que vibe.

Adeus, Internet Móvel

Bem, bloquearam minha linha telefônica um dia antes do meu aniversário (isso vai estar também no post final sobre o inferno astral deste ano). Não recebi ligações dos milhares de amigos espalhados pelo país de meus 6 amigos atuais, nem vi as mensagens, e-mails, nada.

Por que? Porque eu não paguei.

Primeiro, me cobraram o dobro do valor nos últimos dois meses. Quando li a frase “Chegou sua conta” no envelope, imaginei alguém da Vivo segurando a risada e me entregando o envelope.

E eu, que só usava o smartphone por conta da internet móvel, ainda tentei explicar para a moça do atendimento que era uma cobrança indevida. Mas ela só fez parcelar em tantas vezes e me cobrar até o mês que eu não usei.

Vivo, incompreensão como nenhuma outra.

Agora, se me derem licença, vou desbloquear o celular, esquecer a Vivo e abraçar o SPC-Serasa. Bem-vindos à minha vida.

Robson Assis abandona a vida móvel deixando uma conta ativa no foursquare com seis badges.


Nossos sentimentos à família.