Snapchat depois dos 30 anos

Screenshot_2016-01-19-10-25-13

A única explicação que considerei relevante para entender o Snapchat foi: um lugar para despejar as fotos que não vão para o Instagram e que geralmente se perdem no seu smartphone. Vamos lá, a gente vê o budinha em cima do desktop na mesa do trabalho e acha mesmo que vai dar uma boa foto. No fundo, quem quer ver isso? O Insta (somos íntimos) já é poluído o suficiente, já tem gente demais criticando copos da starbucks, pratos de comida, paisagens em geral e até os pequenos budinhas de gesso.

Não me entenda errado, usuários de Snapchat não estão sedentos pelas suas trivialidades. Eles simplesmente não se importam. Poste fotos de copos da Starbucks com nomes diferentes todos os dias. Ou apenas com o seu nome mesmo, seu hipster. Poste seus pratos com uma meticulosa curadoria de comida no self service pra parecer de um restaurante à la carte. Poste selfies e vídeos com efeitos quase infantis (o do terminator e do exorcista são bem maneros). Ninguém vai reclamar. Ninguém vai te julgar. Pode ser que haja usuários mais interessantes que você, mas aí é outra história.

Como você está um pouco mais velho do que o público alvo da parada, vale sempre tomar um cuidado pra não ser o tio bobão. Embora todos sejamos tios bobões em algum momento, seja postando fotos ou escrevendo textos em blogs (escrever em blogs é ser automaticamente tio). De qualquer forma, acho que o Snapchat é uma das redes sociais em que você precisa menos tomar cuidado neste sentido. No fim das contas, rola bem legal. O mesmo paradoxo de uma rede social sem timelines que te deixou meses afastado, vai fazer você entender que registrar tudo o que fazemos todos os dias e deixar essas coisas serem varridas para um limbo desconhecido, faz tanto sentido quanto deixá-las ecoando pela eternidade.

Além disso, existe um chat de poucas ideias. Digo isso porque ele é feito para você mandar fotos com mensagens em cima. Você pode apenas escrever para o seu contato, mas deixo o spoiler: vai parecer que você está usando do jeito errado.

Portanto, a receita que funcionou para que eu passasse a entender como (e especialmente porque) usar foi a seguinte: o Snapchat livrou meu smartphone de fotos que eu nem gostava tanto assim, mas acabava guardando porque precisava lembrar que em algum momento aquela cena parecia uma boa ideia para eternizar numa timeline e, bem, acabou ali, perdida na galeria, entre fotos dos gatos e panorâmicas todas tortas.

Então meu espertofone tem estado menos lotado de fotos, uma vez que elas vão direto para a timeline temporária e desapegada do Snapchat. Eu mal lembro as fotos que tirei ontem e isso é excelente, supere.

 

Meu negócio com as redes sociais falidas

No fotolog, ainda posto umas fotos, escrevo umas babaquices, nada construtivo, só respostas de mim mesmo para coisas que ninguém quer saber (mas não é esse o lema da web 2.0?). Como disse dia desses, o lugar virou a cracolândia digital da cena musical independente. Bandas omissas, gente despreparada quase implorando pra que você acesse o myspace deles e aperte o play.

E então, o Myspace. Mais parecido com um parque de diversões abandonado, como bem retratou o Saturday Night Live, o site peca na falta de estrutura, mudanças repentinas sem aviso, desinteresse pelo usuário. Tenho duas bandas e um perfil pessoal lá, mas, por conta disso tudo, acesso semestralmente as três de uma vez, limpo as mensagens só volto no ano seguinte.

Pra fechar a tríade, Orkut. Sinônimo de depressão. Apesar do layout bonito – agora facebookeado – me ocorre invariavelmente a sensação de todos viverem a vida dos seus sonhos, com todas as fotos de baladas, festas à fantasia e viagens pra argentina.

E, no final, me enjoa saber da vida igual de tanta gente.