2017

Esse ano foi certamente o que eu menos escrevi em toda a vida deste blog. Tive motivos e se você der uma lida nos últimos posts, vai entender que não foi lá muito fácil (o que aprendi todos esses anos é que poucas vezes foi fácil também).

2017 foi o ano em que eu estourei meu tornozelo e fiquei 4 meses em casa, o que foi ótimo no começo e depois se tornou um martírio foda com falta de dinheiro até pras necessidades básicas de casa do tipo “vou lavar menos roupa esse mês pra não ter que comprar outro sabão em pó”.

Sem contar lidar com o fato de que muito possivelmente não vou poder voltar a jogar basquete nunca mais. Não que eu fosse um jogador frequente, mas saber que podia jogar quando quisesse era uma espécie de constante em que eu poderia sempre voltar.

Depois teve o mês em que eu toquei bêbado no Feeling errando músicas que tocava praticamente todo final de semana e tive de lidar com a culpa de tocar na festa de um amigo e ter cagado tudo, ter feito minha melhor amiga se sentir mal e ter feito o meu melhor projeto musical até hoje ter parado de repente por minha causa.

Tá foda? Tá, mas tem mais.

No mesmo dia eu dormi no volante e arrebentei o carro na traseira de uma perua. Dá pra ler uns 3 posts atrás o texto excitante no qual escrevo a sensação de ter feito possivelmente a pior cagada da vida adulta, portanto não vou me alongar muito nesse assunto, deixando apenas o evidente: foi sim uma merda completa.

Depois da épica jornada para voltar ao trabalho, enfim voltei. Tive a esperança de que todos estariam contentes em me ver, mas aconteceu que demorou uns meses e algumas conversas até me sentir ok novamente no lugar.

Conheci Kakau, minha amiga desde 2002. Ela conheceu alguns de meus amigos também. Aprendemos juntos que somos mestres em tomar decisões erradas na vida e vivemos perigosamente como adolescentes depois dos 30.

A banda começou a dar problemas que dava pra ver que iam desaguar em choro e desapontamentos, mas eu fui levando até onde deu (e acho que pra mim chegou num limite foda quando me vi perdendo o casamento do Leo por conta de um show no litoral, o qual me fez chegar em casa de manhã e perder a cerimônia, que era bem cedo).

Voltei a namorar com a Mari, para encher baldes de choro das inimigas o que tem sido o lado de aprendizado da vida que é construtivo e me dá uma certa esperança para o futuro, note que eu digo “certa” porque vocês imaginam como esta cabeça funciona.

Em outubro pedi demissão da agência, depois de muito refletir sobre o fato de demorar duas horas e meia de transporte coletivo para chegar no escritório e sentar em frente a um computador para preencher uma planilha. Sério, gente, home office: deixem de lado esse baixo astral e pensem sobre o assunto.

Claro que eu saí de lá com um plano: ser Uber driver nos meses em que ficasse desempregado. O que deu certo em novembro e cagou em dezembro, por motivos que não sei bem explicar, embora eu deva voltar em breve.

Portanto, 2017 foi um ano complicado em muitos níveis. O ano em que me desfiz de coisas demais, mas não o suficiente pras pessoas começarem a perguntar se estou mal. Esse desapego dos meus pertences tem sim muito a ver com algo mais profundo e melancólico com aquele pé na depressão que a gente não tira por pura birra.

Que 2018 seja um ano de passar a vassoura na casa e renascer. De novo.

Coisas Estranhas

Contém spoilers da segunda temporada de Stranger Things, portanto leia apenas depois de terminar de assistir. Não, calma, acho que “contém” não é suficiente. Isso aqui é um texto basicamente só com spoilers, uma central, um encontro anual de spoilers, uma feirinha da benedito calixto de spoilers. Fique atento.


Eu lembro dos primeiros seis episódios de Breaking Bad, série que assisti intrigado pela história, embora todo mundo que acompanhou assim que a série saiu tivesse achado cult demais, cinematográfica demais, de nicho demais. E então, quando as outras 5 temporadas saíram, vimos Walter White e Jesse Pinkman protagonizarem uma das melhores coisas que você já viu na TV. É a sensação de “eu carreguei esse moleque no colo olha ele agora voando baixo” aplicada a um universo completamente distinto. É basicamente a mesma sensação que estou ao terminar de assistir Stranger Things 2.

A segunda temporada de Stranger Things está infinitamente melhor do que a primeira em muitos sentidos: mais vibrante, com um monstro maior e mais complexo que o anterior e sagas individuais mais intensas para cada personagem principal.

Will segue sendo o centro das atenções (e a melhor atuação da série) centralizando os problemas maiores como sua ligação casual com o mundo invertido e a eventual possessão malígna com o monstro habitando seu corpo, o que nos leva a uma cena digna d’O Exorcista, com a mãe sendo quase estrangulada, voz bizarra, Nancy encostando uma haste de aço em brasa na barriga do menino, culminando na fumaça preta saindo pela boca de Will, o libertando.

Da metade pro final da temporada acabam rolando também algumas ligações de personagens que não imaginaríamos tendo qualquer proximidade, como Dustin e Steve, este último sendo um dos mais legais da série, especialmente por ser quase que um ex-vilão que apanha bem, vive o drama adolescente do coração partido e amadurece demais sempre no último (ou perto do último) episódio.

Apesar disso, a série pecou em alguns outros pontos como acrescentar dois novos personagens sem muito background (Max e Billy) fingindo que eles têm um tremendo segredo, quando no fundo são apenas irmãos de consideração, se é que você pode chamar de “consideração” alguém fazendo mind games de possessividade, uma agulhada no pescoço e muita gritaria durante toda a temporada.

Como bem apontado no Reddit, a série continua matando personagens cujos nomes começam com a letra B: primeiro Barb, depois Brenner e agora Bob (se cuida Billy).

Recomendo assistir também os sete episódios de Beyond Stranger Things (O universo de Stranger Things) um after show com muitos dos personagens da série, onde a gente descobre várias referências, inclusive que o tal do Billy era o Power Ranger vermelho e o Bob era o Sam Gamgi do Senhor dos Anéis e um dos Goonies, por exemplo.

A próxima temporada ficou aberta e sem muita indicação do que vem pela frente (por opção dos produtores), fechando apenas com o tal do Mind Flayer em cima da escola. Espero que libertem Will finalmente dessas tretas todas e que ele possa contracenar em algum momento com sua bestie (Will e Eleven praticamente não interagem na série, embora sejam os personagens principais das duas temporadas).

A única parte ruim de Stranger Things 2 é a) assistir tudo tão rápido e terminar sabendo que a próxima temporada vai custar até chegar e b) o joguinho pra smartphone que saiu no começo de outubro e só consegui chegar até os 97,1%.

Choque

Consternado com situações-lixo que me jogo todos os dias. Penso muito no Carl Sagan falando que somos apenas poeira estelar. Somos. Poeira estelar com contas pra pagar e saldo negativo.

Preciso ser mais a pessoa que os gatos enxergam, menos a pessoa que esperam que eu seja. Perder esse equilíbrio da vida fez eu esquecer partes do que sou por aí.

Poeira estelar.

Dane-se a poeira estelar.

2017 é sobre reaprender que a vida vale a pena. E que existe amor em algum canto desse universo e ele vai te salvar quando tudo mais parecer perdido e sem direção.

Deus, irmão

Consigo enxergar a gente sentado na beira da praia. Agradecendo a hospitalidade do vendedor de sorvete. Eu tentando te convencer sobre como o picolé de fruta não faz sentido, sujando a mão toda de chocolate derretendo. Você dá risada me reprovando, enquanto eu levanto para jogar as embalagens no lixo. Você me olha voltar pela calçada, enquanto eu presto atenção em dois barquinhos de pescadores, na pontinha do horizonte. Como será que vivem aqueles moços? Me pergunto se em algum momento do dia de trabalho eles param pra olhar a infinitude do mar e refletem sobre a pequeneza de suas existências. Quando volto o olhar, você está com a mão sobre os olhos, escondendo o sol, se esforçando pra me enxergar. Eu chego e sento ao seu lado. Um abraço. Te olho bem no fundo dos olhos e digo que quero guardar aquele momento pra sempre. Você encosta a cabeça no meu peito e vemos voltando aqueles barcos e seus pescadores filósofos conversando algo engrandecedor:
– O mar é grande demais né, mano, já pensou?

– Deus, irmão. O barato é louco.

O dia em que fomos na 89

Semana passada dei uma entrevista na 89, junto com a Mari e o Projeto 2005.

No momento em que fechamos a data, começou a palpitação forte até o dia em que fomos na rádio. Até chegarmos no saguão do prédio e subir de elevador. Atravessar o escritório da 89 até o estúdio.

Aí começou a dar tudo certo.

Uma entrevista de uma hora. Tocando sons ao vivo, ao lado da minha melhor parceria musical da vida. Com um grande amigo que fiz na vida comandando o programa. Meus amigos online assistindo a live e lembrando praticamente todas as bandas que já tive.

Foi intenso.

Queria voltar em 2004 e dizer àquele moleque sentado no banco da rua tocando beat on the brat com uma garrafa de vinho horrível ao lado, que um dia ele vai colar na rádio e começar a entender o sentido que as coisas precisam começar a fazer na vida. Que vai ficar tudo bem e que ele vai lamrntar apenas não ter feito disso sua vida inteira desde aquela época.

Estar na 89, pra nós, foi mais mágico do que poderíamos esperar para um.projeto desse porte, com essa vibe. Não somos experts, nem somos extremamente profissionais. O que fizemos até hoje foi enfiar o coração em algo que surgiu de nós. E tem dado mais que certo viver tanta coisa maravilhosa assim.

Eu só entendo o tamanho disso quando alguém me pergunta se dá dinheiro. Porque dá pra notar que ninguém tem a menor noção do que tudo isso tem representado pra duas pessoas como a gente.

E tem sido incrível até aqui.

Joguetes

Tava prestando atenção em quem eu era.

Nas coisas que tinha na cabeça quando tinha, sei lá, vinte anos. Eu era só um moleque com um violão. Indo a shows de bandas que quase ninguém conhecia, me encontrando num mundo que, no fim das contas, já não era tão malvado assim.

Antes do aluguel, das contas chegando, dos amores que renunciaram, dos que renunciei. Era eu com a certeza de que o que me levaria pra frente era seguir a vida conforme ela vinha, sem pensar demais sobre o assunto.

Talvez esse tenha sido o maior erro.

Com a distância do tempo a gente passa a enxergar com clareza o exato momento em que errou. Aquele dia que tudo poderia ter virado a seu favor, mas aí seu braço bateu na mesa e você mexeu no tabuleiro do banco imobiliário, então ninguém sabe mais quem era dono do Jardim Europa e da Companhia de Aviação.

Perto dos 33 eu ainda procuro algum sentido em estar vivo, alguma chance de sobreviver sem ter que me desumanizar tanto pra manter um teto sobre a minha cabeça.

Ainda não sei o que fazer, obviamente.

Minha única certeza é que a resposta não está em melhorar meu currículo. A resposta tá na essência, naquele 2004 que eu deixei passar tanta coisa por medo de não dar certo. Seria fácil de buscar, se ela não tivesse incubada num cofre guardado no fundo de uma caverna no Pacífico.

O negócio é que ou eu passo a buscar a resposta hoje ou vou continuar esse carrinho do jogo da vida com um pininho só chegando no final do tabuleiro sem muito do que me orgulhar.

As referências aos jogos de infância acabam aqui, prometo.

Teve esse final de semana em que eu e Mariri tocamos num casamento no interior e depois num show na zona leste. Tudo pra dar certo, inclusive depois que eu engessei o pé

Silêncio ensurdecedor

Há esse barulho em mim.

Nos momentos em que fico calado, ele desperta com furor e alguma sensatez, descobre em mim pistas e reflexões para uma vida que eu nunca soube direito pra onde vai. Esse barulho me incomoda, me faz criar, me faz não ter mais medo e saber que estar sozinho no universo pode ser uma espécie de presente. E estar sozinho no mundo sentindo-se grande e completo é diferente do tédio de estar sentado em frente a um video game esperando os amigos se conectarem na live pra jogar umas missões.

Esse barulho em mim chega a assustar. Me acorda com frases positivas no espelho do banheiro, como dizia a Madre Teresa (que época), me faz levantar com lembranças de músicas que nunca mais ouvi e inspirações pra textos ou outras canções que guardo pra mim. Me faz pegar o violão e acertar acordes para uma canção que me diga exatamente como fazer pra sobreviver por aqui.

A vida é cheia de silêncios também. Nas ruas, no transporte coletivo, no escritório. Milhares de pessoas passando umas pelas outras sem sorrir, ou estranhando sorrisos alheios. Tem um senhor que varre a rua todos os dias cedo, no horário em que estou a caminho do ponto de ônibus. Passo sempre acenando, ou dizendo bom dia. Ele nunca me respondeu. Meu ano sabático no interior me fez aprender a sorrir ou acenar sempre. A cidade traz medo, insegurança, pé atrás. Faz com que as pessoas não respondam mesmo. Eu continuo acenando, como parte dessa resistência.

E para cada silêncio que o mundo me coloca, aumento 2db desse barulho em mim.

Livros e filmes de março

Cara, sério.
Não aguento mais reclamar da vida.

Livro
Leão de Chácara, João Antônio ★★★★★

Filmes
Dallas Buyers Club ★★★★★
Trumbo ★★★
The Big Short ★★

Séries
House of Cards, season 4 ★★★★★
The Walking Dead, season 6 ★★★

2015

Começou como sempre. Uma dúvida aqui, uma luz de um lado, um pânico abstrato e desconhecido de outro. Tocando violão todos os dias. Morando em Cajamar, distante de minha família, meus amigos, dos happy hours no seu Zé (faz falta hein, cacete, vamo marcar). E os gatos dormindo no sofá, enquanto eu terminava de ver alguma série com a minha internet 3G sofrível.

No começo do ano eu estava com o coração apertado por dúvidas que me faziam passar horas sem dormir. E aí teve o dia em que fui com Fefa no tempo Zu lai, um dia incrível. Um dia de muito calor também. Semanas depois, vi o show da banda que jamais imaginava ver, tendo em vista que com os preços praticados em shows no Brasil eu daria uma bela entrada numa CGzinha.

E então teve a despedida do João para Buenos Aires e meu carro pegando fogo, um episódio à parte que se deu dentro do condomínio e no qual só consegui apagar graças ao extintor do meu prédio. Com o carro quebrado, intensificaram minhas viagens de ônibus intermunicipais até a lapa e depois até o capão, voltando no domingo e subindo a ladeira do condomínio no interior como um alpinista (sério, Cajamar cidade dos morros).

Fui perseguido pela bad trip de relacionamentos que já se foram. De relacionamentos que começariam e eu não tive o dom de levar pra frente. Eu sabia estar fazendo a coisa certa, mas o que fica é só tristeza. A gente acha que vai dar tudo errado até alguém provar que vai dar certo, mas espera, estou pulando o espaço-tempo.

Colei quadros nas paredes com a última formação do Sig Sauer e a primeira formação do Pode Pá, bandas que levarei para sempre no coração, embora tenha uma quase certeza de que elas jamais voltam. Tentamos o Parazite por dois ensaios, mas não foi a lugar algum (ainda). Dan tocou no xEscurox e no Trust no one, Bruno montou o Romantic Bipolar, Billy voltou com o Justa Causa. Eu gravei o We hit concrete, meu projeto de músicas tristes pra cacete, tão tristes quanto as coisas que escrevo neste blog, só que melodiosas e intensas (rolou uma dessas músicas no final de uma matéria extremamente triste pela Rede TV, valeu Rodrigo etc).

Deu tudo certo pra todo mundo.

Foi na mesma época em que conheci Mariri. Na mesma época em que combinamos de tocar, mesmo sem jeito, mesmo sem tanta amizade. Covers de bandas que a gente ouvia dez anos atrás. Não seria demais? Seria. Começamos o Projeto 2005 sem a menor certeza de nada, fazendo covers pra agradar a nós mesmos. Eu não sei explicar exatamente como se dá essa parada de energia, mas o que a gente tinha ali, poucas vezes tive com relação à música. Bil chamou a Mariri pra cantar ao vivo com o Zander no Inferno Club. Rey também, no Hangar 110. Teco também, no Zé Caramujo Hostel.

Chamaram a gente para uma reunião na Universal Music.

Não dava pra entender direito o que estava acontecendo. Estávamos em contato com o cara responsável por contratar bandas. Pediu pra levar o violão e, numa sala de reunião, com uma mesa de reunião, tocamos algumas músicas dos vídeos que já havíamos postado. Ainda não sabemos exatamente no que vai resultar isso, ou se vai mesmo resultar em algo, mas passamos a gravar um EP com 10 músicas no estúdio TOTH, para ver até aonde pode ser de verdade tudo isso.

A despeito de qualquer tipo de sucesso, de todos os comentários, likes, compartilhamentos, quase 2000 pessoas curtindo uma página de dois desconhecidos que ainda não conseguiram sequer fazer um post patrocinado pelo facebook por falta de grana, eu e Mariri nos tornamos mais família do que podíamos imaginar. E isso faz das coisas mais de verdade, mais reais, mais tocáveis. Sucesso é viver, mano.

Foi então que rolou o batizado de Fabrício, em julho. Filho da Camila e do Danilo, dois dos meus melhores amigos, e certamente o ser humano mais lindo deste universo (já colou até no parque pra ver o projeto). Na semana seguinte, E. disse que havia uma garota perguntando quem eu era, pois tinha visto uma foto deste dia.

A primeira vez que falei com Mariana, sabia o que estava para acontecer. É aquela parada do how I met your mother, o Lebenslangerschicksalsschatz, uma expressão alemã que quer dizer “o tesouro do destino ao longo da vida”, ou coisa que o valha. E eu estava ali sabendo onde ia dar. Sabendo que na semana seguinte eu não ia mais aguentar, eu tinha que levá-la junto comigo pra ver o mundo, pra me deixar ver o que eu mesmo havia escondido. É estranho a sensação de ansiedade que o passado nos dá. É estranho toda essa bagagem acumulada como se a gente andasse por aí literalmente cheio de malas (ok, parei com as referências de HIMYM). Malas mentais, bolotas encrustadas em toda a nossa história. Traumas, aflições, brigas das quais você teve que aturar, brigas das quais você teve que ouvir, traições, mentiras, gente que gostava de você o suficiente pra te aprisionar numa cela, gente que gostava de você só enquanto você servia para alguma coisa. A vida, ela pode ser muita treta às vezes.

E aí chega alguém como a Mariana. Que me deu uma caixa de chocolates quando a gente fez um mês de namoro. Que sabe o que quer da vida, que me escolheu, que faz uma questão imensa de se ver no nosso dia. Aliás, dia 23, hoje mesmo (para enviar presentes favor entrar em contato via inbox). Mesmo com tanta certeza dela, eu achei que não merecesse. Eu achei que, como sempre, daria tudo errado. Ela me fez acreditar que não. E meu palpite é que ela vai me fazer acreditar mais um pouco todo dia. E assim que minha mente deixar de brincar de se martirizar com o passado, eu terei alguma oportunidade de ser feliz com ela.

Isso tudo, 4 meses atrás.

E lá estava eu, mudando de novo. Com um bom motivo, me despedindo de Cajamar, que já me expulsava aos poucos. Os cachorros do condomínio me detestavam, assim como detestavam muitos outros moradores. Eu já estava querendo sair faz um tempo. Me mudei novamente com o meu irmão, pela necessidade desse aluguel absurdo de São Paulo. Um apartamento manero, uma cobertura no Butantã. Os gatos acharam legal, depois do tempo de adaptação em que Tyler ficava só embaixo da cama, saindo apenas para comer. Agora tá tudo bem.

2015 foi uma ano a ser lembrado para sempre. Definitivamente bastante diferente de 2014, em que eu estava por aí juntando os cacos que restaram de mim, afinal, caia dez vezes, levante onze etc, foi um ano em que as coisas passaram a fazer algum sentido. Eu toco instrumentos diversos há tipo 15 anos. Este ano, enquanto eu estacionava o carro e tirava o violão do porta malas, um vizinho de Cajamar, essa cidade pequena, mas genuinamente interessada na vida alheia (pode-se ler intrometida também) me perguntou: “opa, vc é músico?” e eu, voltando o olhar para o violão e para ele pensando bastante nesses três segundos de drama disse: sou.

Foi o ano em que fiz uma tatuagem no braço, o ano em que gravei na mão três músicas do Rodrigo e toquei ao vivo, no estúdio, com ele. O ano em que tirei mais de cem músicas no violão e terminei o ano lembrando as notas do cavaco. Um ano que me trouxe tanta energia boa, tantas pessoas boas que eu só tenho a agradecer. Espero ter a sabedoria necessária para aproveitar melhor os anos seguintes, para viver da melhor forma possível, me culpar menos, ser mais atento para quando a vida pedir mais de mim, coisas desse gênero.

Que o nosso 2016 seja incrível.

receita de panquecas com recheio de soja pvt ou “your own personal bela gil”

Para a massa:
1 ovo (qualquer ovo)
1 pouco de farinha
1 pouco de leite
1 pouco de sal

Preparo:
Note que o ovo é a única medida que faz algum sentido e o resto é tudo no olho mesmo. Jogue no liquidificador e vá colocando mais farinha ou mais leite, até que a massa fique não muito dura tipo de bolo, nem muito mole tipo vitamina de banana.

Separe.

Unte uma frigideira e vá fazendo pequenos círculos. Espere dar uma secada de um lado e vire até o outro lado dar uma queimadinha. Jogue pro alto, se divirta. Vá testando com pouca massa na frigideira, quanto mais fina, mais legal fica na hora de montar.

Você chega lá.

Para o recheio:
1 punhado de soja PVT
1/2 cebola
1 pouco de alho
Tempero que você achar melhor (use chimmy churry sempre)
1 pouco de água
1 pouco de molho de tomate

Preparo:
Refogue ali a cebola por um tempo até dar uma amareladinha. Jogue o alho (é este o esquema pra não queimar). Deixe o alho ali por um tempo até que eles olhem de volta pra vc e digam “ok, agora vamos começar a queimar cara, tira a gente dessa”. Aí vc joga o punhadinho de soja PVT (sem hidratar mesmo, fica tranquilo, vai dar tudo certo).

Mexa com uma colher pra misturar a soja e o refogadinho. E então, jogue água até cobrir o que está na panela. Acrescente os temperos que achar legais (na minha versão coloquei chimmy churry, salsinha e um mix de cebola e alho desidratados que fica bem legal). Tampe a panela e aumente o fogo até a água baixar.

Quando a água secar (não espere ela secar de todo, ou vai queimar o fundo da panela etc), jogue um pouco de molho de tomate desses prontos mesmo. Coloque até formar uma gororoba firmeza, de fácil manipulação.

*

Montagem das panquecas:
Abra a massa redondinha e jogue uma quantidade sóbria de recheio de modo que dê para enrolar a parada.

Enrole a parada.

*

Toque final:

Monte a sua marmita para o dia seguinte e esqueça tudo na geladeira (o verdadeiro motivo deste post que você estava estranhando até aqui, pode dizer a verdade)

=)

Hora da aventura

O estado de transe é meio traiçoeiro, meio fugaz, de mentira. Ele apareceu ontem quando eu tava ouvindo a trilha de a vida secreta de Walter Mitty e, numa conversa, sendo esta pacata pessoa que faz piadas pra esconder o embaraço. E eu disse pra mim mesmo que era hora de saber fazer isso direito. Isso de viver. De ser displicente. Do direito de se esborrachar. Porque não é tão legal quando a gente se esborracha o tempo todo. Quero também o direito de estar de pé quando tudo o que restar for sonho e purina cat chow para ambientes internos. E talvez olhar pra frente e talvez sorrir desse jeito, como o kevin spacey no final de beleza americana que, olhando pra parede, vislumbra tudo o que passou até chegar ali (e aí toma um tiro na cabeça de um redneck homofóbico e gay enrustido, mas aí é outra história).

Um por dia

Taí, uma meta. Ou eu não escrevo mais nada, nunca mais (o drama é um patrocínio da segunda-feira).

Preciso tanto te contar umas coisas, cara. Tô compondo músicas depressivamente depressivas, mas prometo compartilhar quando eu achar que elas estão minimamente legais e um pouco menos constrangedoras. Só eu e o violão, porque a vida ensinou que se pans é mais fácil assim mesmo. Gastei com umas coisas do DX para gravar tudo em casa mesmo, mixar e levar para S. “””masterizar”””, o que quer que isso signifique para ele (eu sei o que significa, mas da última vez eu vi o cara abrir a música num programa e aumentar o volume, o que foi meio decepcionante).

Aderi ao 8tracks que é um serviço que ajudaria bem o John Cusack em Alta Fidelidade, criando listinhas de 8 músicas, embora eu ainda não tenha completado nenhuma, principalmente por não conseguir focar em listas simples e criar coisas como: “8 músicas funk com samples maravilhosos e/ou onomatopeias inesperadas que eu teria dificuldade em admitir que gosto” ou então “8 músicas de hardcore insossas e melancólicas milimetricamente projetadas para você não se punir tanto com a merda que deu a sua vida”.

Cansei de Cajamar, mas não da cidade, veja bem, aqui é lindo, as pessoas são bondosas e dão bom dia sem se conhecer, as coisas cheiram mato mesmo, cachorros de rua impecavelmente limpos e queridos (embora tenha um que me odeie e tenha tentado me atacar o que me impossibilita descer a rua a pé no momento). Cansei apenas pela sensação de estar longe de onde deveria estar, de ter compromissos no final de semana e ter que deixar meus gatos sozinhos (eles derrubaram a cadeira na porta de vidro no último fim de semana, calcule minha alegria – ou a alegria deles etc). É a primeira vez longe do Capão e eu certamente moraria aqui para sempre, embora tenha pernas pregadas nas quebradas da zona sul. M. descobriu ontem com os astros que eu tenho um sol voltado para a zona sul do meu mapa, nem o Racionais diria melhor.

M. ♥, a propósito, melhor pessoa em atividade.