Filmes e mais filmes #cinemaday

Eu tentei ver ‘Alice no País das Maravilhas’, sozinho em casa, sem sucesso. Impossível ver filmes dublados quando você lembra a voz do ator. Depois tentei ‘Os delírios de Consumo de Becky Bloom’ com a Denise, por afeto, como podem imaginar. Quando eu achei que não conseguiria ver mais nenhum filme no final de semana, emendo esses três:

Tropa de Elite 2
Quase uma década de atraso sobre o filme porque não trabalhamos com hypes e prazos, OK? Filmes sobre os problemas de segurança pública do Rio de Janeiro além de se tornarem rotina para documentaristas sem muito o que fazer sempre enchem nosso vocabulário informal de termos e novas gírias como “o cara acha que é o pica das galáxias” e “quer me foder, me beija”, sem contar a inclusão inconsciente de ‘parceiro’ ao final de cada simples sentença. Como todos disseram, o segundo filme é menos sangue e mais raciocínio, menos neguinho correndo e mais político almoçando. De certa forma, essa receita conseguiu sair do lugar comum dos filmes sobre o RJ, na tentativa de explicar o labirinto que é o sistema, porque como diz a frase principal de Nascimento no filme, ‘o policial não puxa esse gatilho sozinho’. O filme quer apontar que o cerne da questão é tão profundo que quase chega a ser mítico. Filmaço, o primeiro (e talvez único) bom filme de ação nacional que conheci. Também pudera, ‘o sistema é foda, parceiro’.

Predador, Predator
Assisti ao lado da Denise que infelizmente lembra das cenas de quase 20 anos atrás como se tivesse visto o filme no cinema na semana passada. Que memória, amigos. Uma pena só ter servido pra contar antes e estragar parte das emoções com o Schwarzenegger e o Apollo (Rocky), carinhosamente apelidado por mim de SchwarzeNIGGER tendo em vista os bíceps dos malandros são duas versões da mesma parada. Também pensava que ver esses filmes novamente depois de tanto tempo feria uma regra importante da vida, a de que você deve eternizá-los no passado. Nada disso. É bom lembrar dessa época que os filmes não tinham relação direta com política e que o cara podia invadir pequenos vilarejos e matar todas as pessoas sem ser incomodado por questões de direitos humanos. Na época que os filmes de ficção não tentavam contar a história da humanidade através de parabólas, sabe? O Predador marca essa era.

Cisne Negro, Black Swan
Belíssimo filme, daqueles que misturam um mundo de uma mente perturbada com o mundo real (é exatamente isso que faz de ‘Clube da Luta’ e ‘Uma mente brilhante’ meus filmes preferidos). Natalie Portman é uma dançarina de ballet dedicada e insegura que, depois de ser escolhida para o papel principal em ‘O Lago dos Cisnes’ acaba carregando mais problemas do que pode suportar e termina com sérios danos psicológicos. O filme é sobre a busca do lado negro por uma menina boazinha e quase estúpida. Uma descoberta difícil e quase inalcançável, tendo em vista a rejeição da garota a novas experiências. Vale ressaltar, é possível ver o filme sem saber que diabos é ‘O Lago dos Cisnes’ e sem ter nenhuma referência sobre ballet. Achei menos piegas do que bradaram os críticos, mas quem confia neles? A inconstância e a fragilidade da protagonista fazem de Cisne Negro um excelente filme, sem dúvida, mais que uma simples história de superação, uma história sobre até onde os limites ultrapassados podem levar uma pessoa.

Alguns blockbusters #cinemaday

Só pra não perder, escrevo aqui sobre os filmes que assisti neste último final de semana pós natal e que renderam por todos os outros meses em que não assisti nada.

Meu malvado favorito, Despicable Me
Não gosto de animações, embora tenha de assistir quando a Denise aluga. Esta é uma daquelas em que o bem vence o mal, um filme que tomou muito cuidado para manter-se infantil, simples e agradável a todos os públicos. Meninas bonitinhas, um unicórnio de pelúcia e uma história pano de fundo completamente insana, mas bem legal se você é uma criança ou se você adora crianças, ou se você acha que roubar a lua e reduzir seu tamanho é algo aceitável para uma história de ficção. Um desenho bonito e bem humorado, para ver com os filhos, fica a dica para não soar muito rancoroso.

A Estrada, The Road
Outra dessas histórias apocalípticas, em que o mundo inteiro perece e sobram apenas boas pessoas (tomadas por protagonistas) e gangues de saqueadores canibais headbangers em super caminhonetes e armas pesadas (tomados por vilões). Numa das cenas, o personagem principal, que corre para o sul junto de seu filho e fugindo do encontros indesejados, mata um membro de uma gangue e consegue fugir. Quando estão a salvo, seu filho lhe pergunta: ‘ainda somos os homens bons?’. Acho que grande parte da mensagem que o filme quer passar se trata desta pergunta.

A Ressaca, Hot tub Time Machine
Não vale aqui discutir porque o filme The Hangover teve seu título traduzido como Se beber não case e Hot Tub Time Machine se chamou de A Ressaca. As histórias também são parecidas, ambas envolvem uma noitada e substâncias ilegais. Apesar disso, A Ressaca ganhou por ser uma comédia por demais absurda – se passa numa viagem do tempo para os anos 80 – como nos velhos tempos, com piadas sem graça que fazem você rolar no chão de rir (e chorar de rir ao rever o filme). Além disso tem um final empolgante, apesar de manter os personagens um pouco abandonados e sem força individual. Impróprio para nerds com teorias pré-fixadas sobre viagens no tempo.

Irmãos de Sangue, Leaves of Grass
Edward Norton é um renomado professor de filosofia numa faculdade, enquanto seu irmão gêmeo é um traficante que vive em sua cidade natal. Um excelente drama cujo único ponto negativo foi perder quase uma hora de enredo em uma tentativa de comédia que não acrescentou nada para o filme. Mesmo assim, inclui alguns diálogos sensacionais e um final que faz você se perguntar sobre a necessidade da cena em que uma aluna tranca a porta do professor e começa a arrancar a roupa. Deveria começar aos 58 minutos. 70% desnecessário, 30% épico, mas pra mim funcionou.

Um feriado e uns filmes #cinemaday

Tá certo, tava sol e tudo, mas e o frio? Feriado prolongado, marginais vazias em SP, nada como atravessar a cidade para ver minha garota e alugar uns bons filmes – o que é relativo, bem relativo.

Como sempre erro o que escolher na locadora (aluguei A Senha Swordfish três vezes e não lembrava que já tinha visto antes), atualmente só assisto coisas que me indicam, clássicos, aqueles filmes pique “como assim você não viu”? Mas fui encarregado da missão de pegar três ou quatro blockbusters para passarmos juntos o Corpus Christi. Peguei, então, três filmes que ela ia gostar e eu não iria enjoar mortalmente a ponto de dormir na metade achar ruim e tudo, e tal.

Começamos com Zombieland, comédia boa com o Mickey, do Assassinos por Natureza (eu percebi que não consigo assistir um filme com esse Woody Harrelson sem repetir “Natural Born Killer” pelo menos dez vezes) e com aquela pivetinha que fez Little Miss Sunshine. Eles matam zumbis que correm feito malucos. É tipo uma visão paralela daquele Eu Sou a Lenda do Will Smith. Interessante. Ah, e tem participação do Bill Murray.

Aí veio Julie e Julia, numa vibe meio As Horas, aquelas histórias sendo contadas em épocas diferentes, mas com um climão vai dar tudo certo no final, que ajuda bastante. Ah, a Meryl Streep está impagável neste filme. A outra atriz principal também, Amy Adams (que a gente jurava ser a Zooey Deschannel de cabelo curto).

E, pra fechar Onde vivem os monstros. Primeiro achei que era desenho, depois achei que era desenho com filme, no melhor estilo Dick Tracy. Depois vi que era uns bonecos animadores de torcida gigantes com sentimentos aflorados. Mas sim, o filme é excelente. Claro que, no final, uma conversa sobre as teorias psicológicas contidas em cada personagem em relação ao personagem principal ajudam muito na hora de dar uma nota final.

E aí, após muita comida descartável e muito amor, carinhos e carícias, estava eu, voltando pra casa, pra aturar mais uma semana inteira de… mas porra, hoje é sexta-feira!

Abs a todos os envolvidos.