Ghost-free

 

“Porque quanto mais tempo sentada, mais o eco do mundo persiste. E quando você se levanta, ele se cala”, do excelente/mágico Pra Sempre, Por Enquanto

Esgotado deste último ano. Sério, fosse pra ter dado uma merda catastrófica, teria dado. E deu, em todo caso. Agora começo a me ajeitar e vem uma confusão toda maior na cabeça, obviamente mais relacionada ao amadurecimento real e não a trivialidades ou a tentar ajeitar-se onde você sabe que jamais se encaixaria. Nem em 800 anos de cursos preparatórios com mais 300 de certificação.

O que era preciso aprender, acredito ter aprendido das formas mais desconcertantes e constrangedoras possíveis. Aprendi que sozinho é extremamente mais fácil como eu havia previsto, embora seja bem mais pesado também. De qualquer forma o passado vai ficar onde sempre esteve, as pessoas vão embora e vai sobrar você, seu violão e uma gata rolando freneticamente no chão mordendo o que resta da sua mochila.

Um excelente momento para grandes mudanças (boa hora de perguntar a D. se a Folha está contratando pra escrever horóscopos também). Mudanças espirituais, sei lá, mas certamente territoriais. Eu não suporto mais estar aqui com estas sombras em mim. Se for pra ser calado, que seja num lugar em que nada fique falando tanto assim na minha cabeça.

No episódio 18 da sétima temporada de How I met your Mother (senta que lá vem spoiler – pare a partir daqui, essas coisas), Marshall e Lilly, casal que antes morava junto com Ted, está morando num município distante de Nova York, no subúrbio, numa vida meio solitária e loucos de vontade de voltar pra cidade. Ted, sozinho, após ouvir que o até então “amor de sua vida”, Robin, não o amava, decide deixar o apartamento para o casal, num gesto de carinho, por saber que eles queriam voltar. E principalmente porque ele precisava de uma mudança dessas. Sem avisar (pra dar aquela carga dramática boa que a gente ama), ele apenas esvazia o apartamento e deixa um bilhete:

Dear Lily and Marshall,

I don’t know if you know this, but I never took your names off the lease. Well, today I took my name off it.

The apartment is now yours.

And I think I finally figured out the best thing to do with Robin’s old room.

(nessa hora aparece o berço dentro do quarto – pois o casal espera um bebê)

See, for me, this place has begun to feel a little haunted. At first, I thought it was haunted by Robin, but now I think it was haunted by me. Well, no ghost is at peace until it finally moves on.

I need a change and I think you do, too. This apartment needs some new life. So, please, make our old home your new home. It is now ghost-free.

Love, Ted.

Ah, essa série é demais, sério.

Estou precisando deixar de ser esse fantasma para mim mesmo e superar o que não foi feito pra mim. Hoje eu saí da banda que mais me fez feliz em 2012, mesmo tendo dito que continuaria. Porque precisava aprender a tomar as rédeas de alguma coisa nessa merda (e precisava um dia desses ouvir aquela inbox diária da melhor amiga cansada de me falar que eu não resolvo nada, nunca – naquele nível de grosseria pedagógica que faz a gente meio que rever tudo do dia pra noite).

De qualquer forma, é melhor sair da cidade mesmo.
E eu tinha previsto tudo isso também.

Ted Mosby e amigos



How I Met Your Mother é uma espécie de Friends para quem era adolescente demais quando Friends estourava. Já estou completamente inserido e, graças a rede nova de 16MB, com quase todas as temporadas disponíveis, quem quiser, só deixar um comentário. Sim, eu considero a pirataria entre amigos absolutamente OK.

Desafio assistir aos erros de gravação (valeu, Bloopers & Outtakes) da segunda temporada e não dar uma mínima risada: