moving mountains

É preciso contar que estou de mudança novamente. De volta para São Paulo, mais perto da cidade, onde eu possa pegar um metrô de leve e tocar com os amigos. Eu tinha ido, mas tudo o que sempre amei continuou no mesmo lugar. Quando as coisas passaram a ficar sérias em diversos sentidos, decidi voltar. São muitas notas de 50 reais viajando todo final de semana.

O apartamento de Cajamar continua sendo o mais legal que já vivi. Continuo agradecendo sempre que me lembro de fazer isso. Os gatos adoram, é um silêncio incrível. Um entardecer incrível, um sol incrível. Só não dá mais pra morar tão longe assim da sua própria vida.

Meu outro motivo de ter mudado também se esclareceu.

Inabilidade para selfies ☑ Cara de bobo em selfies ☑ Lebenslangerschicksalsschatz 💓 ☑

Uma foto publicada por Robson Assis (@bigblackbastard) em

dropdead nigga

Eu pareço legal, mas diferencio as pessoas que gostam de gato das que não gostam (porque é inadmissível não enxergar doçura em bichos quaisquer, até mesmo numa raposa, como não?). Ontem, K. disse que o front do Mogwai ama gatos e a banda tornou-se ainda mais magnífica. Eu também diferencio as pessoas que tem perfil no last.fm das que não tem, mas acho que é uma outra história.

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Daí outro dia li num post do Koelho uma música do The Invisibles, banda que nunca conheci direito, embora soubesse o estilo e tudo mais. Daí eu ouço e passo a amar, como eu nunca toquei um som desse tipo na vida? Lembrei de um projeto com um amigo que ainda temos de tocar pra frente. E nunca vamos tocar pra frente, porque somos assim. Lembrei que tenho 5 bandas na teoria, zero na prática. E quando é assim, dá tudo meio errado na vida.

Descobri então que o vocalista do Invisibles está morando em NY—talvez até morasse antes também, aquele inglês era muito perfeito, sério—e tem uma outra banda, ou ele mesmo tocando sozinho que é demais, folk, esperançoso, melancólico, do jeito que eu gosto:

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Me alegra ter encontrado outro dia o cara que me convidava pra tocar guitarra em bandas covers de heavy metal nos idos de 2002 (sempre quis dizer “nos idos”) e ver que ele se tornou um cara cheio de nostalgia da época-boa-do-Novo-Aeon-Rock-Bar-Sergião-ooow-que-saudade-bicho com provavelmente uma banda de heavy metal fazendo cover de Judas Priest e uns tiozões do TI. Descobri que ele não entrou na onda dessa reaçada de facebook, o que de certa forma foi um alívio (metaleiros são em grande parte conservadores dos piores tipos). E achei legal vê-lo pelo motivo de que se eu tivesse aceitado tocar com ele eu acabaria desistindo por falta de paciência em aprender covers com solos virtuosos. Acho que, no fundo, me alegrei de ver que estamos no mesmo lugar, somos as mesmas pessoas, embora tenhamos sido influenciados por estilos de vida diferentes e acabamos um de nós casado/ganhando dinheiro e o outro escrevendo posts sobre encontros casuais no blog.

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Dia dos namorados é uma felicidade inacreditável na timeline pública. Tanta gente em momentos bonitos, poéticos, bucólicos, manifestando amor e um sentimento bom. E tem gente reclamando, mas isso nunca vai deixar de ter, superemos. Eu, que já fui bobo o suficiente (talvez feliz o suficiente) para gravar até uma mixtape nesta data, acho que não consigo mais. Embora admire de verdade a galera falando essas coisas no 12 de junho, é de bom tom ficar na minha pequena solidão ouvindo a playlist do Per Raps que é bem mais bonita (e não tem minha voz patética tentando soar romântico).

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Não, o título deste post não tem absolutamente nada a ver com a série, nem com qualquer um dos acontecimentos citados acima e foi criado por motivos de eu achar interessante o trocadilho, sabe, pára de me pressionar gente, credo!  ~dsclp

3rd season

Dentre as coisas mais difíceis que já conheci está ‘namorar’. Juntar duas vidas completamente distintas em uma só instituição, lidar com prioridades diferentes para um e para outro, conciliar as divergências para evitar problemas e, para que, ao final disso tudo (e com alguma sorte) conseguir um beijo displiscente e desamarrado do mundo.

Porque é nesse momento que as coisas se desprendem, sabe qual é? Aquele momento que você diz pra ela que gostaria de ser eterno, pra parecer fofo e/ou plagiar o Nando Reis sem ela saber. Porque, afinal de contas, é tudo um grande poço de responsabilidade, dívidas, compromissos, especulações e brigas. Aquele momento, aquele único, em que os lábios se encostam é quando tudo se desfaz, quando tudo que é ruim se perde numa ignorância que nos faz felizes e completos.

Sim, amigos, hoje faço três anos de namoro com a Denise. E que venha a terceira temporada.

A namorada do meu irmão

De noite meu irmão apareceu em casa com a namorada. E eu refleti sobre como as coisas vão comigo. Só por exercício de reflexão mesmo. Eu e a Denise sabemos o quanto as coisas materiais caminham difíceis, não o sentimento. Nunca o sentimento. é como se tivéssemos um seguro sobre nosso relacionamento. Tudo pode ruir sobre nossas cabeças, o sentimento permanecerá intocado e rendendo.

E de manhã a namorada do meu irmão foi embora. Ele acordou e conversamos amenidades até um amigo comum aparecer em casa pra que ele pudesse decidir que era hora de comentar o assunto. E conversamos outras coisas, músicas, coisa de irmão. Ele pediu pra deixar uma música rolando. Eu passei pelas pastas e não encontrei nada que nos aproximasse. Achei nas minhas músicas uma banda chamada Jets to Brazil, mas não escolhi, ele não devia gostar.

De noite, nosso amigo comum ainda estava em casa compartilhando bebidas, conversas e séries. Ele reapareceu com a namorada. Uma boa garota. Ela perguntou se eu tinha alguma coisa do Pearl Jam. É realmente uma pena que as bandas de sucesso da minha época nunca tenham sido sucesso pra mim.

Fui levar nosso amigo comum para casa. Meu irmão e a namorada foram deitar. Quando cheguei, vi que eles deixaram meu laptop ligado, com o disco mais bonito do Jets to Brazil rolando. E eu estou sozinho, refletindo que talvez eu e meu irmão tenhamos mais coisas em comum do que consigo imaginar.


Jets to Brazil, Further North

Nós na fita

Vibe essa do dia dos namorados hein? Dei uns presentes bobos, uma foto, esse tipo de coisa pequena, mas bem significativa, como os presentes de verdade. Tivemos dois dias incríveis no final de semana, sem ‘mas’, sem neuras, só sorrisos, como espero que tenha sido o de todos.

Gravei uma mixtape também. Dessas que a gente pega as músicas marcantes e diz coisas bobas nos intervalos. Nunca tinha gravado uma. Nick Hornby disse algo bonito a respeito de gravar uma mixtape para alguém que você goste, embora eu eu nunca me lembre da citação (e acabei de descobrir que toda a demora para escrever esse post foi baseada na busca dessas aspas):

“I spent hours putting that cassette together. To me, making a tape is like writing a letter, there’s a lot of erasing and rethinking and starting again, and I wanted it to be a good one, because … to be honest, because I hadn’t met anyone as promising as Laura (…)  A good compilation tape, like breaking up, is hard to do. You’ve got to kick off with a corker, to hold the attention (I started with “Got to Get You off My Mind,” but then realized that she might not get any further than track one, side one if I delivered what she wanted straightaway, so I buried it in the middle of side two), and then you’ve got to up it a notch, or cool it a notch, and you can’t have white music and black music together, unless the white music sounds like black music, and you can’t have two tracks by the same artist side by side, unless you’ve done the whole thing in pairs, and… oh, there are loads of rules”
Nick Hornby, Alta Fidelidade, 1995

Só caguei para a regra sobre “música negra” e “música branca”, colocando Criolo e Paralamas do Sucesso no mesmo lado. De resto, as decisões são bem difíceis mesmo. É como ambientar cenas de filmes, da comédia romântica em que a Jenniffer Aniston e o Ashton Kutcher são vocês dois. Daí você tem que lembrar aquelas músicas que vocês ouviam quando tudo começou, as músicas sobre brigas e umas paródias engraçadinhas e as que emocionam em qualquer ocasião. Fechando com meu embaraço ouvindo ao lado dela todas as coisas que gravei no microfone por cima da trilha. Uma timidez quase bonita de se ver.

Imperfeitos

  1. Denise Bonfanti
    DeBonfanti http://migre.me/3Cc60 // Quero lembrar de um tempo, q uma rua vazia, chuva e nós dois num

    carro, era o mundo perfeito pra mim. 13 Jan 2011 from web

this quote was brought to you* by quoteurl

É quase completamente enlouquecedor namorar à distância. E não estou dizendo de pessoas que moram em outros estados ou países, pois, destes, as diretrizes do universo se ocupam, tendo em vista os prévios entendimentos implícitos na decisão de manter o relacionamento. Trato aqui dos namoros convencionais, de quando você mora na zona sul e sua namorada está na zona oeste** — por instinto, veio na cabeça agora um coro de vozes do programa do Rodrigo Faro que ladram ‘vai de busã-ão, vai de busã-ão’, mas bem, voltemos ao ponto.

Vocês dois trabalham, vocês dois se amam, vocês dois adorariam viver a vida de renomados paleontologistas e diretoras de moda da Calvin Klein, embora tudo o que possam fazer é se encontrar nos finais de semana para uns filmes, uma caminhada no parque, ou um cinema, jantar e encontros duplos, mas a saga da semana até o beijo final é exaustiva, complicada e, por vezes, dolorosa.

Digamos que você já tem problemas demais no trabalho e que o lugar não é o museu de dinossauros que você gostaria de trabalhar. E digamos que sua namorada está ocupada demais para criar um tempo e fazer aquele curso de moda no Senac. No final de semana, todo o tempo que têm sobrado para vocês dois, vocês vão gastar juntos (é o que se espera) reclamando de tudo isso ou, numa melhor perspectiva, fugindo da segunda-feira que já chegou. Porque quando a semana recomeça, tudo o que vocês têm são telefonemas, e-mails trocados e risadas sobre qualquer bobagem para esquecer essa miserável e traumática relação virtual.

Portanto — e neste trecho este texto se assemelha a alguém tentando defender algo apenas com críticas. Já começo a ouvir de longe os rumores de ‘você não tá ajudando com isso’ — é necessário ter em mente um plano para uma vida melhor. Um plano com prazos e estratégias, ainda que distantes. E isso não significa planejar a vida toda em tópicos e viver cada linha como única e imutável, pois, sinto informar, nesse meio tempo algumas coisas podem dar errado. E esse caráter imprevisível é que impulsiona nossa vontade de viver.

E quem sabe em alguns anos você não vai estar ligando no escritório da Calvin Klein dizendo para sua esposa o encontrar naquele restaurante árabe em 20 minutos, porque acabou de terminar o estudo de análise do femur daquele pterodáctilo. Who knows?


*ilustrei o post com esse tweet que deu a idéia desse texto
**sim, essa é minha vida, amigos.

Seu carro, sua cerveja e as canecas do seu pai

Fim de semana dos namorados. Um dia, tenho certeza, vou te pagar com juros tudo o que faz por mim. Hoje não posso oferecer presentes caros, jantares fabulosos, viagens inesquecíveis. Só uma lembrança simples e de coração, um café na cama com flores (antecedido por uma tortura no frio esperando a floricultura funcionar) e os carinhos, a cama, os edredons, filmes, conversas, devaneios, sonhos.

E passamos um dia que não vou esquecer. Ganhei de você uma caixa cheia de presentes que sei, não vou esquecer jamais. E mesmo que meu dinheiro não pague, a coisa toda fez valer a pena cada segundo deste último fim de semana.

Já tive uma fase da vida em que pensava nas datas comemorativas como criações do mercado, feitas para nos exaurir de razão e pensar apenas com a emoção. Hoje ainda acredito nisso, só não consigo enxergar onde está o erro de pensar apenas com o coração e querer dar a alguém que você ama aquilo que você pode oferecer (mesmo que isso, no fim, não chegue aos pés do que você realmente merece).

Quando estamos em casa percebo como será a vida daqui a alguns anos e abro um sorriso pelas possibilidades, pelo que não é decidido por nós, pelo que é admirável por ser tão impreciso. Nosso futuro, Denise, não importa quanto tempo demore pra acontecer, será meu feito mais importante. Precisamos apenas um como uma constante do outro no presente.

Daí você sentou do meu lado. Começamos a ver fotos antigas, nos álbuns de meus amigos. “Seu carro, sua cerveja e as duas canecas do seu pai”, você disse numa delas. A gente riu, você me perguntou se eu não sentia falta. Sinto falta sempre que você não me sorri, se é isso que quer saber. Porque no momento em que você sorri não existe nada mais no mundo que eu me importe mais.

Obrigado, meu amor, por este dia terrific e por tantos outros. Eu te amo.