24h party people

Estou escrevendo esse post debaixo de um barulho de pedreiro no andar de cima que me fez acordar às 8h da manhã, o que seria ótimo se eu não tivesse ido dormir às 4h.

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Preciso contar do primeiro casamento em que toquei na vida. Foi uma cerimônia celta, bem bonita, com a recepção no mesmo lugar e um cara fazendo crepes incríveis. Em certo momento um cara brincou “ele deve ter uns 5 anos de experiência nisso”, quando o cara do crepe disse “hahah já vou te cortar, são 8 anos”.

Crepeiro dando carteirada, gostamos.

Conhecemos um cara que nos contou tudo sobre uma banda de hardcore que ele teve muito tempo atrás e começou muitas histórias sobre pessoas “famosas” de bandas que conhecemos. O mal das pessoas que contam histórias demais é que acabam parecendo mentirosas em algum momento. Nosso stalkeamento posterior resultou apenas numa citação do nome da banda dele em uma lista de bandas que tocaram no hangar 110, perdida num flogão (obrigado, Felicio) e ficamos sem saber quanto daquilo era verdade.

(Queria muito ter a opção de colocar um áudio aqui do pedreiro martelando no andar de cima pra vocês entenderem. Fico imaginando que tipo de coisa seria aceitável martelar por tanto tempo. Um prego de 450 metros? Vai ver ele tá quebrando o chão e vai transformar a gente num duplex sem sequer me perguntar. Seria ótimo mesmo, realmente, por favor continue senhor pedreirPARA MANO PELOR DE DEUS).

Mayara e Vinicius são um excelente casal. Estavam extremamente felizes e emocionados com o casamento que era simples, com uma família bem seletinha e um tio que ficava gritando “VAMO FAZER BARULHO AEE”, mas que poucas vezes conseguia o apoio dos presentes. O noivo chorava copiosamente quando ela começou a descer as escadas. Foi bem tocante. Chovia o dia inteiro e parece que deram um salve em São Pedro pra conter a chuva durante aqueles momentos.

Foi a espécie de festa de casamento que deu um baita afago no coração de ver.

Sair do sítio do casamento não foi lá muito fácil, pra dizer o mínimo. Eu tava sem dirigir por razões óbvias, mas resolvi tirar o carro porque tava rolando um medo conjunto de atolar no barro que tinha se formado. Pra piorar tudo, era uma subida. Pra piorar mais ainda, tinha voltado a chover pesado. E ainda tínhamos que tocar num show na zona leste.

Estava tudo completamente desfavorável.

Em um dado momento chegamos a pensar que dormir por ali não seria exatamente uma má ideia.

Depois de sair do atoleiro, tomar chuva, pisar no barro com o pé do gesso, utilizar 480 sacolinhas de mercado diferentes para não piorar mais o estado da tala (em um dado momento eu usei até o saquinho de lixo do carro) e dirigir mesmo com gesso uns 60km, chegamos na zona leste.

(claro que na segunda feira eu voltei no SUS pra trocar o gesso e ouvi várias merdas do médico.)

Foi uma sensação de cansaço extremo com a vibração de ver uma galera organizando uma festa tão legal para poucos. Eram duas bandas e nós, violão e voz. Só pessoas ótimas, com bandas incríveis que fazem a gente pensar que criar nossos próprios espaços talvez seja mesmo a única saída pra não deixar nossos sonhos morrerem. Voltar a tocar com o Projeto foi também demais e acabamos no Stop Dog em Perdizes, imitando a voz fina do Rodolfo em algumas músicas do Rodox.

Neste dia, eu fiquei tenso por diversas vezes, cansado e com dores ao final da jornada. Ao mesmo tempo reencontrei a vontade de estar com amigos sem pressão, de um jeito natural e não tóxico (o que só poderia acontecer com as três pessoas que estavam presentes, sério, muito amor ❤).

Melhor dia de 2017 até o momento.

É tudo diversão e jogos até que

Acontece que eu queria escrever coisas mais significantes pra mim mesmo e pros outros. Comecei o ano com essa prepotência em mente. Logo eu, que me culpei por não escrever uma retrospectiva (embora fosse só pra não passar mais vergonha mesmo).

Desisti, obviamente. Talvez haja alguma crônica vez ou outra, mas não vai sair com tanta naturalidade quanto eu queria e tenho precisado evitar que as pessoas achem que vou me matar a qualquer momento também, é uma boa não ser tão introspectivo assim nessas horas.

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Daí outro dia, perguntei aos amigos do facebook se alguém tinha uma bola de basquete sobrando em casa, parada, pra doação. Foi quando C. me disse que tinha uma, combinamos e fui pegar na portaria da casa dela, com Danilo já querendo marcar um basquete no sesc no próximo fim de semana.

Pois bem, o basquete no sesc rendeu duas coisas: a) total compreensão de que estes caras que usam roupas de basquete incríveis só fazem pressão mesmo e sabem jogar apenas o suficiente pra não serem tidos como completos farsantes e b) um tornozelo estourado.

Segundo uma médica super simpática (sem ironias aqui) tive 60% do tendão comprometido e podia escolher entre operar ou ficar com uma tala por três semanas. Ficar andando por aí mancando não ia rolar e eu ia estragar ainda mais as coisas. Segundo um outro médico super simpático (cheio de ironias aqui) eu nunca mais ia poder andar direito se escolhesse a cirurgia.

Shit got serious, dude.

Ela falando sobre como tinha que ficar a posição do meu pé em casa e eu pensando em como iam receber essa notícia no escritório e em como eu ia conseguir tirar o carro do estacionamento. Agradeço a Deus que meus melhores amigos sejam realmente melhores em tudo e que a agência tenha sido extremamente compreensível com este atestado de trinta dias (que no começo parecia férias, mas hoje já está me dando nos nervos pra ser bem sincero).

E então foi isso, fiquei em casa o tempo todo desde então, tirando o primeiro final de semana em que eu tive que ir pro interior tocar num casamento trans maneríssimo, detalhes no post seguinte (caso eu esteja mesmo imbuído do espírito blogger e escreva outro post logo na sequência).

Acho que não preciso dizer as vantagens de estar em casa. Trouxe meus livros pra perto, assisti a terceira temporada de Z Nation e assinei um pacote da net com velocidade suficientemente boa pra pensar em pagar o netflix novamente (continuar usando a conta dos outros depois de cortarem relações com você não me parece uma boa ideia).

Os lados negativos começam óbvios também. Passo os dias na cama e no sofá, comendo e sem fazer qualquer tipo de atividade, logo 🐳. Consegui as muletas de M. pra andar por aqui sem apoiar o pé e conseguir fazer minhas coisas, mas mesmo assim está meio difícil arrumar as coisas dos gatos, tomar banho e, bem, viver.

Neste meio tempo descobri vizinhos bem legais também (além dos que eu já conhecia). Preciso falar sobre a mudança também, só não aguardem tantos posts assim de uma vez CALMA CARAS.

Sabe aquele negócio que dizem que a gente só conhece quem tá mesmo do nosso lado quando as coisas apertam? Acho que a gente não vive isso de um jeito mais prático do que ficando internado em casa. É nessa hora que as pessoas para quem você é apenas mais um se mostram realmente distantes e seus amigos estão do seu lado, mandando mensagens, entendendo suas necessidades, ou apenas sendo pessoas ótimas mesmo.

As bandas estão todas paradas, embora possa acabar rolando um ensaio aqui em casa nesse ínterim. G. manda suas músicas pelo whatsapp, acho que R. vai seguir a mesma linha. Tive de cancelar os shows do dia 11 e 12, todos entenderam bem. Depois do primeiro final de semana eu vi realmente como seria complicado ir pro mundo com o pé cheio de gesso, então achei melhor cancelar tudo.

Não posso deixar de agradecer meus pais nunca porque não fossem eles eu não teria como fazer compras pra sobreviver todos esses dias, nem arrumar a casa decentemente.

Sério, eles são maravilhosos.

Então é isso. Sigo aqui até melhorar e esperando que o INSS não seja tão burocrático assim (HAHAHAH) porque meu aluguel ainda não se paga sozinho infelizmente. E que 2017 seja um ano de se redescobrir completamente (já tirei o basquete da lista, podem ficar tranquilos).

O mundo das pessoas normais

Outro dia segui o raciocínio que me leva a crer que sou muito moleque pro mundo. Por ter que, daqui umas semanas, perguntar pro Adolfo o que significa aquela sigla do imposto de renda e se eu preciso mesmo colocar tudo aquilo e PRA QUE MANO, PRA QUE?. Porque um dia, alguém de bom coração vai me ensinar como foi que deu tudo errado pro mundo e como é que tem gente do mesmo bairro que eu comprando tênis de marca custando 600 realidades. E talvez me dando sinais de como é que eu fui parar longe deles. Porque a nossa noção do que é certo e errado só depende de nós mesmos. Pode ser que eu queira amanhã assinar a Veja, acreditar no Pondé e entrar numa via de mão única pra vida a qual hoje eu não preciso. Não hoje, nunca hoje. Sentado no sofá de casa com minhas três músicas no violão, com o John Mayer que a Camila me ensinou a escutar, tomando a Glacial que o From me ensinou a beber, lembrando do Leo sobre não postar qualquer foto no Facebook (é sempre bom evitar um murro na cara, fica a dica pras futuras gerações).

É então que a gente descobre que não existe isso de se sentir moleque. Eu passei um tempão da minha vida com essa frase na cabeça “não há nada aqui pra mim ou pra você”, puta que fase, uns 45 dias de MSN, acredito. Porque eu só conseguia enxergar esse pessimismo como única forma de escapar da tragédia de viver nos limites, numa cerca infantil cheia de brinquedos da Alô Bebê enquanto seus pais assistem televisão. De qualquer forma, viver a sua vida é não precisar provar nada pra ninguém, e o mundo das pessoas normais é o mesmo mundo que o seu. Acredite, você é uma puta pessoa normal, talvez com um cercadinho um pouco mais amplo que os outros (do seu ponto de vista, óbvio). E isso você só consegue descobrir sozinho, por mais abas de comunicador instantâneo que seu windows vista consiga suportar.

“They love to tell you ‘stay inside the lines’
But something’s better on the other side”