duas coisas que odeio

O grande problema do cinema nacional não é que os filmes não tenham final. Não é também que tenham um final autoral que fala muito sobre a alma do diretor ou do escritor ou do bezerro que o porteiro do estúdio deu de presente pra filha. O grande problema do cinema nacional não é o fato dos personagens sempre parecerem estar em um certo lado B das novelas da globo, nem o fato de terem umas atuações tão básicas e, no máximo, medianas, muitas vezes pelas limitações de uma história sem profundidade. O grande problema do cinema nacional não é contar histórias que se passam apenas em comunidades carentes ou em coberturas luxuosas de Copacabana. O grande problema não é pegarem franquias-lixo (se é que você pode dizer que “Se eu fosse você” é uma franquia) para torcerem até sair o último centavo do último merchandising do último programa da série que também inventaram pra cavar mais dinheiro de um público que ainda dá risadas de qualquer bobagem seja ela preconceituosa, disseminadora de ódio ou coisa que o valha. O grande problema do cinema nacional é o Lázaro Ramos fazendo todos os papéis principais o tempo todo.

*

Eu detesto o trampo de Romero Britto. Sério. Na real, eu detesto trampos que tem um trabalho exterior maior do que as próprias obras. Romero Britto é uma marca, com uns coraçõezinhos e montes de cores. Pra mim. Não esquenta, eu não vou reclamar da sua bolsa temática, ou do seu tênis com as cores alegres. Entrei no bolo das pessoas que o odeiam quando saiu aquela entrevista dele se comparando a Picasso (o PDF ainda está no site, veja bem). Esse Noel Galagher das artes disse que era parecido com o cara que aprendeu a pintar antes de aprender a andar. Que é tão lutador quanto o cara que foi dado como morto no nascimento e voltou a respirar depois de um tio ter assoprado a fumaça do charuto em sua boca. Aí, tudo bem. Semana passada rolou um nerdcast sobre a vida desse fulano e eu ouvi entediado como o último usuário de uma lan house esquecida no centro de São Paulo. Tinha toda uma cara institucional e tava realmente chato. Então ele passou a dizer sobre a infância, sobre como era difícil ouvir ordens de seus irmãos mais velhos, sofrer bullying por gostar de desenhar etc. Me compadeci. Entendi a história do cara como a de alguém que conseguiu se libertar de amarras sociais e trabalhou para que suas obras ganhassem o mundo. Acho que me vi desolado com a possibilidade de alguém tão preopotente ter um background ao menos minimamente gente boa.

O Texas, definitivamente, não é aqui

Escolhemos o domingo a noite para pegar um filme no shopping Villa-Lobos. Porém, os horários avançavam demais madrugada adentro pra ver uma comédia romântica ou um filme que dava pra esperar em DVD.

Decidimos jantar lá.

O shopping porta uma praça de alimentação respeitável, sem dúvida. Sempre me deixa escolhendo por horas e tal. E então, pra não escolher o Burger King rotineiro, decidi pelo Jack Ribs.

Ao chegar no balcão e pegar o cardápio, as atendentes pararam as piadas internas e contiveram os risinhos na medida do possível. Eu não sou um cara excessivamente chato. Sei quando preciso ser respeitado e sei quando não dar a mínima. E aquele era um momento ‘não dar a mínima’.

Pedi meu sanduíche com fritas, sentei esperando minha senha. Quando chegou, o lanche tinha a parte de baixo encharcada pelo molho barbecue (I hope so). O pão estava duro, amanhecido e recém retirando do microondas.

O hamburguer de picanha era lindo, sério, mas fora feito de maneira tão porca que estava cru por dentro e parecia chiclete de carne. As batatas eram claramente velhas e requentadas. Pelo menos com o refrigerante estava tudo certo.

Apesar da crítica positiva no blog Eu Comi – pedi exatamente o mesmo combo relatado no post do Guilherme, com exceção da Coca-cola ao invés de Fanta – tive uma primeira impressão tão terrível do serviço prestado pelo Jack Ribs que dificilmente voltarei lá.

Da próxima vez é Whooper, sem inventar.