Este é sobre política e pode pular, sério

“Eu morava na mesma rua do Neymar. Vi ele nascer e tudo, coisa linda, moleque bonzinho. Começou a jogar bola na rua de casa mesmo, ali, pés descalços. Eu na verdade nunca gostei muito porque sempre sobrava bola voando na cabeça dos que estavam de passagem, como eu.

Certa vez, Neymar, do alto de seus cinco anos de idade chutou a bola pra fora da “quadra” que se fazia na rua e a bola veio em minha direção.

Eu parei a bola nos pés e devolvi. Neymarzinho voltou, alegre a tocar bola com os amigos. E foi assim que eu dei ao mundo um dos maiores craques do futebol de todos os tempos. Obra minha. Tudo que ele joga é obra minha.”

(este texto fictício serve apenas para dizer como me sinto quando Aécio diz que o Bolsa Família é do PSDB)

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Usar o Facebook está impraticável. Quando as pessoas querem vencer algo, é melhor deixá-las mesmo, acho que aprendi esse desapego com F. dia desses. Eu gostaria muito de ver Dilma presidenta por mais quatro anos, embora tudo esteja conspirando para termos aí um babaca sem escrúpulos cuja equipe de campanha tem o dom de esconder provas contra ele durante a campanha, uma vez que daqui a pouco todo mundo deixa isso pra lá.

Já disse pros amigos que esta, muito provavelmente, vai ser a pior ressaca eleitoral de todos os tempos. Obviamente nada vai mudar pra mim, que tenho lá alguns privilégios (e não me entenda errado, por “privilégios” eu considero um carro, um apê alugado, comida na mesa e um emprego), mas quem precisa deste país certamente vai ver as suas prioridades num limbo de pelo menos quatro anos.

Eu queria acreditar num Brasil que ainda é pobre, de gente que ainda mora muito mal e convive com os piores tipos de necessidades diárias. Aécio não está aqui para mudar nada. Está aqui para sugar e devolver o país para quem quer ver tudo isso crescer de cima e não fundamentalmente. Em uma lógica meio rasa é como se você não se importasse que pessoas morram de fome, desde que você possa comprar o seu Playstation 4 com dólar 1 pra 1.

Este candidato me irrita. Dentre muitos que já teve o PSDB, este, particularmente, me tira do sério, mas talvez nem seja por sua pose de playboy, ou todas as suas merdas já publicadas e maquiadas ou não respondidas. Me irrita ver gente que confia nele como se ele realmente fosse uma alternativa palatável para um país. É como se o Justin Bieber cuspisse na sua cara e você ainda assim quisesse um autógrafo.

Ou, neste caso, que ele dirigisse o seu país.

Nenhum voto para Aécio.

Notas do trânsito

Além de toda essa minha biografia jornalista, escritor e whatever, sou também criador e cool hunter de jargões politicamente incorretos para um trânsito menos opaco. Isso tudo, basicamente consiste em inventar e perceber expressões e frases de efeito para serem utilizadas sem critério, em qualquer ocasião, neste emaranhado de ruas que chamamos de cidade.

Existe também uma linha padrão para esse tipo de criação: é feito sempre quando minha garota está no carro. Quanto mais vergonha ela sente, mais eficiente é a expressão.

A mais nova – que eu não me arrisco mais a dizer ao lado da Denise, depois de um pedido formal (ameaças included) – acontece quando você pára num cruzamento e o carro na outra rua também pára. Você dá sinal para ele passar, mas ele não passa e só acaba saindo do lugar quando você também decide sair. Daí você rasga na frente dele e quando passa o mais próximo possível do carro, grita:

-TÁ INDECISO? DILMA É 13!

Acredito que não seja necessário esmiuçar aqui todo esse enorme trabalho de pesquisa sociológica por trás dessas expressões (mesmo se existisse algum).


1. Post na vibe do Curso de Etiqueta para Principiantes, um dos sensacionais blogs aleatórios do meu amigo Sandro.
2. Não, eu não votei na Dilma.