Sobre reduzir-se para caber

Poucas coisas me entediam tanto e me deixam com cara aquela cara de desolação em que a pessoa não vai entender nem se eu tentar explicar. Ter bandas é uma dessas. Tem sempre alguém perguntando se estou ganhando dinheiro com isso (e se não ganha, por que continua?), afinal, as pessoas baseiam sucesso e felicidade apenas ao dinheiro, jamais a satisfação pessoal de fazer algo que liberta.

Daí que Grey’s Anatomy tem os personagens coadjuvantes mais legais de todos os tempos. São sempre os pacientes, dizendo algo super profundo. Neste caso, um cantor de ópera bem gordo recebe a notícia de que pode ter seu pulmão retirado caso algo complique a sua cirurgia, o que pode levá-lo a jamais cantar novamente. Depois de muito argumentar com seu marido, ele dá a resposta definitiva (que anotei pra vida, embora tenha sido usada em outro contexto aqui):

“Eu sou grande. Muito grande. Eu não consigo sentar em poltronas de avião. E como Jeff (seu parceiro) está sempre me dizendo, minhas sensações não se encaixam às situações. Se minha comida vem cozida demais no restaurante, eu fico furioso. Eu quero matar o garçom. Mas não. Eu, polidamente, peço a ele que traga de volta a minha refeição do jeito que pedi. Eu passo dias tentando me reduzir. Ser aceitável. E tudo bem. Porque à noite, quando estou no palco, eu experimento o mundo da forma que o sinto. Com uma fúria indescritível. Uma tristeza insuportável. E uma enorme paixão. À noite, no palco, eu assassino o garçom e danço sobre o seu túmulo. E se eu não puder fazer isso, se tudo que me restar for uma vida me reduzindo, então não quero viver”

Grey’s Anatomy, s06e12, “I like You So Much Better When You’re Naked”

Olá, Vanguarda

“E essa parte eu já vi outra vez eu não me comportei, tudo bem, vou partir, sou um lixo eu sei. Será que foi você que mudou ou eu que nunca mudei?”

 Olá, vanguarda by chuvanegra

Sabe aqueles dias que qualquer coisa que você lê, assiste ou ouve parece estar falando diretamente do seu problema? É uma espécie de mutação da Síndrome de trilha Sonora, uma teoria, agora, multimídia.

*o player do soundcloud demora pra aparecer.

Copacabana, Bitch

“(…)São as primeiras gravações do Gil no exílio, feitas em dois canais e são só seis músicas, mas, repito, destrói com garbo, elegância e bicho-grilice, toda a onda atual de violãozinho. É tipo você se achar foda porque é designer de flyer duma balada de moderno e de repente descobrir que seu vô inventou o LSD”

Trecho extraído da resenha do disco Copacabana Moun Amour, de Gilberto Gil, na revista Vice desse mês.