Sempre imagino a cena.
Faustão me convida pra ir no programa falar sobre a vida daquele que fez história com [espaço destinado a qualquer um dos meus sonhos]. E, no telão começam a aparecer amigos, conhecidos, gente que me apoiou, o circo todo.
E então eles aparecem chorando, mais que emocionados, sem saber o que responder quando o apresentador lhes pergunta se sempre apoiaram o filho. Esboçam um “sim”, afinal, é um programa de domingo, cujas feridas não devem ser expostas. Só o choro, a emoção simples, a dor por nunca ter enxergado em sua criança algo além de outro produto natural do mundo a nascer e morrer despercebido, sem alarde, como seus antepassados.
Vou lembrar todas as vezes que meu salário aumentou e eles perguntavam se eu estava procurando ‘coisa melhor’ pra trabalhar. Cada segunda-feira como esta em que chorei no chuveiro por não suportar ser o primeiro a abrir a fechadura de cima, trancada de noite, antes de todos irem dormir.
Cada sombra que consegui ver próxima, cada cigarro que fumei por pura pressão. Cada vez que vi meu orgulho ou auto estima se atirarem pela janela por não terem mais lugar ali.
Vou controlar as lágrimas e responder por eles. Dizer que sempre estiveram ao meu lado em todas as decisões que tomava, dizer como me sentia protegido e pude enxergar o mundo não como uma estrada de mão única, mas como um anel víario cheio de saídas e possibilidades.
E termino aos aplausos da platéia, como naquela piada do Pagliacci: “Good joke. Everybody laughs. Roll on snare drum. Curtains”.
*desculpem, é só uma segunda-feira ruim.
** Cheguei no trampo tão desumanizado que nem vi que a Giselle tinha voltado de férias.
Bom como sempre, heavy como nunca
Heavy day, man. Um daqueles textos que tenho certeza que vou me arrepender de ter escrito quando estiver mais velho, mas, bem, hoje faz todo o sentido do mundo. =/