O poder da distração

Hoje—graças ao amigo Thiago Zati—conheci esses aplicativos que prometem focalizar sua atenção apenas para o que estiver escrevendo, distraction-free, como bem apontou o Life Hacker. Se realmente funcionam, eu estou testando com o tempo.

Este tipo de programa trabalha com a prerrogativa que se você não tiver nenhuma possibilidade de interagir com outros assuntos que lhe interessem, você não tem como se distrair. Embora eu ainda acredite que a distração a gente é quem faz—se não tiver ali meus add-ons do Firefox vai ter a TV na minha frente, a música que você vai insistir em trocar, o café pra fazer etc. Os distraction-free são apenas uma tela em branco, esperando para ser escrita, tomando toda a tela de ponta a ponta, com tudo o que você precisa: um contador de toques/palavras e uma busca através de comandos no teclado.

As funcionalidades desse aplicativo para meu trabalho, por exemplo, não funcionariam muito bem, uma vez que preciso escrever diversos textos por dia e postá-los na página de administração do site, o que requer o acesso a um navegador qualquer, com plugins e aquele maldito botão do Stumble Upon que faz você perder horas.

Para o que você está se perguntando, a resposta é sim: bastaria usar o Chrome sem nenhum plugin e com direito a apenas uma aba, né gente, mas sabe como é isso, bem… do que falávamos mesmo?

Dilema de produtividade

Ou Leio meus feeds do Google Reader mais por raiva do que por vontade

Chega a ser meio esquisito, eu assumo.

Estou trabalhando, certo? Sentado na minha mesa, de frente para o ecrã, lendo meus feeds respondendo solicitações urgentes, a coisa toda. Pra isso tenho meu fone de ouvido com redução de ruídos externos.

Então coloco pra tocar uma música boa qualquer. E me transporto. Saio da sala, é como se estivesse trabalhando numa realidade paralela acima do escritório, da cidade, do mundo. Sozinho, tranquilo e distante.

Segundo Bob Black, bem-estar e trabalho são termos que automaticamente saem correndo um do outro. Acho que ele usa a palavra excludentes. Não tenho certeza.

Uma sensação ao menos interessante. Esqueço a mais valia, os processos burros. Começo a ser mais produtivo, mesmo para esses assuntos que não me importam tanto. Me torno uma autoridade em marcar planilhas, responder pendências antigas as quais eu realmente não dou a mínima.

Até que alguém me sacode:

-Ow, Robson, que isso, menino? Tá perdido? Tão te chamando ali no outro setor, hahahah, tá viajando? Que maluco! Aiaisóvcmsm.

Paro o que estou fazendo e, depois de atender o(a) fulano(a) e perceber que a sensação toda se esvaiu, eu leio meus feeds. Todos. Impreterivelmente. E talvez não volte a trabalhar mais durante o dia todo, nunca se sabe. Bob Black está comigo e nada me faltará.