Staying alive was no jive

Quando tudo mudar

“Janie’s a pretty typical teenager. Angry, insecure, confused. I wish I could tell her that’s all going to pass, but I don’t want to lie to her.”
Janie é uma típica adolescente. Nervosa, insegura, confusa. Eu gostaria de dizer a ela que tudo isso vai passar, mas eu não quero mentir pra ela.

–Beleza Americana

Algumas coisas simplesmente não vão passar. Gostaria de dizer que a cada mudança vamos saber exatamente como e quando tudo aconteceu, em que parte do plano abrimos mão de algo que nos transformou, mas nem sempre vai ser assim. Precisamos do conflito, da dúvida com o passado, para que possamos viver um presente solene, que pode não voltar mais. Nietzsche disse uma vez que a beleza de ter uma memória ruim é poder encarar cada fato como uma novidade ímpar, como se fosse a primeira vez.

Precisamos do que é velho, de nossa história, para que possamos marcar o passado com post-its e lembrar disso quando tudo for diferente. É preciso colocar a cabeça no lugar, menina.

Não é mais preciso saber onde você errou. É preciso descobrir como acertar daqui pra frente.

Everybody is Gonna Love Today?

Lembro daquele dia que a gente desceu até o posto perto do trampo. Éramos pelo menos 12 pessoas do mesmo departamento da empresa. Todos juntos, bebendo com uma naturalidade adolescente e bonita. O clima era inocente, sem censura, uma dessas ocasiões da vida em que realmente conseguimos sentir na pele a juventude.

Meus amigos, juntos, rindo de piadas e conversas fiadas mais interessantes do que qualquer edição épica do Roda Viva.

Alguma vez na sua vida você se deparou com amigos que quer ter para o resto de sua vida? Aconteceu comigo algumas vezes. Estes, de que falo, são alguns deles. Pessoas da minha geração, gente que não imagina como alguém pode gostar dos estrangeirismos emo, mas que não consegue ficar sem repetir “everybody is gonna love today, gonna love today, gonna love today”, quando pega um vídeo do Mika no Youtube. Eles me trouxeram de volta à minha idade. Naquele dia, estava com os meus.

Mas então, meses depois, relacionamentos e desencontros vividos por estas pessoas transformaram essa “galera” num emaranhado de gente conspiradora, fofoqueira e, por que não, egoísta (Veja que falo aqui de meus amigos próximos que quando lerem isso vão me ligar pra dizer “WTF, nigga?”). Numa disputa de egos e molecagem hiperbólica, eles entraram – e me envolveram, de certa forma – num período que chamo de A Era das Tretas.

E nunca mais houve uma descida ao posto como naquele dia. Nunca mais o ar de tranquilidade, nunca mais uma noite sem conversas esquecidas atrás de cigarros e rodas de gente reunidas pra falar de outras rodas gente que se reunia pra falar de… você entendeu: o tipo de gente que assiste a vida dos outros como uma novela.

Meus amigos não se reuniram mais. Desci no posto algumas vezes, numa ou outra sexta-feira meses depois da Era das Tretas. Vazio. Olhava na iluminação distante, alguns carros embolados, mas não eram meus amigos, eram outras pessoas, bebendo com aquele clima que falava no começo deste texto.

Um deles certa vez me disse que as pessoas se desentendiam fácil e entravam nessas brigas tolas porque a amizade era muito precoce, então o respeito e as confidências amadureciam e envelheciam rápido demais. Faz sentido. Individualmente falando, quanto maior era a proximidade, mais aceitável era julgar alguém por seus atos e mais distante ficava a culpa. No resultado final, ficamos todos sem programações de sexta no pós-expediente. Mudaram as estações, as conversas, as pessoas. Não haviam mais as conversas por e-mail com 350 respostas, não havia mais cerveja na sexta-feira. E, de repente, não havia mais nada.

Talvez seja o preço pago por querer envelhecer rápido demais.

Síndrome de Trilha Sonora

Daí que eu saio do prédio para fumar, vou até o carro e vejo que estão implodindo qualquer coisa na Pedreira próxima ao trampo. Explosões, um nevoeiro foda no horizonte e eu pouco me lixando pra tudo, quando ouço:

“Hard as a rock, it’s hard than a rock”

Um cara fumava no estacionamento ouvindo AC/DC no celular. How convenient.

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Certa vez, quando da minha fissura pelo The O.C – é, eu revelo cada coisa neste blog, depois explico melhor – gravei todos os seis CDs da trilha sonora para vir ouvindo no carro. Ligo no Dandy Warhols e saio. Esqueço a música quando começa a introdução com uns chiliques alternativos, vou passando pelo condomínio e vejo três amigos de infância sentados no banco da alameda, às 10h da manhã, porque ócio de verdade precisa ser demonstrado inloco. Me passou uma breve nostalgia ao ver os três e lembrar deles naquela fita cassete de um aniversário em 92. E então o Dandy Warhols começa a cantar:

“A long time ago, we used to be friends”

Eu tive medo.

#001

e estes olhos tão pequenos?
são para verter lágrimas, filho.

–semana tensa.

Sou Winston

Comedido, inexplicável. Tornar-se adulto é fazer parte do bando, da multidão de gente sozinha. Engrenagem da máquina, funcionário, cidadão padrão. O “sistema” que antes parecia só uma palavra boba em músicas de protesto se faz presente como nunca antes. Preso sem correntes, numa verdadeira detenção sem muros. É proibido olhar e sentir, é proibido ser.

Sou Winston e aprendi a odiar o Grande Irmão.

Adeus, Internet Móvel

Bem, bloquearam minha linha telefônica um dia antes do meu aniversário (isso vai estar também no post final sobre o inferno astral deste ano). Não recebi ligações dos milhares de amigos espalhados pelo país de meus 6 amigos atuais, nem vi as mensagens, e-mails, nada.

Por que? Porque eu não paguei.

Primeiro, me cobraram o dobro do valor nos últimos dois meses. Quando li a frase “Chegou sua conta” no envelope, imaginei alguém da Vivo segurando a risada e me entregando o envelope.

E eu, que só usava o smartphone por conta da internet móvel, ainda tentei explicar para a moça do atendimento que era uma cobrança indevida. Mas ela só fez parcelar em tantas vezes e me cobrar até o mês que eu não usei.

Vivo, incompreensão como nenhuma outra.

Agora, se me derem licença, vou desbloquear o celular, esquecer a Vivo e abraçar o SPC-Serasa. Bem-vindos à minha vida.

Robson Assis abandona a vida móvel deixando uma conta ativa no foursquare com seis badges.


Nossos sentimentos à família.

Das Primaveras

Hoje completo o ano 26 de existência.

Comecei a enxergar o mundo com olhos estranhos de uns tempos pra cá. Clichê assim.

Não sei se foi o papo existencialista naquele vídeo do George Carlin ou essa filosofia de pensar no quanto se é pequeno em relação aos universos em nossa volta. Desaniversários, sabe, aquela história? Você comemora um ano cumprido, pra esquecer que só está um ano mais perto do final da vida.

Parece que não estou só envelhecendo, estou começando a tecer reflexões dramáticas e tristes como um velho.

Hoje é meu aniversário e não vou sair de casa. De presente, ganhei dois livros da coleção de clássicos da Abril. Minha garota, sempre. Meus pais já me pagam impostos, boletos e combustíveis o suficiente pra pensar em presentes. Dá pra se sentir um moleque toda vez que se pede dinheiro pra gasolina. Mas dá pra se sentir um otário também.

Feliz aniversário pra mim.

Rascunhos de um inferno astral #2

Fiquei sabendo que meu amigo Wolvs ia me dar de presente de aniversário um ingresso para o show do Social Distortion, que aconteceu semana passada. O problema é que já tinham dado dois ingressos para o Megadeth e decidiram que não iam ceder mais um pra ele. #VDM

ps.: Social Distortion é o show de 2010 que mais me arrependo de não ter ido

***

Daí chega o maluco da gringa para terceirizar um serviço aqui na empresa. Aí nego quer almoçar com o cara e bancar o entendido da língua inglesa. Fila gigante, 12 minutos até a entrada do refeitório e uma frase:

-Here…..it’s…it’s…you know….all days, same place…tsc, tsc… [balançando a cabeça negativamente]

Impressionante o modo como as pessoas reclamam da vida pra qualquer um. Nego acha que a qualquer momento o Luciano Huck pode sair de trás de um arbusto e dizer: Amigo, você está no Lar Doce Lar dessa semana!

Eu Coleciono Flyers

Colecionar flyers é uma arte que começou ao acaso, pelas tantas vezes que acumulei restos de papéis na gaveta. Certa vez, fui arrumar a coisa toda e encontrei mais flyers do que oxigênio, e então eu comecei a juntá-los.

A coleção data de 2003.

Separo os itens em categorias pra não me perder na hora de organizá-los. E geralmente a organização acontece em feriados no meio da semana, como o de ontem.

1. Publicidade
Os de publicidade são aqueles que você encontra no caixa de algumas baladas, em lojas de roupa conceituais e cafés. Geralmente ficam em expositores e as pessoas têm vergonha de pegá-los e serem taxadas de… bem, de uma pessoa que pega papéis no expositor, sei lá.

Geralmente não gosto destes porque são cartões postais, mas se fossem SÓ cartões postais, seriam vendidos. Eles tem uma publicidade qualquer ao invés de uma paisagem bonita. Ao invés do Viaduto do Chá, tem uma televisão Samsung, ou o comercial de um novo seriado da Warner. O que lhes garante o direito de serem gratuitos.

Embora, posso dizer, alguns deles valem a pena:

2. OUTS
Na verdade, tenho poucos flyers da OUTS, mas são, sem dúvida os que mais gosto. Pelo bom gosto do papel, da arte – mesmo os de material mais vagabundo têm artes bem-feitas. Sim, a OUTS é aquele club no final da rua Augusta, em frente ao Inferno. Toca Indie Rock, termo que muitos de meus amigos trocaram por “som meio outs”. Pra encaixar numa frase o exemplo: “sabe a DJ Club, ali perto da Nove de Julho? É meio abafado e tals, mas a música é boa, eles tocam um som meio outs”.

3. PUNK
É onde está o auge desta coleção. De todos os flyers que possuo no total (cerca de 400), esta categoria ocupa pelo menos 70%. Coletados em geral na porta de shows, clubs e lojas da Galeria do Rock, os flyers de shows de rock são meu grande orgulho. E entre 2006 e 2008, se tornaram também um hobbie.

Óbvio que muitos destes shows eu não fui. Mais óbvio ainda que os flyers que peguei nestes shows estão mais maltratados que aqueles que peguei numa loja ou num club. Alguns têm fita durex na parte de trás, para garantir a integridade física. Algumas raridades como a passagem do Discharge, Vibrators e Agent Orange em SP, mais alguns clássicos como o NX Zero e Gloria no Hangar 110 e locais mais fuleiros (fãs alucinados que queiram comprá-los por preços escabrosos, me add).

A coleção completa está no Flickr: