Inferno Astral, a brand new season

Nunca me disseram que eu podia sonhar. Acho que isso foi fundamental para que eu crescesse sem grandes obsessões. Descobri isso de uma maneira um pouco pesada demais que, afinal, é o melhor jeito de aprender. Não vou contar toda a história, mas posso dizer que envolve a Denise, condomínios de luxo dos Jardins e uma carta.

Ultimamente, o que tem me atormentado a mente são as respostas que não consigo dar para auto questionamentos até simples demais. É a perfeita ironia concretizada daquelas perguntas que me faziam nas entrevistas “onde você se enxerga daqui há cinco anos?”, ou “me fala que é o Robson Assis?”, ou “quais são seus planos pra vida, afinal?”. Max Gehringer manda lembranças com um sorrisinho sacana no canto da boca.

Daí que o inferno astral desta temporada está me trolando de forma que ninguém mais possa perceber. Por enquanto, vamos lidando relativamente bem. Aguardem os próximos episódios.

GTFO, Inferno Astral!

É, o inferno astral acabou. Pra fechar, meu pai teve um princípio de ataque cardíaco e minha avó morreu esta semana. Mas tá tudo bem agora, sério. Não tem jeito fácil de dizer essas coisas terríveis. Tive uma conversa com meu irmão, ambos sabíamos que era melhor pra ela, a galera devia ficar mal antes, quando ela sofria, não agora. Parece meio óbvio, mas não dá pra saber o que é para um filho perder uma mãe, se você não viveu isso. Então, eles estavam todos lá, meu pai e meus tios, tristes e consoláveis, mais sozinhos no mundo. Pelo menos vi meus primos, essa gente toda distante e, de certa forma, próxima. Deu pra lembrar porque amo o jeito particular e intraquilo da minha família.

Sério, tá tudo bem. Não senti tanto, acho que senti mais da vez que fui vê-la doente e o Alzheimer não a deixou me reconhecer.

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Porra, essa segunda temporada de LOST é neurose atrás de neurose. E nem falo do Charlie, o rockstar falido, tá ligado? A crew toda mesmo. Nego nóia numa fita, se desespera, acha que tá sendo seguido, vê coisas no meio da selva, toma atitudes desesperadas. I mean, mano, você tá fudido, caiu no meio de uma ilha foda, que, no fundo, não faz mal a ninguém. Então vai cortar umas lenhas e pára de ser esse viciado paranóico que você é. Minha teoria, pelo menos nessa temporada, é que tá todo mundo on drugs demais.

Ah, tenho uma semana pra ver as outras quatro temporadas que me faltam até o season finale da season finale.

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Acabei de ler numa discussão via email corporativo a expressão “para evitar dissabores”. Tive que concordar sem ver o resto da mensagem. Ainda nesse e-mail – que tratava de uma idéia estapafúrdia de um dos cabaços dessa merda nossos sutis e espirituosos colaboradores -, a moça citou leis de creative commons e questionou a chefia. Respect.

Rascunhos de um inferno astral #2

Fiquei sabendo que meu amigo Wolvs ia me dar de presente de aniversário um ingresso para o show do Social Distortion, que aconteceu semana passada. O problema é que já tinham dado dois ingressos para o Megadeth e decidiram que não iam ceder mais um pra ele. #VDM

ps.: Social Distortion é o show de 2010 que mais me arrependo de não ter ido

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Daí chega o maluco da gringa para terceirizar um serviço aqui na empresa. Aí nego quer almoçar com o cara e bancar o entendido da língua inglesa. Fila gigante, 12 minutos até a entrada do refeitório e uma frase:

-Here…..it’s…it’s…you know….all days, same place…tsc, tsc… [balançando a cabeça negativamente]

Impressionante o modo como as pessoas reclamam da vida pra qualquer um. Nego acha que a qualquer momento o Luciano Huck pode sair de trás de um arbusto e dizer: Amigo, você está no Lar Doce Lar dessa semana!

Rascunhos de um inferno astral #1

Você tem que estar preparado para considerar ter sido um idiota a vida toda. Isso acontece em qualquer idade, com qualquer assunto, pra qualquer efeito. Você tem que estar preparado pra ver seu mundo virar de ponta cabeça, prestar atenção de que lado vai ficar e aí, amigo, segurar a pancada que essa mudança vai lhe oferecer.

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Vivo uma fase sem motivos. Sem motivos pra ter um celular que faça ligações, porque não quero falar com ninguém. Sem motivos pra sair, porque não quero beber. Sem motivos pra ficar depressivo, porque, ora, quem vai me ouvir?