Segundo melhor lugar do mundo

O rolê hipster de ocasião no domingo foi uma manhã e tarde quase noite de risadas para desafogar com N. e R., desde a Augusta até a adega, passando pelo chá da tarde na Benedito Calixto e R. chamando as pessoas de Angélica e o garçons de Alfredo, basicamente, resumindo bem porcamente o rolê mais legal do ano até então.

Voltamos um tanto tarde, eles precisavam viajar de volta pra casa e então os deixei em Pinheiros e passei por um lugar que não ia faz muito tempo (é, esse da foto), um lugar que eu costumava frequentar, do qual tenho uma pancada de lembranças, mas um lugar que ficou pra trás, como todos os outros lugares ficam pra trás.

Este lugar é um retiro. É uma praça que você só encontra errando muitas ruazinhas no começo do Alto de Pinheiros. Feita para tiozinho brincar com cachorro e fazer exercício pela manhã. Uma praça na qual o primeiro cigarro que você acende faz você se sentir automaticamente um punk sem futuro – especialmente pelas caras de ódio e negação que fazem as tiazinhas ricas praticando corrida, seu lixo.

Deitei no banco da praça tentando te esquecer adormeci e sonhei com você apenas para esvaziar a cabeça, admirar as árvores, receber picadas de uns pernilongos mais ligeiros que meus tapas. Não tinha ninguém lá. A tia que corria em volta parou depois de um tempo, provavelmente com receio de dar alguma merda, uma vez que apareci do nada, como um fantasma ou um sequestrador (não julgo, mas #freerolezinho).

É o segundo melhor lugar do mundo. O primeiro melhor lugar do mundo é a internet obviamente fica dentro de clube para funcionários públicos perto do Jd. Horizonte Azul. Não tem nada a ver com o clube. É apenas um espaço de grama que dá pra ver a represa de Guarapiranga como nenhum outro lugar (ninguém passa por lá também, o que é uma excelente prerrogativa para ser candidato a melhor lugar do mundo).

Os lugares continuam sendo lugares, os fuscas azuis continuam sendo fuscas azuis. E a vida vale cada vez menos, escorrendo pelos dedos sem a gente notar. Parece poético, mas eu estava num estado de embriaguez semi transtornado nível 7: precisando demais de um teletransporte pra casa.

(sobre a foto: sim, é um sapatênis, me processe. prometo, para breve, uma elegia ao sapatênis. 2014, bitches)

Ensaios Dominicais

Assistir Multishow no final de semana geralmente significa que algo grave aconteceu, ou está acontecendo, embora isso não venha ao caso. Estava vendo aquele programa em que eles pegam uma celebridade e fazem com que ela tenha um trabalho comum por um dia. A idéia é que o atorzinho da novela das oito deixe o Projac e tenha seu dia de garçom, vendedor de loja ou faxineiro de shopping.

Quando toda a diversão que lhe resta ao redor é uma programação de domingo entediante, esse programa se torna automaticamente uma coqueluche do entretenimento barato, da qual consigo inclusive esperar os comerciais – com o devido desvio de pensamento de todas aquelas propagandas ‘geniais’ (NOT).

Isso quando as pessoas que participam são famosas e tal. Engraçadinho ver a Angélica tropeçar com as bandejas de suco na mão, ou o Arnaldo César Coelho de taxista, por exemplo. Mas quando colocam alguém desse mundo B de celebridades, não faz sentido algum. Se o cara vai passar batido e uma ou duas pessoas vão reconhecê-lo ‘de algum lugar’, qual a diferença dele pra todos nós, reles mortais, sem crachá de acesso aos estúdios do Projac?

Claro, não parei de assistir até o final.