Rdio Jives, “Neurastenia” jan/14


Eis uma mixtape sem critério, coisas que estou ouvindo, que estão me dizendo o que fazer, em que acreditar, fossa, neurastenia, depressão lite, talvez um pouco de misantropia indie.

Sobre o assunto “fossa”, eu não estou bem. Aconteceu aí, no fim de ano e, bem, vocês sabem que não sou das melhores pessoas para encarar um fim de relacionamento, principalmente se estava absolutamente envolvido e confiante (“apaixonado”, embora descreva exatamente como me sentia, é uma palavra em desuso).

Me desculpem, mas preciso demais escrever sobre o assunto. E tudo bem deixar de ler a partir daqui, porque certamente não melhora muito.

Na verdade, não melhora nada. Último aviso.

Eu gostaria de pensar em mim mesmo daqui uns sete anos, queria deixar de dar scroll até chegar na foto dela, ou tentar aceitar que mereço mesmo tudo que tem acontecido, pois quando fiz com alguém que me amava o que ela fez comigo, eu não olhei pra trás, eu não quis saber. Queria não ficar mais olhando o celular esperando uma mensagem de whatsapp que não vai chegar, uma ligação pra marcar uma conversa que não vai existir.

É torturante o silêncio ao deixar os amigos em casa depois do estúdio, olhar pros móveis da sala da casa onde uns tempos atrás me senti como se houvesse recebido um presente. Restou o silêncio. A rua, em completo silêncio, e eu pensando em subir até a casa dela só pra dar sorte de encontrar no caminho, esperar na rua, fumar um trilhão de cigarros distante o suficiente pra não ser visto. Mas nem pra stalker me dou.

A lembrança, o tempo tratará de descolorir em tanta lágrima.

Estou passando dias inteiros com a angústia de não contar com ninguém, de não querer encher o saco de ninguém sobre esse assunto (mas este é meu blog, né, gente, se não puder fazer isso aqui, onde mais?). Com uma tristeza que não vai ceder tão breve, que vai perdurar por muito tempo até eu aceitar que quando alguém escolhe se afastar é por querer a vida de volta. E, no fim das contas, eu era realmente apenas um peso atrapalhando o desenrolar da história.

A vibe do começo de 2014 é almoçar no Britão, ensaiar a banda nova, anestesiar a mente com atividades menores como colar cartazes na parede de casa e chorar todos os dias por alguém que, basicamente, já te esqueceu (e o Raça Negra diário, tem duas na mixtape, delicie-se).

Em resumo: curto muito as veias expostas da minha própria vida. Tendo me conhecido, Fernando Pessoa jamais teria escrito o Poema em Linha Reta.

Eu sou ótimo.

Um copo

Eu sentei de frente pra ela e na mesa de canto do Charm, ouvindo com atenção sobre algum feito de alguma pessoa que ela conhecia, que ela sempre contava. Uma Skol, dois copos. Continuava atento às palavras e tentava conversar de volta até o garçom deixar na mesa aquela garrafa e um copo de cada lado.

Enchemos, brindamos. Na metade do primeiro copo a voz dela começou a abaixar e minhas mãos começaram a tremer. Olhei pra rua sem ouvir muito bem os sons dos carros, as pessoas, de repente, tudo ficava mudo e só conseguia olhar os copos, com os olhos baixos e perdido num mundo em que só aquilo fazia sentido, por algum motivo.

Passou.

E daquele momento em diante eu soube que em algum tempo, no Charm, só haveria o meu copo na mesa.

Imperfeitos

  1. Denise Bonfanti
    DeBonfanti http://migre.me/3Cc60 // Quero lembrar de um tempo, q uma rua vazia, chuva e nós dois num

    carro, era o mundo perfeito pra mim. 13 Jan 2011 from web

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É quase completamente enlouquecedor namorar à distância. E não estou dizendo de pessoas que moram em outros estados ou países, pois, destes, as diretrizes do universo se ocupam, tendo em vista os prévios entendimentos implícitos na decisão de manter o relacionamento. Trato aqui dos namoros convencionais, de quando você mora na zona sul e sua namorada está na zona oeste** — por instinto, veio na cabeça agora um coro de vozes do programa do Rodrigo Faro que ladram ‘vai de busã-ão, vai de busã-ão’, mas bem, voltemos ao ponto.

Vocês dois trabalham, vocês dois se amam, vocês dois adorariam viver a vida de renomados paleontologistas e diretoras de moda da Calvin Klein, embora tudo o que possam fazer é se encontrar nos finais de semana para uns filmes, uma caminhada no parque, ou um cinema, jantar e encontros duplos, mas a saga da semana até o beijo final é exaustiva, complicada e, por vezes, dolorosa.

Digamos que você já tem problemas demais no trabalho e que o lugar não é o museu de dinossauros que você gostaria de trabalhar. E digamos que sua namorada está ocupada demais para criar um tempo e fazer aquele curso de moda no Senac. No final de semana, todo o tempo que têm sobrado para vocês dois, vocês vão gastar juntos (é o que se espera) reclamando de tudo isso ou, numa melhor perspectiva, fugindo da segunda-feira que já chegou. Porque quando a semana recomeça, tudo o que vocês têm são telefonemas, e-mails trocados e risadas sobre qualquer bobagem para esquecer essa miserável e traumática relação virtual.

Portanto — e neste trecho este texto se assemelha a alguém tentando defender algo apenas com críticas. Já começo a ouvir de longe os rumores de ‘você não tá ajudando com isso’ — é necessário ter em mente um plano para uma vida melhor. Um plano com prazos e estratégias, ainda que distantes. E isso não significa planejar a vida toda em tópicos e viver cada linha como única e imutável, pois, sinto informar, nesse meio tempo algumas coisas podem dar errado. E esse caráter imprevisível é que impulsiona nossa vontade de viver.

E quem sabe em alguns anos você não vai estar ligando no escritório da Calvin Klein dizendo para sua esposa o encontrar naquele restaurante árabe em 20 minutos, porque acabou de terminar o estudo de análise do femur daquele pterodáctilo. Who knows?


*ilustrei o post com esse tweet que deu a idéia desse texto
**sim, essa é minha vida, amigos.