Staying alive was no jive

The lights thing

Look the bright side, maybe we would be better far away. Even when the lights goes off, we maybe just need it. So, lock your belts, we’ll fly away from here. If we came back, if the lights can be turned on again, I’d be glad like never before.

Cansei Foda

Foda mesmo da sociedade é ensinarem que as pessoas que você ama vão estar do seu lado nos dias bons e nos dias ruins. Porque nunca é assim. Tem aquele quote de um poema do escritor Sérgio Vaz que diz: “Tenho más notícias: quando o bicho pegar você vai estar sozinho. Não cultive multidões”. Não cultive. Porque vai acontecer. Quando você estiver perdido, sem direção, seu maior ponto de apoio vai te decepcionar e, eventualmente, te abandonar.

E você vai acabar tão vazio quanto antes.

Aí vem na mente aquele outro quote de LOST, quando Locke fala sobre destino e Ben lhe dá o devido corte: “cause destiny, John, is a fickle bitch”

E cansei de traduzir também.

Movendo Montanhas

Fiquem com este vídeo do Moving Moutains, post rock terapêutico. E bom fim de semana.

Tire as mãos do seu rosto pra que eu possa ver
Tudo o que você é e tudo o que costumava ser
Você costumava ser
Para mim, alguma coisa que você não quer ser
Eu sei
Você é como o sol
E eu sou terra
Juntos, somos um
E um dia
Seu fogo vai morrer
E eu vou crescer frio sem a luz do sol
E eu vou congelar, amor
Eu vou morrer
Eu vou congelar
Eu vou morrer por você
Porque as coisas
Elas sempre morrem
Só dê algum tempo, elas sempre morrem
E nós, algum dia, vamos ver nosso amor brilhar
Nosso amor vai brilhar
Seu amor não vai enfraquecer, querida
Amor, eu não posso fazer isso sozinho
Coisas como estas são melhores se incalculáveis
Um dia o sol vai morrer e eu vou crescer frio
Eu espero que um dia seu amor encontre o caminho de casa.

Bebida, blah!

Pois é, em 2010, consigo contar nos dedos minhas bebedeiras.

Existem algumas sensações um tanto dolorosas.

Uma delas não é a saudade do sabor do álcool, nem nada parecido. O que faz falta é a sensação de ter ultrapassado os limites de sua razão, de desligar o botão da civilidade, de se comportar como alguém que não dá a mínima pra nada.

Aquela leveza que te dá dividir 4 garrafas de cerveja e uma ou outra dose de qualquer bebida quente com um amigo em um boteco sujo na rua Augusta, em volta de uma mesa de bilhar, roubando bolas e colocando Raça Negra na Jukebox, só porque você lembra que o vocalista tem a língua presa e isso vai ser motivo de risadas pelo resto da noite.

E você, amigo do fórum, que está numas de me indicar o canhamo e imaginou que eu ainda não pensei nisso como uma solução tátil para o problema: Think again.

Outro fator: quando estou bêbado, qualquer lugar parece seguro, o que já me fez caminhar de madrugada pelo escadão da nove de julho, do Pq. do Lago ao Capão Redondo, como se fossem lugares vigiados 24×7, numa tranquilidade como se andasse com guarda-costas ou como se estivesse só no mundo.

Mas claro, dá pra sentir falta de whisky, por exemplo. Logo, a primeira decisão para 2011 é comprar uma garrafa de Jack Daniels e sair pelo Capão Redondo a pé.

Dilemas da vida social

“A vida é feita de compromissos”. A frase que todas as pessoas chatas e/ou implicantes dizem. Embora eu tenha receio em concordar com esse tipo de gente que anda engravatado, com celulares à vista e óculos de sol ocupando o lugar de uma tiara, desta vez eles me pegaram.

Sempre que ouvia essa frase ou algo do tipo pensava em alguém que marca compromissos numa agenda igual a daquela comédia com o James Belushi cheia de datas e post-its, rabiscos e telefones, chaves reserva, sabe, aquele modo de vida executivo.

Mas existem outros tipos de compromissos para gente comum como nós (?) como o aniversário da mãe do seu melhor amigo que está doente e você precisa estar lá para apoiá-lo, ou a formatura daquela sua prima desgarrada que você não vê a dez anos, mas sua mãe acha importante que você esteja presente, dando aquela força. Não indo tão longe, tem aquele seu amigo da faculdade que você não vê a algum tempo, mas esbarrou na rua meses atrás e ele lembrou de te convidar pro seu aniversário. E aí você se lembra que o cara era gente fina na faculdade. E você vai.

As pessoas se entopem de compromissos e formam uma aproximação que muitas vezes não é saudável. E se esse meu amigo da faculdade se tornou um babaca insuportável? E se sua prima não dá a mínima? E se a mãe do seu amigo preferir estar em casa sozinha, com os seus, um bolinho e descanso?

No fundo, um decide pelo outro. Meu amigo achou que sua mãe estaria melhor com todos os amigos dele em volta dela. Minha mãe previu que minha prima gostava de mim e minha presença era realmente importante. E meu amigo pensou que todos os amigos dele gostariam de estar numa festa para o anviersário dele.

Bem, é preciso considerar o fato de que podemos estar errados quando decidimos pelos outros. Criamos ciclos de amizades falsas que, muitas vezes não rolam. Acho que estou dizendo que é possível as pessoas ao seu redor tem o direito de achar você um pé no saco, mesmo você tentando ser um cara gentil.

Portanto, não empurre seus chatings forçados pra cima de mim.

GTFO, Inferno Astral!

É, o inferno astral acabou. Pra fechar, meu pai teve um princípio de ataque cardíaco e minha avó morreu esta semana. Mas tá tudo bem agora, sério. Não tem jeito fácil de dizer essas coisas terríveis. Tive uma conversa com meu irmão, ambos sabíamos que era melhor pra ela, a galera devia ficar mal antes, quando ela sofria, não agora. Parece meio óbvio, mas não dá pra saber o que é para um filho perder uma mãe, se você não viveu isso. Então, eles estavam todos lá, meu pai e meus tios, tristes e consoláveis, mais sozinhos no mundo. Pelo menos vi meus primos, essa gente toda distante e, de certa forma, próxima. Deu pra lembrar porque amo o jeito particular e intraquilo da minha família.

Sério, tá tudo bem. Não senti tanto, acho que senti mais da vez que fui vê-la doente e o Alzheimer não a deixou me reconhecer.

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Porra, essa segunda temporada de LOST é neurose atrás de neurose. E nem falo do Charlie, o rockstar falido, tá ligado? A crew toda mesmo. Nego nóia numa fita, se desespera, acha que tá sendo seguido, vê coisas no meio da selva, toma atitudes desesperadas. I mean, mano, você tá fudido, caiu no meio de uma ilha foda, que, no fundo, não faz mal a ninguém. Então vai cortar umas lenhas e pára de ser esse viciado paranóico que você é. Minha teoria, pelo menos nessa temporada, é que tá todo mundo on drugs demais.

Ah, tenho uma semana pra ver as outras quatro temporadas que me faltam até o season finale da season finale.

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Acabei de ler numa discussão via email corporativo a expressão “para evitar dissabores”. Tive que concordar sem ver o resto da mensagem. Ainda nesse e-mail – que tratava de uma idéia estapafúrdia de um dos cabaços dessa merda nossos sutis e espirituosos colaboradores -, a moça citou leis de creative commons e questionou a chefia. Respect.

Mark as SPAM

Daí que eu trouxe pro trabalho meu fone Philips com tecnologia Noise Reduction, que me livra até 75% do mundo real no escritório. O único problema é que tem um telefone na minha mesa. E ele jura que eu preciso atender algumas ligações.

Vez ou outra esqueço e, ele toca intermitente, até que alguém me avise. Foi o que aconteceu. Quando atendi, uma moça de garbo elegância e digna colega de trabalho (Abravanel feelings) – conversava com alguém:

Mulher: Pede pra ligar e não atende, aquele gordo do caralho.
Eu: Ponto Frio…?

Ela desligou e então coloquei o fone no gancho pensando na hipótese de ter me tornado alguém insuportável pra essa gente bonita e respeitável.

Sérião, tenho um ou outro amigo que me chama de gordo do caralho. Não tenho problema algum em ser um gordo do caralho, geralmente dou risada e replico com qualquer outro jargão ofensivo ao conviva em questão.

Ouvir isso de alguém que trabalha com você, por telefone, tendo a certeza de quem foi que deixou isso escapar passa a exata sensação de ser um catador de lixo no natal e assistir o programa do Boris Casoy porque, oras, você acha ele um ótimo profissional.

Se nego chegasse na minha cara e me tratasse mal, dissesse abertamente que me acha um gordo do caralho, não me importaria. Voltaire com aquele papo de “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito…zzzz”. Enfia seu direito no meio do olho do seu cu e sai quicando. Não me importo, sério.

Esse é o tipo de coisa que acontece e você precisa jogar a informação fora. Excluir as imagens para um lugar esquecido no subconsciente, onde estão aquelas brigas que você perdeu e as namoradas que te traíram.

No fim das contas, esqueci a parada. Dei, na verdade, um belo Mark as spam mental.

FUCK YEAH, LOVE

O problema não é minha falta de apreço pelo Corinhtians, pelo contrário, tenho até certa estima pelos alvinegros. Meu avô era corinthiano, grandes amigos também são. É a porra da maior torcida do Brasil, velho, você não tem como estar em um debate sobre futebol sem a presença de alguns deles.

Tenho um pouco dessa idéia de pensar que o futebol é o ócio do povo, mas ela não vai muito longe, porque eu gosto de assistir qualquer jogo.

Mas tem essa parada que me irrita.

O que é realmente insuportável do corinthiano, é que o time do Parque São Jorge conquistou isso de decidir o jogo nos últimos minutos, o que faz o malandrão chegar no dia seguinte, estufar o peito e dizer a frase default da Gaviões:

-Com nóis é assim, sofrido memo, filhão, mas no final você tá ligado!

To ligado. Só que hoje, amigo, quem comemora é o Love.

Quando tudo mudar

“Janie’s a pretty typical teenager. Angry, insecure, confused. I wish I could tell her that’s all going to pass, but I don’t want to lie to her.”
Janie é uma típica adolescente. Nervosa, insegura, confusa. Eu gostaria de dizer a ela que tudo isso vai passar, mas eu não quero mentir pra ela.

–Beleza Americana

Algumas coisas simplesmente não vão passar. Gostaria de dizer que a cada mudança vamos saber exatamente como e quando tudo aconteceu, em que parte do plano abrimos mão de algo que nos transformou, mas nem sempre vai ser assim. Precisamos do conflito, da dúvida com o passado, para que possamos viver um presente solene, que pode não voltar mais. Nietzsche disse uma vez que a beleza de ter uma memória ruim é poder encarar cada fato como uma novidade ímpar, como se fosse a primeira vez.

Precisamos do que é velho, de nossa história, para que possamos marcar o passado com post-its e lembrar disso quando tudo for diferente. É preciso colocar a cabeça no lugar, menina.

Não é mais preciso saber onde você errou. É preciso descobrir como acertar daqui pra frente.

Everybody is Gonna Love Today?

Lembro daquele dia que a gente desceu até o posto perto do trampo. Éramos pelo menos 12 pessoas do mesmo departamento da empresa. Todos juntos, bebendo com uma naturalidade adolescente e bonita. O clima era inocente, sem censura, uma dessas ocasiões da vida em que realmente conseguimos sentir na pele a juventude.

Meus amigos, juntos, rindo de piadas e conversas fiadas mais interessantes do que qualquer edição épica do Roda Viva.

Alguma vez na sua vida você se deparou com amigos que quer ter para o resto de sua vida? Aconteceu comigo algumas vezes. Estes, de que falo, são alguns deles. Pessoas da minha geração, gente que não imagina como alguém pode gostar dos estrangeirismos emo, mas que não consegue ficar sem repetir “everybody is gonna love today, gonna love today, gonna love today”, quando pega um vídeo do Mika no Youtube. Eles me trouxeram de volta à minha idade. Naquele dia, estava com os meus.

Mas então, meses depois, relacionamentos e desencontros vividos por estas pessoas transformaram essa “galera” num emaranhado de gente conspiradora, fofoqueira e, por que não, egoísta (Veja que falo aqui de meus amigos próximos que quando lerem isso vão me ligar pra dizer “WTF, nigga?”). Numa disputa de egos e molecagem hiperbólica, eles entraram – e me envolveram, de certa forma – num período que chamo de A Era das Tretas.

E nunca mais houve uma descida ao posto como naquele dia. Nunca mais o ar de tranquilidade, nunca mais uma noite sem conversas esquecidas atrás de cigarros e rodas de gente reunidas pra falar de outras rodas gente que se reunia pra falar de… você entendeu: o tipo de gente que assiste a vida dos outros como uma novela.

Meus amigos não se reuniram mais. Desci no posto algumas vezes, numa ou outra sexta-feira meses depois da Era das Tretas. Vazio. Olhava na iluminação distante, alguns carros embolados, mas não eram meus amigos, eram outras pessoas, bebendo com aquele clima que falava no começo deste texto.

Um deles certa vez me disse que as pessoas se desentendiam fácil e entravam nessas brigas tolas porque a amizade era muito precoce, então o respeito e as confidências amadureciam e envelheciam rápido demais. Faz sentido. Individualmente falando, quanto maior era a proximidade, mais aceitável era julgar alguém por seus atos e mais distante ficava a culpa. No resultado final, ficamos todos sem programações de sexta no pós-expediente. Mudaram as estações, as conversas, as pessoas. Não haviam mais as conversas por e-mail com 350 respostas, não havia mais cerveja na sexta-feira. E, de repente, não havia mais nada.

Talvez seja o preço pago por querer envelhecer rápido demais.