Parca Nostalgia

Por acaso, abri hoje uma pasta Comentários do Blog do meu já inutilizado hotmail, datada de 2004, quando meu primeiro blog ainda estava em atividade:

Enviado por: Duds
Weblog: http://realidadesonhadora.blogspot.com/
Comentário: Meu pode ficar tranquilo que, se realmente eles vierem pra te mandar embrora, vc vai ahar algo melhor, que te deixe sonhar, que te deixe ser um bororé livre. Quanto a música, muito boa mesmo! Como vc disse que aceitava sugestões e é o meu guitarband favorito (e que se foda o Tom Morello), eu vou nessa: Que tal “Tristes Verdades”? Bem, enfim…. é só uma sugestão e tal….. Cara um grande abraço e vamo agitar o natiruts! Duds, Por que Os Bororés também tem problemas.

Enviado por: Duds
Weblog: http://realidadesonhadora.blogspot.com/
Comentário: “Começando com aspas”…. Não sei se devo fazer este tipo de comentário, mas achei realmente que suas palavras foram as mais sinceras possíveis; e digo mais, sinceras e corajosas, pois em um mundo onde um machismo imbecil impera, é preciso ser muito homem para expor seu sentimento de uma forma tão sutil e verdadeira. Cara, parabéns mesmo, toda sorte do mundo, e que se fodam todos aqueles que não amam, pois só odiando muito um dia eles chegarão a lugar nenhum. Ps.1: Os livros! Ps.2:A gente precisa tocar! Abraços na sua alma garoto!!! Duds: “este foi o melhor show da minha vida”.

Enviado por: Lipe (ou ‘Doido’, na época da escola)
Weblog: http://tentativasdemim.blogspot.com/
Comentário: Robas quando vc ficar um escritor famoso e ir no Faustão , eu aparecerei naquela televisão e direi que tudo começou com uma redação que começava assim “A sou brasileiro com muito orgulho…” Lembra disto, roots né!! Doido, Bororé

Me fugiu uma lágrima. Duds e Lipe são amigos eternos. Difícil mesmo é lembrar quem ensinou a tabuada do nove pra quem. “Ah, sou brasileiro com muito orgulho…”, comecei uma redação na sexta série com essa frase.

Era um garoto

“I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I’ve counted out days
to see how far
I’ve driven in the dark
with echoes in my heart”

Wilco, Kamera (do disco Yankee Hotel Foxtrot)

Naquela época eu tinha 16 anos e jogava futebol. Era velho demais pra jogar no time dos pequenos, até os 15, e era novo demais para jogar com os grandes, de 17 pra cima. Jogando com os pequenos era sempre vantagem, ser zagueiro e gigante pra minha idade, acentuava isso como você pode imaginar. Com os grandes era nítido, ficava completamente perdido no campo. Ainda que maior e aparentemente da mesma idade deles, não tinha as manhas do jogo. Embora o técnico sempre me encaixasse.

Dez anos mais tarde estou na frente de uma estação de trabalho, ganhando metade do salário que gostaria, criando meu inferno pessoal entre planilhas e e-mails que não respondo, ganhando a vida.

Sou novo demais pra fazer o que gosto de fazer, que é ficar em casa plantado lendo meus livros, lendo o Google Reader e quem sabe admnistrando os estoques de pipoca e suco de laranja da casa. Ao mesmo tempo, quero ver o Leo e passar um final de semana jogando X-box e trocando idéias sobre a vida, como outras vezes, quero dormir na sala do apartamento do Diogo e acordar podre de ressaca. Só o fato de querer ser inconsequente, díspar e até um pouco arrogante, faz com que me sinta velho demais pra isso.

Embora a vida sempre me encaixe.