Hora da aventura

O estado de transe é meio traiçoeiro, meio fugaz, de mentira. Ele apareceu ontem quando eu tava ouvindo a trilha de a vida secreta de Walter Mitty e, numa conversa, sendo esta pacata pessoa que faz piadas pra esconder o embaraço. E eu disse pra mim mesmo que era hora de saber fazer isso direito. Isso de viver. De ser displicente. Do direito de se esborrachar. Porque não é tão legal quando a gente se esborracha o tempo todo. Quero também o direito de estar de pé quando tudo o que restar for sonho e purina cat chow para ambientes internos. E talvez olhar pra frente e talvez sorrir desse jeito, como o kevin spacey no final de beleza americana que, olhando pra parede, vislumbra tudo o que passou até chegar ali (e aí toma um tiro na cabeça de um redneck homofóbico e gay enrustido, mas aí é outra história).

Um por dia

Taí, uma meta. Ou eu não escrevo mais nada, nunca mais (o drama é um patrocínio da segunda-feira).

Preciso tanto te contar umas coisas, cara. Tô compondo músicas depressivamente depressivas, mas prometo compartilhar quando eu achar que elas estão minimamente legais e um pouco menos constrangedoras. Só eu e o violão, porque a vida ensinou que se pans é mais fácil assim mesmo. Gastei com umas coisas do DX para gravar tudo em casa mesmo, mixar e levar para S. “””masterizar”””, o que quer que isso signifique para ele (eu sei o que significa, mas da última vez eu vi o cara abrir a música num programa e aumentar o volume, o que foi meio decepcionante).

Aderi ao 8tracks que é um serviço que ajudaria bem o John Cusack em Alta Fidelidade, criando listinhas de 8 músicas, embora eu ainda não tenha completado nenhuma, principalmente por não conseguir focar em listas simples e criar coisas como: “8 músicas funk com samples maravilhosos e/ou onomatopeias inesperadas que eu teria dificuldade em admitir que gosto” ou então “8 músicas de hardcore insossas e melancólicas milimetricamente projetadas para você não se punir tanto com a merda que deu a sua vida”.

Cansei de Cajamar, mas não da cidade, veja bem, aqui é lindo, as pessoas são bondosas e dão bom dia sem se conhecer, as coisas cheiram mato mesmo, cachorros de rua impecavelmente limpos e queridos (embora tenha um que me odeie e tenha tentado me atacar o que me impossibilita descer a rua a pé no momento). Cansei apenas pela sensação de estar longe de onde deveria estar, de ter compromissos no final de semana e ter que deixar meus gatos sozinhos (eles derrubaram a cadeira na porta de vidro no último fim de semana, calcule minha alegria – ou a alegria deles etc). É a primeira vez longe do Capão e eu certamente moraria aqui para sempre, embora tenha pernas pregadas nas quebradas da zona sul. M. descobriu ontem com os astros que eu tenho um sol voltado para a zona sul do meu mapa, nem o Racionais diria melhor.

M. ♥, a propósito, melhor pessoa em atividade.