dropdead nigga

Eu pareço legal, mas diferencio as pessoas que gostam de gato das que não gostam (porque é inadmissível não enxergar doçura em bichos quaisquer, até mesmo numa raposa, como não?). Ontem, K. disse que o front do Mogwai ama gatos e a banda tornou-se ainda mais magnífica. Eu também diferencio as pessoas que tem perfil no last.fm das que não tem, mas acho que é uma outra história.

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Daí outro dia li num post do Koelho uma música do The Invisibles, banda que nunca conheci direito, embora soubesse o estilo e tudo mais. Daí eu ouço e passo a amar, como eu nunca toquei um som desse tipo na vida? Lembrei de um projeto com um amigo que ainda temos de tocar pra frente. E nunca vamos tocar pra frente, porque somos assim. Lembrei que tenho 5 bandas na teoria, zero na prática. E quando é assim, dá tudo meio errado na vida.

Descobri então que o vocalista do Invisibles está morando em NY—talvez até morasse antes também, aquele inglês era muito perfeito, sério—e tem uma outra banda, ou ele mesmo tocando sozinho que é demais, folk, esperançoso, melancólico, do jeito que eu gosto:

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Me alegra ter encontrado outro dia o cara que me convidava pra tocar guitarra em bandas covers de heavy metal nos idos de 2002 (sempre quis dizer “nos idos”) e ver que ele se tornou um cara cheio de nostalgia da época-boa-do-Novo-Aeon-Rock-Bar-Sergião-ooow-que-saudade-bicho com provavelmente uma banda de heavy metal fazendo cover de Judas Priest e uns tiozões do TI. Descobri que ele não entrou na onda dessa reaçada de facebook, o que de certa forma foi um alívio (metaleiros são em grande parte conservadores dos piores tipos). E achei legal vê-lo pelo motivo de que se eu tivesse aceitado tocar com ele eu acabaria desistindo por falta de paciência em aprender covers com solos virtuosos. Acho que, no fundo, me alegrei de ver que estamos no mesmo lugar, somos as mesmas pessoas, embora tenhamos sido influenciados por estilos de vida diferentes e acabamos um de nós casado/ganhando dinheiro e o outro escrevendo posts sobre encontros casuais no blog.

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Dia dos namorados é uma felicidade inacreditável na timeline pública. Tanta gente em momentos bonitos, poéticos, bucólicos, manifestando amor e um sentimento bom. E tem gente reclamando, mas isso nunca vai deixar de ter, superemos. Eu, que já fui bobo o suficiente (talvez feliz o suficiente) para gravar até uma mixtape nesta data, acho que não consigo mais. Embora admire de verdade a galera falando essas coisas no 12 de junho, é de bom tom ficar na minha pequena solidão ouvindo a playlist do Per Raps que é bem mais bonita (e não tem minha voz patética tentando soar romântico).

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Não, o título deste post não tem absolutamente nada a ver com a série, nem com qualquer um dos acontecimentos citados acima e foi criado por motivos de eu achar interessante o trocadilho, sabe, pára de me pressionar gente, credo!  ~dsclp

GTFO, Inferno Astral!

É, o inferno astral acabou. Pra fechar, meu pai teve um princípio de ataque cardíaco e minha avó morreu esta semana. Mas tá tudo bem agora, sério. Não tem jeito fácil de dizer essas coisas terríveis. Tive uma conversa com meu irmão, ambos sabíamos que era melhor pra ela, a galera devia ficar mal antes, quando ela sofria, não agora. Parece meio óbvio, mas não dá pra saber o que é para um filho perder uma mãe, se você não viveu isso. Então, eles estavam todos lá, meu pai e meus tios, tristes e consoláveis, mais sozinhos no mundo. Pelo menos vi meus primos, essa gente toda distante e, de certa forma, próxima. Deu pra lembrar porque amo o jeito particular e intraquilo da minha família.

Sério, tá tudo bem. Não senti tanto, acho que senti mais da vez que fui vê-la doente e o Alzheimer não a deixou me reconhecer.

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Porra, essa segunda temporada de LOST é neurose atrás de neurose. E nem falo do Charlie, o rockstar falido, tá ligado? A crew toda mesmo. Nego nóia numa fita, se desespera, acha que tá sendo seguido, vê coisas no meio da selva, toma atitudes desesperadas. I mean, mano, você tá fudido, caiu no meio de uma ilha foda, que, no fundo, não faz mal a ninguém. Então vai cortar umas lenhas e pára de ser esse viciado paranóico que você é. Minha teoria, pelo menos nessa temporada, é que tá todo mundo on drugs demais.

Ah, tenho uma semana pra ver as outras quatro temporadas que me faltam até o season finale da season finale.

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Acabei de ler numa discussão via email corporativo a expressão “para evitar dissabores”. Tive que concordar sem ver o resto da mensagem. Ainda nesse e-mail – que tratava de uma idéia estapafúrdia de um dos cabaços dessa merda nossos sutis e espirituosos colaboradores -, a moça citou leis de creative commons e questionou a chefia. Respect.

Rascunhos de um inferno astral #2

Fiquei sabendo que meu amigo Wolvs ia me dar de presente de aniversário um ingresso para o show do Social Distortion, que aconteceu semana passada. O problema é que já tinham dado dois ingressos para o Megadeth e decidiram que não iam ceder mais um pra ele. #VDM

ps.: Social Distortion é o show de 2010 que mais me arrependo de não ter ido

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Daí chega o maluco da gringa para terceirizar um serviço aqui na empresa. Aí nego quer almoçar com o cara e bancar o entendido da língua inglesa. Fila gigante, 12 minutos até a entrada do refeitório e uma frase:

-Here…..it’s…it’s…you know….all days, same place…tsc, tsc… [balançando a cabeça negativamente]

Impressionante o modo como as pessoas reclamam da vida pra qualquer um. Nego acha que a qualquer momento o Luciano Huck pode sair de trás de um arbusto e dizer: Amigo, você está no Lar Doce Lar dessa semana!

Rascunhos de um inferno astral #1

Você tem que estar preparado para considerar ter sido um idiota a vida toda. Isso acontece em qualquer idade, com qualquer assunto, pra qualquer efeito. Você tem que estar preparado pra ver seu mundo virar de ponta cabeça, prestar atenção de que lado vai ficar e aí, amigo, segurar a pancada que essa mudança vai lhe oferecer.

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Vivo uma fase sem motivos. Sem motivos pra ter um celular que faça ligações, porque não quero falar com ninguém. Sem motivos pra sair, porque não quero beber. Sem motivos pra ficar depressivo, porque, ora, quem vai me ouvir?