Livros e filmes de fevereiro

Fevereiro foi um mês curto, de poucas ideias, de algumas neuroses, crises semanais intensas que começavam assim que terminava de subir os quatro lances de escadas até chegar no meu apartamento sempre lotado de gente falando, conspirando, sonhando, prometendo. O pior problema de fevereiro certamente foi não ter refúgio, não se sentir em casa em lugar nenhum, nem com ninguém.

“Tudo na vida é um país estrangeiro”, Jack Kerouac, um monstro na arte de sacar gente que não se encaixa.

Seguimos em frente fingindo que tá tudo bem, que o futuro está garantido e que a gente sempre vai ter pra onde correr quando tudo ruir de novo na nossa cabeça. Caso alguém encontre a minha fé na humanidade perdida por aí, guarda num potinho e reserva que eu pego no fim de semana.

Beijos de luz.

Livros
A Sangue frio, Truman Capote ★★★★★
O diabo sempre vem pra mais um drink, Nenê altro ★★★★

Filmes
O segredo dos seus olhos ★★★★★
Medianeras ★★★★★
O Regresso ★★★★
Spotlight ★★★★★
Creed ★★★★★
Orfeu ★★★
Donnie Darko ★★★
Stille Hjerter ★★★

Séries
Z Nation, season 2 ★★★
Fear the Walking Dead, season 1 ★★★

Just when I thought I was out, they pull me back in

God Bless America é uma paródia sobre a vida (senta que lá vem spoiler, se não assistiu, prossiga por sua conta e risco). O filme conta a história de um cara que foi impulsionado a se declarar agressivamente contra a sociedade matando ícones pop da moda: apresentadores polêmicos, estrelas teen de programas juvenis, em determinado momento ele assassina até o Lucas Celebridade do enredo.

Acontece que era um cidadão comum, com um trabalho comum e uma família despedaçada, embora comum. Ter absorvido a mediocridade materialista de sua filha pequena, o fato de ter sido demitido do emprego por uma denúnica de assédio feita por uma moça a quem ele havia entregado flores; e, por fim, descoberto um tumor no cérebro foi o gatilho principal para que ele se transformasse num assassino em série (e depois encontrado uma menina, essa sim, psicopata por natureza, para lhe acompanhar).

A fábula é tão boa que, embora ele esteja matando pessoas que estão fazendo do mundo uma porcaria, ninguém se dá conta disso. A mídia diz algo sobre o esquadrão de Bin Laden quando ele mata o Reinaldo Azevedo da história. Ninguém está preparado para alguém que quer apenas eliminar do mundo todo esse chorume.

No fundo, é basicamente a mesma ideia de Breaking Bad e do Michael Corleone no Poderoso Chefão III. Um cara tentando fazer a coisa certa e sendo pressionado pra dentro de um outro universo.

God Bless America fala sobre o cara que está tentando se segurar contra toda a avalanche de vizinhos bizarros, empregos sem sentido e conversas sobre nada em absoluto. Ele está tentando fazer a coisa certa, se mantendo firme e achando todo aquele mundo simplesmente muito escroto. Interessante o trecho quando lhe perguntam se ele não assiste o “American Idol” porque se acha bom demais para o programa e ele responde: “sim, me acho bom demais para um karaokê de pessoas sem talento”.

O filme, acima de tudo, traz à tona aquela velha expressão que em linguagem do orkut se diz “bonzinho só se fode” – frase que em 2005 vinha sempre acompanhada de uma belíssima ilustração de um menino com um balão e flores e uma menina ao fundo saindo com um cara num carro conversível, tudo em preto e branco. Não, melhor! Só o balão e as flores com cores vivas, pra dar aquele contraste necessário – e no fundo a frase/moral diz sobre como ser uma boa pessoa é, ao mesmo tempo, dar o aval pra que aproveitadores façam o seu trabalho.

Claro que ser um cara meio troxa pro mundo não lhe dá exatamente o direito de escolher astros pop detestáveis para assassinar ou mesmo produzir e vender metanfetamina no seu bairro, mas taí algo a se pensar.

Dá pra absorver bastante dessa moral toda. Do quanto você se entrega e está disponível a ajudar pessoas que não estão dando a mínima. E, caso você tenha todo esse coração cristão que este que vos escreve herdou da família, você pode até pensar que a maldade alheia é impensada, desproposital. Sim, pode acontecer. De qualquer maneira, o que vai ser pra sempre proposital é o fato de alguém que tenha lhe apunhalado pelas costas em nenhum momento estava pensando em como você ia se sentir.

E ainda vai ligar no seu celular pedindo dinheiro pro cigarro.

*

Era pra ser uma resenha, mas acabou sendo um ótimo post pro Cantinho da Indireta, não acham?

Lembre-se do quinto dia de novembro

O melhor filme que já vi no cinema foi V de Vingança. Não quero aqui entrar em méritos menores me perguntando se a história é igual a do quadrinho (não é) ou o fato de não ser um filme cult o bastante para alguns de meus amigos hipsters xiitas que perdi com o fim do compartilhamento moleque do Google Reader.

‘Remember, remember, the 5th november’. Passei uns anos ficando nervoso quando lembrava dessa frase no dia sete de novembro, perdendo o timing de trocar meu avatar pela máscara do Guy Fawkes e me juntar a multidão (essa é uma espécie de W.O que os amigos normais tiveram sobre mim que, claramente, não amadureci um segundo desde o colegial).

Foi nessa época que li umas paradas de Luther Blisset, o eterno heterônimo coletivo e outros textos da Wu Ming Foundation – ainda deve ter algum disponível no site.

Hoje, 5 de novembro, cinco anos depois do lançamento do filme e quase trinta anos do lançamento da revista em quadrinhos, venho aqui prestar essa “homenagem”, neste momento de ocupações mundiais, passeatas, quebra-quebra em que o Mini Manual do Guerrilheiro Urbano possa ter se transformado livro de cabeceira de uma geração. Eu sei, seria suficiente dizer que aplaudi e fiquei maluco na cadeira da sala de cinema. Mas V de Vingança se tornou um padrão para o que definir por filme bom: a oportunidade de sair do lugar tremendo e como se o mundo houevsse mudado completamente lá fora; atordoado pela quantidade de pescotapas morais e, principalmente, mais vivo do que nunca.

Os homens mais perigosos da América

Daniel Ellsberg é o nome por trás do caso Pentagon Papers, que revelou ao mundo as mentiras desferidas durante a guerra do Vietnã. O documentário The Most Dangerous Man in America, de 2005, descreve com detalhes seus feitos para a história da democracia, às vezes em citações, às vezes em declarações humanas como essa:

“Em 4 de julho de 1946, viajávamos para Denver passando pelos milharais de Iowa. Um dia muito quente, ao meio dia, meu pai adormeceu ao volante e o carro saiu da estrada rumo a um canal, uma parede no lado da pista e arrancou o lado do carro onde estavam sentadas minha mãe e minha irmã e as matou. Eu estava do outro lado, atrás do motorista, tive uma concussão e quebrei um joelho, fiquei em coma por 36 horas e no hospital por cerca de três meses e meio.
Creio que isso provavelmente me deixou a impressão de que alguém que amava, como meu pai, ou que eu respeitava como autoridade podia dormir no volante. E tinha de ser observado, não porque fosse mau, mas porque estava desatento, talvez, quanto aos riscos.
11 meses antes quando eu tinha 14 anos, Hiroshima e Nagasaki tinham sido destruídas. Fiquei muito preocupado com essa sequência de fatos humanos. Pensei que era muito sinistra. O que eu via como um ato moral extremamente questionável do nosso presidente que eu admirava, Harry Truman, confundiu-se em minha cabeça com a falha do meu pai em ficar alerta e permitir que o carro matasse minha mãe e minha irmã”

Narrado por ele próprio, a história é contada através de fragmentos, como de costume, e remontada por meio de locuções épicas, declarações presidenciais, entrevistas, capas de jornais. Apresenta o personagem por completo, não apenas um revolucionário tentando quebrar as regras do mundo, mas sim um homem simples e sensato, em busca do que acha verdadeiro.

Um documentário sensacional, por apenas 700MB no Torrent mais perto de você.

Filmes e mais filmes #cinemaday

Eu tentei ver ‘Alice no País das Maravilhas’, sozinho em casa, sem sucesso. Impossível ver filmes dublados quando você lembra a voz do ator. Depois tentei ‘Os delírios de Consumo de Becky Bloom’ com a Denise, por afeto, como podem imaginar. Quando eu achei que não conseguiria ver mais nenhum filme no final de semana, emendo esses três:

Tropa de Elite 2
Quase uma década de atraso sobre o filme porque não trabalhamos com hypes e prazos, OK? Filmes sobre os problemas de segurança pública do Rio de Janeiro além de se tornarem rotina para documentaristas sem muito o que fazer sempre enchem nosso vocabulário informal de termos e novas gírias como “o cara acha que é o pica das galáxias” e “quer me foder, me beija”, sem contar a inclusão inconsciente de ‘parceiro’ ao final de cada simples sentença. Como todos disseram, o segundo filme é menos sangue e mais raciocínio, menos neguinho correndo e mais político almoçando. De certa forma, essa receita conseguiu sair do lugar comum dos filmes sobre o RJ, na tentativa de explicar o labirinto que é o sistema, porque como diz a frase principal de Nascimento no filme, ‘o policial não puxa esse gatilho sozinho’. O filme quer apontar que o cerne da questão é tão profundo que quase chega a ser mítico. Filmaço, o primeiro (e talvez único) bom filme de ação nacional que conheci. Também pudera, ‘o sistema é foda, parceiro’.

Predador, Predator
Assisti ao lado da Denise que infelizmente lembra das cenas de quase 20 anos atrás como se tivesse visto o filme no cinema na semana passada. Que memória, amigos. Uma pena só ter servido pra contar antes e estragar parte das emoções com o Schwarzenegger e o Apollo (Rocky), carinhosamente apelidado por mim de SchwarzeNIGGER tendo em vista os bíceps dos malandros são duas versões da mesma parada. Também pensava que ver esses filmes novamente depois de tanto tempo feria uma regra importante da vida, a de que você deve eternizá-los no passado. Nada disso. É bom lembrar dessa época que os filmes não tinham relação direta com política e que o cara podia invadir pequenos vilarejos e matar todas as pessoas sem ser incomodado por questões de direitos humanos. Na época que os filmes de ficção não tentavam contar a história da humanidade através de parabólas, sabe? O Predador marca essa era.

Cisne Negro, Black Swan
Belíssimo filme, daqueles que misturam um mundo de uma mente perturbada com o mundo real (é exatamente isso que faz de ‘Clube da Luta’ e ‘Uma mente brilhante’ meus filmes preferidos). Natalie Portman é uma dançarina de ballet dedicada e insegura que, depois de ser escolhida para o papel principal em ‘O Lago dos Cisnes’ acaba carregando mais problemas do que pode suportar e termina com sérios danos psicológicos. O filme é sobre a busca do lado negro por uma menina boazinha e quase estúpida. Uma descoberta difícil e quase inalcançável, tendo em vista a rejeição da garota a novas experiências. Vale ressaltar, é possível ver o filme sem saber que diabos é ‘O Lago dos Cisnes’ e sem ter nenhuma referência sobre ballet. Achei menos piegas do que bradaram os críticos, mas quem confia neles? A inconstância e a fragilidade da protagonista fazem de Cisne Negro um excelente filme, sem dúvida, mais que uma simples história de superação, uma história sobre até onde os limites ultrapassados podem levar uma pessoa.

Final de blockbuster



Uma mesa de dinner, um casal, conversando sobre tudo o que passaram para chegar até ali, todas as agruras da saga, algumas piadas que só fazem graça muito tempo depois. A câmera se afasta, a conversa diminui, a tela começa a escurecer, casting…

Você levanta da cadeira com o saco de pipoca já amassado em direção ao cesto de lixo superlotado na saída do cinema e, ao rememorar o filme, lembra daquele amigo mais pessimista que tem uma idéia mal formada sobre sucesso e felicidade (que ele aprendeu em ‘Pessimismo for Dummies’, livro padrão para a raça). Ele diz que prefere juntar 50 reais por mês pois, quando estiver com uns 65 anos, vai poder dar uma boa entrada naquela moto importada lindona, sonho da sua vida.

Note, ‘aos 65 anos’.

Daí você começa a pensar em como nego não quer ter uma história com final feliz todo dia, ainda que seja apenas um final cheio de esperança, sorriso, abraço, ou uma noite com seus amigos e um XBox, que leve a um entendimento maior do esquema tático do Barcelona no Fifa 11. Porque qualquer outro entendimento sobre a condição humana deve passar antes pelo crivo do esquema tático do Barça no supracitado jogo.

Não que realmente exista um final de 500 Days of Summer todo dia. Alguns dias podem jogar com aquela vibe Flores Partidas do Bill Murray, o filme mais angustiante de toda minha vida, outros podem ter finais cult, ou até finais B, matando uma barata, ou espremendo um cravo em frente ao espelho. Claro, estou, as usual, saindo do assunto.

Meu amigo pessimista não quer finais menores. Mesmo que isso custe sentar na sua mesa de dinner daqui há 30, 35 anos. Enquanto isso, vive misérias, desconta frustrações, cria intrigas e faz parte da estatística de filhos da puta responsáveis pela Manoelcarlização da vida.

Alguns blockbusters #cinemaday

Só pra não perder, escrevo aqui sobre os filmes que assisti neste último final de semana pós natal e que renderam por todos os outros meses em que não assisti nada.

Meu malvado favorito, Despicable Me
Não gosto de animações, embora tenha de assistir quando a Denise aluga. Esta é uma daquelas em que o bem vence o mal, um filme que tomou muito cuidado para manter-se infantil, simples e agradável a todos os públicos. Meninas bonitinhas, um unicórnio de pelúcia e uma história pano de fundo completamente insana, mas bem legal se você é uma criança ou se você adora crianças, ou se você acha que roubar a lua e reduzir seu tamanho é algo aceitável para uma história de ficção. Um desenho bonito e bem humorado, para ver com os filhos, fica a dica para não soar muito rancoroso.

A Estrada, The Road
Outra dessas histórias apocalípticas, em que o mundo inteiro perece e sobram apenas boas pessoas (tomadas por protagonistas) e gangues de saqueadores canibais headbangers em super caminhonetes e armas pesadas (tomados por vilões). Numa das cenas, o personagem principal, que corre para o sul junto de seu filho e fugindo do encontros indesejados, mata um membro de uma gangue e consegue fugir. Quando estão a salvo, seu filho lhe pergunta: ‘ainda somos os homens bons?’. Acho que grande parte da mensagem que o filme quer passar se trata desta pergunta.

A Ressaca, Hot tub Time Machine
Não vale aqui discutir porque o filme The Hangover teve seu título traduzido como Se beber não case e Hot Tub Time Machine se chamou de A Ressaca. As histórias também são parecidas, ambas envolvem uma noitada e substâncias ilegais. Apesar disso, A Ressaca ganhou por ser uma comédia por demais absurda – se passa numa viagem do tempo para os anos 80 – como nos velhos tempos, com piadas sem graça que fazem você rolar no chão de rir (e chorar de rir ao rever o filme). Além disso tem um final empolgante, apesar de manter os personagens um pouco abandonados e sem força individual. Impróprio para nerds com teorias pré-fixadas sobre viagens no tempo.

Irmãos de Sangue, Leaves of Grass
Edward Norton é um renomado professor de filosofia numa faculdade, enquanto seu irmão gêmeo é um traficante que vive em sua cidade natal. Um excelente drama cujo único ponto negativo foi perder quase uma hora de enredo em uma tentativa de comédia que não acrescentou nada para o filme. Mesmo assim, inclui alguns diálogos sensacionais e um final que faz você se perguntar sobre a necessidade da cena em que uma aluna tranca a porta do professor e começa a arrancar a roupa. Deveria começar aos 58 minutos. 70% desnecessário, 30% épico, mas pra mim funcionou.

About a boy

Nesse final de semana terminei o segundo livro do Nick Hornby, ‘Um Grande Garoto’. Livro que, tal como Alta Fidelidade, virou filme retrato-de-uma-geração.

Confesso ter achado meio enfadonho todo aquele clima do sujeito vagabundo que não entendia a vida mesmo depois dos trinta – como se em alguma idade a gente pudesse compreender tudo -, mas o livro começa a embalar pela forma que a história é contada a partir de diversos pontos de vista. Do vagabundo trintão, do garoto que usa uma lógica ortodoxa para lidar com situações corriqueiras, de sua mãe depressivo-maníaca, até do Kurt Cobain em fase terminal.

Ao final de tudo, uma história simples de famílias desestruturadas e um personagem alheio a humanidade (ah, os valores contemporâneos!) se torna uma trajetória emocionante de confiança, respeito e aprendizado, escrita no melhor estilo que o Nick Hornby sabe fazer, ilustrando cenas com músicas, nomes de cantores e jogadores do Arsenal.

Pegamos uns filmes também

Simplesmente Complicado, com a versátil da Meryl Streep interpretando uma mãe divorciada, o Steve Martin – que comecei a chamar de Leslie Nielsen Jr. – num papel meio derrotista e o deselegante do Alec Baldwin fazendo piadas sem graça como no 30 Rock. Se eu assistir mais um filme com a Meryl Streep cozinheira, sério, me mato.

Coração Louco, com o Jeff Bridges, inspirado em um livro que ainda não descobri. Sobre a história de um astro falido da música Country, um renegado, um true.  Esperava que fosse uma história real, por conta do roteiro meio lento que faz sentido quando é o Johnny Cash ou o Elvis, mas não quando é um Bad Blake, Bad Who? Bem, até agora achei pouca coisa sobre. De qualquer forma, o filme tem uma excelente fotografia e trilha sonora com umas músicas do Jeff Bridges mesmo. Me fez baixar novamente uns discos do Hank Williams.

Um Homem Sério, filme em que os Irmãos Coen tentam te confundir, criar causalidades em casualidades e jogadinhas de câmera, com a moral de dizer “aceite o mistério”. Gostei do humor negro das situações, da idéia do “até quando?” do Bukowski, dos anos 70, não curti o jeito de não te explicarem nada direito.

Qual o filme da sua vida?

Ou o que fazer para não enlouquecer num mundo apegado a histórias com finais satisfatórios.

Denise: Às vezes penso em todas as pessoas que vemos bem sucedidas e tento imaginar a rotina delas, se elas passam por problemas como os nossos. Se acordam como se estivessem num filme romântico hollywoodiano ou num romance de banca de jornal em que as pessoas são sempre bonitas, inteligentes, ricas e bem humoradas.
Eu: a falta de verossimilhança dos filmes com o mundo real é que causa sociedades frustradas.
Denise: É nisso que me pego para não me derrotar.