O meu bagulho é ser invisível

Ser invisível é estar em par com o esquecimento, com as histórias não vividas, o upside down das vidas que ficaram pra trás. Conversas, pop ups, desabafos. Eu desabo todos os dias. Meus momentos de lucidez são pequenos e frágeis, escondidos em minhas figuras, em meus dias que passam breves, fugazes, instáveis.

Já não tenho mais grandes esperanças e o destino me parece uma pipa com a linha cortada, atravessando o Jardim Rosana e contemplando de sobra toda a imensidão do universo, mas sem saber onde vai cair. Esperando que seu futuro seja um pouco mais nobre do que a solidão de um poste da eletropaulo.

Ser invisível, no fim das contas, era o meu bagulho desde o começo.

no consultório médico

– Moço, não pode apoiar os pés em cima da cadeira.
– Ah é, moça? Pois sabe o que também não pode? Me fazer ligar aqui e marcar um exame para as 13h20 e chegar me dizendo que o médico só atenderá a partir das 14h deliberadamente, porque vocês presumiram que eu pudesse gastar uma hora a mais do meu dia aqui dentro da merda desse consultório sem wi-fi de vocês. E tem outra coisa, eu estou perdendo a paciência e você devia me ouvir quando eu digo que colocarei meus pés na sua cara se não for em cima dessa adorável cadeira. Tá vendo essa arma? É uma pistola com o pente cheio e pronta para disparar em qualquer filho da puta que venha me falar qualquer m…

– SENHOR ROBSON CARLOS, sua vez.

(pareço legal, mas finjo que sou o Jules do Pulp Fiction mentalmente)

mas veja pelo lado positivo

Meu karma profissional certamente será escrever e-mails cheios de códigos html, setas e print screens para ninguém entender e ficar absolutamente desconfortável de vir falar comigo e dizer “pô, cara, mas precisava mesmo de tudo isso? a galera tava de boas aqui curtindo um facebook, saca? que brisa roubada, cara”.

Voltar de férias certamente não me fez lá muito bem. S. disse que é uma fase e vai passar, acontece às vezes isso de querer mudar o mundo, ou o ambiente da empresa, ou tudo o que você está vendo de errado e ninguém sequer vai dar o braço a torcer, porque é melhor deixar as coisas como estão. O que acaba acontecendo também é a indiferença alheia se tornar um tsunami de merda em cima das suas expectativas (quem criou mentalmente a imagem de uma onda de fezes vindo em sua direção bate aqui o/\o).

Eu, daqui da minha mesa, vejo que o tempo faz da gente mais derrotado, mais quieto, mais submisso. Eu tive 20 dias inacreditáveis nesse último induto. Eu vi meus pais e meu irmão tantas vezes quanto pude, vi muitos dos melhores amigos do mundo, frequentei o futebol de terça, gastei quantias inenarráveis com festas, shows, pequenos vícios e cervejas de qualidade duvidosa, as quais estarei pagando com pouco arrependimento pelos próximos meses. E eu, honestamente, estava com vontade de voltar logo a trabalhar.

Pode ser idiossincrasia, mas pode ser só idiotice também.

Deixe de lado esse baixo astral erga cabeça enfrente o mal que agindo assim será vital para o seu coração a minha objeção por este mundo corporativo mesquinho. Por mim, este trampo de redator duraria 3 horas diárias e poderia ser feito do celular, mas quem sou pra falar qualquer coisa nesse sentido, Domenico de Masi?

Daí você volta para um mundo em que as pessoas não se conversam, mal se olham, não trabalham tanto em equipe quanto você imaginava que elas devessem trampar. Cada um está batendo suas pequenas metas, detestando barulhos diferentes do comum comendo em suas marmitas de plástico e indo embora pro fretado. Reiniciando tudo às 6h. E você vai falar o que acha que tem de falar, vai mandar e-mails cheios de print screens e boas ideias. Vai se empolgar com a ideia de alguém se empolgar com as suas ideias e fazer do seu trampo um lugar melhor.

E vai encontrar o vazio e o silêncio das teclas nas outras baias.

Então com o tempo vai cessar a sua vontade de mandar e-mails ou de dar ideias. Você vai voltar a entrar de cabeça baixa e bater suas pequenas metas. Detestar qualquer barulho diferente do comum. E comer em sua marmita de plástico. E ir embora de fretado, reiniciando tudo às 6h da manhã.

Dói ser gente, hein?

Google Reader, vasto Google Reader

Dessas redes, ferramentas e mídias sociais, sem dúvida a que utilizo com maior frequência é o Google Reader, este leitor de feeds RSS vinculado a uma lista de seus contatos que compartilham absurdos do R7, gif animados porn e memes notícias, links e imagens diversas. Você pode separar os feeds que assina em pastas por assunto ou interesse, como bem entender. Bem, como isso não é um tutorial, você pode ver como funciona através deste vídeo.

O fato é que eu acabei criando algumas regras particulares sobre os feeds que assino. Claro, tudo com um pouco de manias patológicas criatividade e algum bom senso:

  1. Se o site libera pelo feed apenas um resumo da notícia, eu não assino, com raras exceções (te amo Folha¹, amo vocês cartuns da New Yorker²).
  2. Se eu não costumo ler e apenas passo o olho pelos títulos, deixo de assinar o feed. É uma perda de tempo sem tamanho.
  3. Ao se tratar de sites especializados com o qual não tenho a menor relação, mas me interesso esporadicamente por seus subtemas genéricos, como astronomia, física ou política (shame on me), costumo seguir usuários que compartilhem só notícias interessantes relacionadas, o que me livra de ter que ler 14 artigos inteiros desinteressantes e encontrar apenas um parágrafo que valha a pena.
  4. Não acompanho feed de quase nenhum dos blogs que sigo através do Google Conect (o quadro de seguidores que está logo abaixo na barra lateral), com exceção dos amigos e de outros mais interessantes. Neste caso, o Connect serve apenas para incentivar o blog do fulano a se tornar algo utilizável um dia.
  5. Como estratégia para otimizar leitura, leio primeiro os itens compartilhados das pessoas que sigo, para só então partir para meus feeds. O que pode causar algum transtorno menor ao compartilhar duas vezes o mesmo artigo, mas é também uma forma de usar o cool hunting a seu favor.
  6. Em hipótese alguma uso a aba ‘Explore’, que indica feeds que você deve seguir e funciona como o Who to follow do Twitter (que indica o Tico Santa Cruz pra todo mundo e não precisa de mais explicações, certo?). Alguns feeds, ao assinar, deixam uma mensagem do tipo ‘você deveria seguir estes também’. Não caia nessa. Você vai querer tirar aqueles feeds da lista na semana seguinte.
  7. Só compartilho itens que realmente dou risada até chorar ou notícias com maior critério de apuração, sobre qualquer coisa que me interesse e que possa interessar a outro alguém.

São essas minhas manias estranhíssimas dicas.

So doente?

¹NOT
²Tem quem não ame esses cartuns?